Entrevista – Solón Mendes

10 de dezembro de 2008

Aos 44 anos, o piloto de motos e navegador cearense Solón Mendes, um dos mais respeitados profissionais do rally brasileiro, é o primeiro entrevistado do mês de dezembro aqui no Carros e Corridas.

Foi numa noite quente em Fortaleza, típica de fim de ano, que Solón nos recebeu em seu apartamento, no bairro do Papicu. Na companhia do filho Solón Neto, nos mostrou alguns troféus expostos na sala de visitas e uma sala repleta de lembranças e troféus conquistados em 23 anos de motociclismo e automobilismo.

Nascido no bairro Henrique Jorge, em Fortaleza, Solón falou de sua infância modesta e de sua primeira paixão no mundo das corridas: os cavalos do Jóquei Clube Cearense que passavam em sua porta e atraiam os olhares daquele menino. “Tive uma infância bem modesta, mas feliz. Minha primeira paixão por corrida foi pela de cavalos. Lembro muito bem da imagem daqueles cavalos que passavam perto da minha casa e me atraiam para aquele espetáculo. Foi paixão à primeira vista. Eles passavam na porta de minha casa e levavam meus sonhos infantis”. Depois dos cavalos, o primeiro contato com a velocidade sobre rodas só viria em 1985, em cima de uma moto.

Acompanhe agora os melhores momentos dessa entrevista descontraída com Solón Mendes.

Carros e Corridas – Como o então funcionário público entrou para esse mundo corrido das competições?

Solón Mendes – Eu tinha uma moto, uma DT 180 trail, e naquela época (1985) só duas equipes faziam trilhas em Fortaleza e eu comecei a me engajar com essas pessoas. Lembro do pessoal que andava com o Riamburgo, que se reunia na Avenida José Bastos, gostava mais de corridas mais rápidas, como trilhas e o motocros (Riamburgo Ximenes – piloto de Rally).  Como eu gostava mais das trilhas, acabei indo para o enduro. Foi aí que comecei a me destacar e pegar mais gosto pela coisa. Esse foi o começo de tudo. Minha primeira competição foi o Rali Cerapió (de Fortaleza-CE a Teresina-PI). Estava com a mesma moto, mas ela foi roubada, e pedi ajuda de uma tia que me emprestou um dinheiro e comprei outra DT para participar da competição. 

CC– E quando você entrou para competição de carros?

SM – Comecei nos carros sem abandonar as motos. Só deixei de pilotar moto há pouco tempo, mas sempre tive um tempinho para fazer minhas trilhas em duas rodas. Como eu estava competindo em Enduro, eu comecei como navegador, pois os pilotos gostavam de andar com o pessoal das motos que conheciam bem a navegação, os caminhos, aí foi mais fácil. Minha primeira navegação foi para Vitor Gurgel. Aí foi só descobrir o rally de velocidade que foi no Rally RN 1.500, no Rio Grande do Norte

CC – Mesmo descobrindo o rally de velocidade, você se aventurou em outras categorias…

SM – Na verdade a gente corria de tudo que podia. Fizemos muitas trilhas nas dunas com os Buggies. Aí vieram os jipes da Lada, o Niva, depois surgiram os 4×4, os Troller e aí foi dar no que deu: as Mitsubishi e os caminhões. Não esquecendo das motos, pois sempre competi com moto. No sábado fazia carro, e no domingo moto.

CC Você tem alguma predileção por uma competição especial?

SM – O Rally dos Sertões. Os Sertões sempre foi um sonho. Minha primeira participação foi com o Arnaud Jr. e chegamos em quinto lugar, na novatos. Era um sonho para mim. Sempre sonhei em vencer esse competição, e somente em 2007 que consegui o primeiro lugar. Fui campeão do Rally dos Sertões na categoria caminhões e na categoria T4. 1 pela Equipe Ford Racing Trucks/Território 4×4.  Em 2008 conquistei o Bicampeonato do Rally dos Sertões na categoria Caminhões e na categoria T4.1 pela Equipe Ford Racing Trucks/Território 4×4, minha atual equipe na competição. 

CC – Com tanto envolvimento no automobilismo, tendo de viajar e ficar distante da família. Alguma vez você pensou em parar?

SM – Não. Minha família é tudo e me dá total apoio no que faço. Estou casado há 23 anos e sempre encontrei na minha esposa Elitânia, na minha filha Anny, e no meu filho Solón Neto o apoio necessário para competir e saber que vou chegar em casa e ser recebido com amor. Deus me abençoou. Agradeço muito a ele o que tenho hoje e a família que construí.

CC Hoje você navega para um dos maiores pilotos do país, Edu Piano, e é contratado da Ford Caminhões. Isso aumenta a responsabilidade?

SM – Claro que sim. Sei que isso é conseqüência de toda uma vida dedicada ao esporte, não vem de uma hora para outra. Sou Bi-Campeão dos Sertões pela Equipe Ford Racing Trucks  a custa de muito trabalho, não só meu como do Edu e de todos os membros da equipe. Os méritos são também da equipe e daqueles que investem no time. Além disso, não posso esquecer do apoio que os patrocinadores dão ao time. Hoje é impossível pensar em competir sem a parceria das empresas que acreditam no trabalho. 

CC Qual o grande recado que você daria para quem deseja seguir na carreira automobilística?

SM – Primeiro é preciso confiar no que faz. Não desistir diante das dificuldades encontradas. É preciso determinação e muita dedicação para colher bons frutos nesse tipo de trabalho.

Os principais títulos de Solón Mendes foram:

Bicampeão do Rally dos Sertões na categoria Caminhões e na categoria T4.1 pela Equipe Ford Racing Trucks 2007 e 2008
1º lugar no Cearense de enduro-moto (Cat Over40) – 2006
1º lugar no Cearense de Rally regularidade – 2006
Campeão do Cerapió (cat. over 40) – 2004
Campeão do Mitsubishi nordeste – 2003
Campeão Cerapió (cat motos) – 2002
Campeão Piocerá (cat motos) – 2001
Campeão do Baja Ceará (cat tt3) – 2001
Campeão Cearapió (cat motos) – 2000
Campeão cearense de enduro – 2000
Campeão cearense de rally  – 2000
Campeão Rally (cross country) RN1500 – 1999
Campeão Piocerá (cat carro 4×2) – 1997
Campeão cearense de rally 4×2 – 1997
Campeão cearense de rally 4×2 – 1996
Campeao Piocerá (cat motos) – 1995
Campeão Cerapió (cat motos) – 1994
Campeão Piocerá (cat motos) – 1993
Campeão Cerapió (cat motos) – 1992
Campeão Piocerá (cat motos) 1991
Campeão cearense de Rally – 1990

Tags: