Há 15 anos o Brasil perdia seu maior ídolo no automobilismo

1 de maio de 2009

Bem no início dos anos noventa, as manhãs de domingo realmente possuíam algo de especial. Quem assim como eu, tem idade o bastante para se lembrar dessa época, sabe muito bem do que estamos falando. Nada era melhor do que acordar cedo e tomar o café, enquanto víamos as primeiras imagens do GP que estaria prestes a começar. Era um misto de ansiedade e contentamento, e o responsável por isso só tinha um nome: Ayrton Senna da Silva.

Senna era um exemplo de piloto que nasceu para a velocidade. Logo cedo, começou no esporte, tendo ganho seu primeiro kart com apenas três anos de idade. A “máquina” ainda não era tão potente, e tinha um motor de cortador de grama, com potência de 1 hp. O que poucos sabem é que na verdade o presente era para sua irmã, Viviane, que felizmente, para o esporte brasileiro, o recusou.

O filho do Sr Milton da Silva começou a competir oficialmente nas provas de kart aos treze anos, e terminou no segundo lugar por várias vezes, antes de se tornar campeão sul-americano de kart em 1977, com 17 anos.

A partir daí, o piloto brasileiro somaria diversos sucessos a sua carreira. Em 1981 começa a competir na Europa, ganhando o campeonato inglês da Fórmula Ford 1600. No ano seguinte, sagra-se campeão europeu e britânico da Fórmula 2000. Em 83, Senna vence a Fórmula 3 inglesa, somando tantas vitórias em Silverstone, que a imprensa britânica passa a chamar o circuito de “Silvastone”.

Tendo chamado a atenção de diversas equipes da Fórmula 1, Senna estréia na categoria em 1984, pela equipe Toleman, e já conquista seu primeiro ponto logo na segunda corrida, disputada em Kyalami, África do Sul. Neste ano, o destaque ocorreu em Mônaco, circuito que se tornaria um dos preferidos de Ayrton. Em Monte Carlo, Senna largou no 13º lugar e terminou em segundo, ameaçando a liderança de Alain Prost.

Sua primeira vitória aconteceu no ano seguinte, pilotando pela equipe Lotus. Ela veio no dia 21 de abril de 1985, no autódromo de Estoril em Portugal e sob muita chuva. Nas temporadas seguintes, Ayrton manteve o bom desempenho, chegando a liderar o campeonato mundial pela primeira vez.

Mas foi somente na McLaren, que Ayrton encontrou condições reais de lutar pelo título. Senna uniu-se a escuderia inglesa em 1988, ano que também conquista seu primeiro campeonato mundial de F-1. Nos anos que se seguiram, a categoria testemunhou uma das maiores rivalidades da história do esporte. Prost e Senna, ambos da McLaren, foram responsáveis por momentos históricos, com ultrapassagens e manobras celebradas até hoje pelos fãs.

Em 1990 e 1991, Senna venceria o campeonato mundial por mais duas vezes, confirmando, mais do que nunca, a importância do Brasil na maior categoria do automobilismo mundial.

Senna fica na McLaren até 1993, e após duas temporadas medianas, o piloto assina um novo contrato com a Williams. O fato de a escuderia ter um melhor carro na época, atraiu Ayrton, mas como a FIA havia mudado algumas regras na construção dos modelos, o próprio Ayrton havia dito que o veículo era instável, durante a pré-temporada.

O campeonato de 1994 não começou bem para o brasileiro. Senna não havia terminado as duas primeiras corridas do ano, mas estava disposto a mudar a situação no GP da Itália disputado em Imola.

Na sexta-feira, dia 29 de abril de 1994, começaria um dos finais de semana mais tristes para a categoria. No treino de sexta, Rubens Barrichello, iniciante na F-1, sofreria um grave acidente a bordo da Jordan. Felizmente, Rubinho apenas teve um nariz quebrado.

No sábado, o austríaco, Roland Ratzenberger, da equipe Simtech, bate violentamente na curva Villeneuve, falecendo minutos depois de chegar ao hospital.

Esta foi a primeira morte que Senna presenciaria na Fórmula 1, após 10 anos, desde a sua estréia. Os acontecimentos deixaram Ayrton profundamente transtornado, tendo o piloto se reunido com os demais para decidir se iriam ou não para a pista no domingo.

Optaram pela corrida, e após sete voltas, Ayrton Senna perde o controle do carro na curva Tamburello, seguindo reto e chocando-se contra o muro de concreto. Senna foi levado ao hospital Maggiore de Bolonha, mas poucas horas depois foi declarado morto. Os comissários da prova encontraram uma bandeira da Áustria a bordo de sua Williams. Ayrton havia planejado uma homenagem à Ratzenberger, morto um dia antes.

Após o ocorrido, a perícia constatou que o brasileiro havia perdido o controle do carro devido a uma quebra na barra de direção. Constatou-se a negligência dos mecânicos, que foram indiciados por homicídio culposo, mas todos foram absolvidos em 1997.

A morte de Ayrton foi considerada pelos brasileiros como uma tragédia nacional, e o governo declarou três dias de luto oficial. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas foram as ruas para assistirem o funeral de um dos maiores ídolos nacionais no esporte.

A lembrança que fica de Senna é a do piloto ousado, destruidor de recordes, das ultrapassagens perfeitas, impecável na chuva e, principalmente, de grande caráter. Nesta sexta-feira, 1 de maio, completam-se 15 anos sem esta personalidade que ensinou os brasileiros a amarem o automobilismo e as manhãs de domingo.

“O impossível não existe quando se acredita verdadeiramente nos sonhos”, Ayrton Senna da Silva.

Dados:
Vitórias: 41
Pole Positions: 65
Pódios: 80
Voltas na liderança: 2987
Média de pontos por corrida: 3,71
GP onde mais venceu: Mônaco – 6 vezes (87, 89, 90, 91, 92 e 93)

Fonte: F-1 na Web – Lucas Martins