Meia Linha

22 de agosto de 2008

Dando seqüência as novidades desse blog em seu primeiro ano teremos hoje a estréia da coluna “MEIA LINHA”, assinada por Marco Furtado. A idéia surgiu do pedido de vários internautas para abrirmos um espaço ao esporte mais popular do mundo, o futebol. Além de amigo, o nosso novo colaborador é apaixonado pelo esporte e santista roxo. Com vocês a primeira “MEIA LINHA” do blog.

Por Marco Furtado

Robério Lessa, amigão dos bons, meu vizinho por 11 anos no bom e charmoso São João do Tauape, pediu para que escrevesse alguma coisa ligada a futebol para o seu Blog. O problema é que nem sei escrever, nem manjo de futebol um centésimo do que o Robério pensa que manjo. Mas para uma pessoa que tem o coração e o cérebro maior do que o corpo, como o dito cujo, quem há de faltar, ainda mais sendo filho da D. Ivone, que tão bem ajudou a criar mais da metade dos filhos que botei nesse mundo de meu Deus. Aliás, todo mundo diz que tem uma mãe santa. Agora, a D.Ivone e a minha, essas tenho certeza.
Robério havia sugerido um título muito bom para coluna, aí pensei: Talvez só seja capaz de escrever, no máximo, meia linha, mais que isso é pura pretensão. E o que meia linha tem a ver com futebol? Aí é que estão elas… Meia linha era um joguinho de bola que a turma do quarteirão, até meados da década de 70, batia quando o tempo, o espaço, o número de peladeiros ou até mesmo o saco não eram suficientes para o velho racha. Na verdade era um jogo meio cruel, de atacantes contra goleiro, este sozinho, sem beques para ajudá-lo. O gol podia ser uma trave mesmo, mas podia ser uma porta de garagem, um muro marcado com carvão ou como lá em casa, que era porta lateral, para desespero da minha santa mãezinha e suas plantinhas. Um dos atacantes iniciava dando um centro, como se batesse um córner, os demais teriam que receber a bola sem deixá-la tocar no solo, realizar uma troca de no mínimo três passes, sendo que cada passe era um toque único e só então poderiam chutar a gol. Bola dentro, gol dos atacantes, bola fora ou não dominada, gol do goleiro. A partida era de dez e quem fizesse primeiro ganhava.
Na verdade a meia linha acabava se tornando um excelentetreinamento de centradas, domínio de bola e chutes de primeira no ar e treinamento de goleiros em chutes a queima roupa. Será que a extinção da meia linha está diretamente relacionada com a proliferação de tantos pernas de pau no futebol? A brincadeira era feita de forma alegre, relaxada, em espírito de gozação, provocações e risadas, sem muita preocupação com o placar ou vencedor. A grande jogada era quando um atacante vindo detrás acertava uma na veia, bem na cara ou boca do estomago do goleiro, ou pior, numa vidraça, jarro de plantas ou outro bem de um vizinho. Aí quem pagava o pato eram nossas santas mãezinhas.
Até a próxima.