Solidário ao amigo Aloísio

21 de setembro de 2007

Faço questão de publicar neste blog a carta que recebi da jornalista Caroliny Braga sobre o afastamento do jornalista Aloísio Coutinho, integrante da direção do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Ceará, pelo Sebrae descumprindo a Constituição Federal.
Não podemos nos calar sobre o assunto.
Domingo, às 10h, na Praça da imprensa haverá concentração dos jornalistas para carreata em defesa da campanha salarial. Na ocasião a demissão ilegal do nosso colega também será discutida.

Segue o manifesto escrito por Caroliny Braga:
Faltando bem pouco pras bodas de estanho dele, o comunicado (frio): “Obrigado pelos serviços, mas a instituição passa por um realinhamento”. E só, bem assim, na manhã do último 16 de agosto, na sala do superintendente do Sebrae no Ceará, Carlos Cruz. O diretor (moço na instituição, são apenas oito meses de casa), afastou o assessor de comunicação José Aloísio Coelho Coutinho, Blau (já veterano na instituição, com cerca de 10 anos de brilhantismo ético concedidos à entidade). E dentre o movimento que o jornalista fez de abrir a porta da Superintendência, entrar, ouvir, articular umas poucas questões, decepcionar-se e fechar a porta, não houve mais que cinco minutos. No decorrer de cinco minutos (apenas cinco minutos), os quase dez anos de profissionalismo dele, de fidelidade à instituição, foram descartados pelo mal explicado realinhamento.

O querido, estimado (até reverenciado), abissalmente adorável, exageradamente distinto, qualificado, voluntarioso e coerente Blau estava frigidamente afastado dos serviços jornalísticos aos quais esteve à frente com profissionalismo e decência. Cansadas foram as vezes, meu Deus, que os fins de semana olhando pro mar foram deixados de banda em nome de sua ansiedade por servir. E ele, como se aquilo não afetasse sua alegria em categoricamente nada, ainda ia ao serviço como quem está indo olhar pro mar.

O fato que estou querendo pensar junto com vocês aqui não é nem tanto ligado a um membro da diretoria executiva do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará – Sindjorce ser colocado no olho da rua, o que defrauda, em todo, o artigo 8º, inciso VIII, da Constituição Federal. Não que esse juízo rompido pelo Sebrae deixe de ser um insulto, um assassinato à lei. Mas o que me tira a tranqüilidade da alma (principalmente nesse caso) é perceber que o profissionalismo, ou mais que isso, que a humanidade que um profissional cede em sua lida diária, através do desempenho mais correto de sua tarefa, não está sendo respeitada. Sinceramente, desconheço a instituição que não adoraria ter este Blau em seu quadro de funcionários.

O que precisa ser reforçado nessa questão não é o fato de ser inteiramente vedada a escusa do funcionário que goze de cargo em qualquer que seja a diretoria sindical. O que precisa ser pujante aqui é a lealdade dos atos sempre profissionais do Aloísio. O quanto ele se dedicou a essa empresa que nem pestanejou em o dizer “obrigado pelos serviços, mas a instituição passa por um realinhamento”. E quando o telefone tocou na (antiga) sala dele, no Sebrae, no relógio ainda nem passava das 10 (secretária pedindo que ele se dirigisse à Superintendência), ele foi com um bloco e uma caneta, pensando que o mote fosse discutir a próxima pauta de projetos do Sebrae que ele divulgaria ao mundo.

Hoje, o que está em pauta é ele. O profissionalismo dele. O bem querer que o mundo tem por ele, pelas atitudes humanas e profissionais dele. O que está em pauta hoje são os direitos dele rasgados de um jeito austero e, mais que isso, desumano. O que deve estar em pauta é muito mais que o desrespeito à lei que defende a não demissão de um dirigente sindical. É preciso que casos feito esse não nos deixem descrentes da humanidade e decência que ainda podem acompanhar as decisões de homens e mulheres de bem. A torcida é pra que ele seja respeitado pelo tudo que é, pelo tudo que representa pra sociedade, pelos serviços jornalísticos devidamente prestados aos cidadãos cearenses desde 1990. O apoio aqui exposto (e também revelado a ele no silêncio do abraço mais sincero a que pude me prestar um dia) é por acreditar que não dá pra ser um jornalista, um sindicalista, um amigo, um filho, um irmão, um tio, um noivo, um futuro esposo e pai tão admirável se o comportamento não tentar, ao menos, aproximar-se da conduta dele. Que a justiça alargada a pessoas assim de bem não deixe de existir.