Entrevista – Ingo Hoffmann

12 de setembro de 2008

“Nunca tive medo e nunca pensei em desistir. É preciso ter determinação. Para conquistar algo na vida, temos que ser sempre muito determinados. Foi com essa força interior que o nosso entrevistado, conseguiu vencer todos os obstáculos e se tornar um dos mais consagrados pilotos brasileiros.

Nascido em 1953, o piloto Ingo Hoffmann, desde criança demonstrou interesse por carros e, numa época onde o automobilismo não tinha grande repercussão, começou a freqüentar o autódromo de Interlagos. Seu primeiro contato com as competições foi aos 19 anos, em uma corrida para pilotos sem experiência. Nessa corrida, largou com 43 carros à sua frente, e após seis voltas já era o sétimo colocado, na sua posição de chegada.

Depois disso Ingo seguiria no automobilismo ganhando títulos na Divisão três, Fórmula Super V até ir para a Fórmula Três Inglesa em 1975. Em 1975 estava na Fórmula Um pilotando um Copersucar. De volta ao Brasil, em 1979, na primeira temporada da categoria, estreou na Stock Car, onde detém 12 títulos, 76 vitórias, 60 poles. Além da Stock Hoffmann pilota na GT3 e Rally Cros Country onde em 2006, sagrou-se bicampeão Brasileiro na Categoria Protótipo e Vice-campeão na Geral. Vencedor nas pistas, vencedor na vida. Hoje Ingo se realiza com o que chama de sua principal realização: O Instituto Ingo Hoffmann, idealizado para ajudar crianças necessitadas.

Confira aqui no Carros e Corridas a entrevista exclusiva com Ingo Hoffmann.

Carros e Corridas – Aos 55 anos de idade muita gente se sente cansada e você continua em uma atividade desgastante, correndo em duas categorias nacionais e se aventurando em outras corridas. De onde vem essa vontade de correr?

Ingo Hoffmann – Creio que o mais importante na vida, é podermos fazer aquilo que gostamos. No meu caso, o Automobilismo é uma paixão, e não existe nada melhor na vida do que poder transformar a paixão em profissão. Como o automobilismo é o meu trabalho, eu preciso (como qualquer outra pessoa) trabalhar, para poder sustentar a família. No caso dos esportes paralelos, eu os faço porque gosto, e para ter um bom preparo físico.

Carros e Corridas – Você iniciou no automobilismo em 1972, passou pela Fórmula Um quando, em 1976, pilotou pela Copersucar, depois de ter pilotado em categorias como a Fórmula Três e Fórmula Dois européia. O que você teve de enfrentar fora do país até chegar a Fórmula Um?

Ingo Hoffmann – Acho que enfrentei as mesmas dificuldades que praticamente todos pilotos enfrentaram em suas carreiras. Como eu já fui casado para lá, talvez minha situação não foi tão critica como para muitos outros que foram sozinhos.

Carros e Corridas – Falando de casamento. O que a família representa na vida de Ingo?

Ingo Hoffmann – Para mim a família é simplesmente tudo. Inclusive por causa de minha mulher e de minha família, cheguei aonde cheguei.

Carros e Corridas – Em 1979 você estreou em uma categoria que se iniciava, categoria esta que te daria muitas glórias. Até hoje competindo na Stock Car você venceu 76 corridas, conquistou 60 pole positions e venceu 12 campeonatos. Você se sente realizado na Stock ?
Ingo Hoffmann – Me sinto totalmente realizado em minha carreira como um todo. Corri fora do Brasil, corri na F1, e acabei me sagrando no maior campeão da maior categoria do Brasil, que é a Stock Car.

Carros e Corridas – Dos Opalas, passando pelo Ômega, Vectra, até os carros de hoje qual o que te deu mais prazer de pilotar?

Ingo Hoffmann – Todos os carros, nos seus devidos tempos, me deram muito prazer. Eu costumo sempre dizer que qualquer carro, rápido, competitivo, que te dê chances de vencer, é um carro prazeroso.

Carros e Corridas – Você anunciou, na primeira corrida deste ano da Stock, que iria se aposentar da categoria. Está batendo arrependimento, ou você tem pensado em ficar por mais um ano?

Ingo Hoffmann – De forma nenhuma esta me batendo arrependimento. Pelo contrário. A decisão foi tomada depois de muito tempo de amadurecimento, e anunciada na hora certa.

Carros e Corridas – Depois de sair da Stock você vai se concentrar em quais categorias?

Ingo Hoffmann – Na GT3 e talvez no Rally. A GT3 é uma categoria nova no Brasil, que esta me dando muito prazer em participar, pois são carros fantásticos, que normalmente a gente somente vê nas revistas especializadas.

Carros e Corridas – E essa paixão pelo Rally? Como um piloto criado no asfalto pôde se acostumar a uma competição onde o terreno é instável?

Ingo Hoffmann – Eu sempre fui movido por novos desafios, e o Rally acabou sendo um grande desafio que resolvi enfrentar, onde tive que aprender novas técnicas de pilotagem, ter um navegador do meu lado me indicando o caminho e as dificuldades. Todo isto requereu um certo tempo, mas valeu tremendamente a pena. No ano que vem quero ver se volto a correr lá.

Sobre Carros e Corridas – Já passou pela cabeça em montar uma equipe e ficar vendo tudo da mureta?

Ingo Hoffmann – Montar uma equipe não me passa pela cabeça, mas eu vou continuar envolvida na Stock Car no ano que vem em outras atividades, como treinando novos pilotos, trabalhando no lado promocional de uma equipe, e guiando um carro de “volta rápida” para convidados dos patrocinadores.

Carros e Corridas – No automobilismo, assim como em outro esporte competitivo, pode haver algum desentendimento. Você acha que é possível competir sem criar inimizades?

Ingo Hoffmann – Em qualquer ambiente muito competitivo sempre vai haver uma rivalidade, mas eu nunca presenciei inimizades.

Carros e Corridas – Que análise você faz do automobilismo brasileiro nos dias de hoje? Falta uma categoria nacional que percorra autódromos de todo o país?

Ingo Hoffmann – Poderíamos ter mais categorias. Quanto uma categoria percorrer o Brasil todo, acho muito difícil por causa das distâncias envolvidas.

Carros e Corridas – E sobre nossos pilotos na Fórmula Um. Queria que você falasse um pouco sobre o Massa, Barrichello, Nelsinho

Ingo Hoffmann – Acho que o Massa está na equipe certa, na horta certa. O Barrichelo, por sua vez, estava na equipe certa na hora errada. Quanto ao Nelsinho, acho um pouco cedo para falar, pois devemos dar mais tempo para ele.

Carros e Corridas – O Instituto Ingo Hoffmann é a sua maior vitória? Como ajudar nessa bandeira social?

Ingo Hoffmann – Sem dúvida nenhuma. Acho que o simples fato de divulgar o IIH já ajuda bastante.

Carros e Corridas – Qual a maior lição que você quer deixar para seus filhos e aqueles que o admiram?

Ingo Hoffmann – A determinação. Para conseguir algo na vida, temos que ser sempre muito determinados.

Fotos:Fernanda Freixosa/Duda Bairros/Luca Bassani/Vicar/Vanderley Soares/Arquivo Ingo Hoffmann

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