Entrevista – Rubens Barrichello

26 de março de 2009

Rubens Barrichello desde 1993 disputa de maneira ininterrupta o campeonato mundial de Fórmula Um, sendo o piloto mais experiente da história da categoria. O brasileiro que, na companhia de Shcumacher, pilotou uma Ferrari de 2000 a 2005 conseguiu dois vice-campeonatos em 2002 e 2004. Em 2010, no Grande Prêmio da Bélgica de 2010, atingiu a incrível marca de 300 GPs disputados. Após competir pela Brawn GP na temporada de 2009, ele foi confirmado para temporada de 2010 na equipe Williams, tendo renovado para temporada de 2011. Em 2011 Rubens disputou sua 19ª temporada, tornando-se o piloto com maior número de temporadas ininterruptas disputadas. Barrichello não conseguiu prolongar seu vínculo com a escuderia para mais um ano sendo substituído por Bruno Senna e agora vai competir pela Fórmula Indy com grandes chances de sucesso e de mostrar todo a sua intimidade com as pistas.

Acompanhe a entrevista com Rubens Barrichello e mate a saudade deste incrível piloto em seus tempos de Fórmula Um, aqui no Carros e Corridas.

Carros e Corridas – Como está a ansiedade para a primeira corrida do ano?

Rubens Barrichello –  O GP da Austrália é um dos meus circuitos favoritos do calendário e a atmosfera em Albert Park durante a semana da corrida é sempre fantástica. Será realmente empolgante voltar este ano com a nossa nova equipe e com um carro competitivo na minha 17a temporada na Fórmula Um. Depois de um longo período de espera, estou extremamente motivado para correr de novo e de olho nos desafios que temos pela frente.

CC – E como você encara esse momento de expectativa em cima da Brawn GP?

RB – Acredito que os sete dias de treinos do BGP 001 foram bem aproveitados. Estou bem confiante e super-motivado, por isso digo que vou com a faca nos dentes. Mas temos de esperar para ver o que acontecerá em Melbourne. É certo dizer que o carro nasceu muito bem e foi desenvolvido desde o meio do ano passado. Tudo que mudamos nele (carro) durante os treinos a resposta na pista é do jeito que queríamos. Por isso, falamos que é um bom carro. Agora, por tudo que envolve o nascimento da Brawn GP, é normal as pessoas criarem essa expectativa.

CC – Como está a adaptação ao fuso-horário da Austrália?

RB – Cheguei quase uma semana antes da corrida justamente para me adaptar a essa mudança de horário. Estou treinando fisicamente durante a semana e fazendo uma alimentação planejada. Até sexta-feira, quando começam os treinos livres, já estarei bem adaptado.

CC – E o circuito?

RB – O circuito de Albert Park é bem técnico e relativamente rápido para um circuito de rua, pois você usa cerca de 70% o máximo do acelerador em cada volta. Como é usado por carros normais antes de montar a pista, é preciso ter cuidado com as ondulações.

CC – Será um sentimento especial iniciar a sua 17a temporada na F1?

RB –  Na verdade, será igual. Apesar de ter passado quatro meses de espera, a verdade é que nunca deixei de ser piloto de F1. Foram quatro meses de férias, coisa que eu nunca tive na minha vida, mas que em certo momento me deu uma angustia. Fiz uma preparação física intensa, perdi 5kg e voltei a acelerar, a coisa que eu mais queria fazer. E ainda o carro é ótimo. Então, posso dizer que foi um presente de Deus.

CC – O que a torcida brasileira pode esperar do Rubens Barrichello na F-1?

RB – Pode esperar o Rubens muito motivado e vencedor querendo mostrar quem realmente é. O Rubens que meus amigos, família…as pessoas que convivem comigo sabem, mas grande parte ainda não conhece. Então, estou muito a vontade em falar e fazer as coisas que realmente traduzem a minha vontade.

CC – Como foi a reação da sua família sobre sua permanência na F-1?

RB – Eles sempre me apoiaram incondicionalmente. Eles sabem da minha paixão e minha vontade em correr, por isso sempre recebo apoio deles.

CC –  Quais equipes você vê forte e que poderá ser uma dificuldade para a Brawn?

RB – Acho que a Ferrari sempre andou bem nos treinos e com certeza será uma candidata as primeiras posições. Além dela, a Toyota, Willians e Red Bul andaram bem também, assim como a Renault. E embora a Mclaren esteja um pouco atrás no início, não podemos esquece-la porque ela pode voltar a ser competitiva, principalmente, após as três primeiras etapas do ano.

CC – As mudanças técnicas para 2009 ajudaram no desenvolvimento do BGP 001?

RB – Será um campeonato interessante nesse sentido porque, no nosso caso, o BGP 001 se adaptou muito bem a elas. Muita gente me pergunta ‘como assim o carro nasceu bom’?. Esse carro está sendo projetado a 15 meses, então, ele foi muito bem estudado, sempre com a assinatura do Ross. A volta dos pneus slicks também me deixou bem contente.

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