"Sertões está entre os melhores do mundo”, diz Sainz

4 de julho de 2009

Sucesso de público em 2009, a 17ª edição do Rally Internacional dos Sertões, que se encerrou oficialmente neste sábado (4/7) com uma entrevista coletiva em Natal (RN) foi também uma unanimidade entre pilotos e equipes. Todos destacaram os diferentes graus de dificuldade e a versatilidade dos pisos encontrados no roteiro de 5.056 quilômetros, e também elogiaram o nível de detalhamento dos chamados road books (livros de bordo usados pelos navegadores), além do funcionamento da prova como um todo.

“Esta foi uma prova muito dura, mas também uma das melhores do mundo”, disse o espanhol Carlos Sainz, uma lenda do off road mundial que fez sua estréia no Brasil disputando – e vencendo, na categoria carros – o Sertões 2009. “Parabéns para a organização e para o público, que sempre se mostrou carinhoso e simpático conosco. Mas, antes de mais nada, quero agradecer à equipe Volkswagen. Parece que foi fácil, por sempre estarmos em primeiro e segundo, mas não foi. Só conquistamos este resultado por causa de um trabalho sério e profissional”. Bicampeão mundial de rally de velocidade em uma época na qual havia grandes talentos, os anos 1990, Sainz (foto) declarou que gostaria de disputar a corrida novamente. “Se a equipe quiser, eu volto sim”, disse ele.

Sainz fez questão de destacar o elevado grau de dificuldade oferecido pelo trajeto da prova: “Tivemos de tudo, de pisos com pedra, areia, vias estreitas e largas, alagadiços, muitos saltos… Tivemos uma briga pela vitória dentro da nossa equipe, mas sinceramente chegar ao final não foi nada fácil”. Estreante no Sertões, o piloto espanhol foi surpreendido pelo trabalho detalhado de levantamento do roteiro encabeçado pelo brasileiro Eduardo Sachs, diretor técnico da prova. A tarefa em 2009 teve uma novidade: “Usamos um avião para fazer o levantamento pela primeira vez e isso realmente fez a diferença”, explicou Marcos Moraes, presidente da Dunas Race, organizadora da corrida. “A fase aérea, que depois é conferida por uma equipe em terra, foi um grande diferencial que nos trouxe a possibilidade de encontrar o melhor roteiro possível. A cada ano, a gente tem conseguido se superar neste aspecto. E isso também se deve a um conjunto de ações realizadas pela minha equipe, superando as dificuldades que surgiram ao longo da prova. A minha equipe é realmente fantástica”, completou Moraes, ele também um especialista em corridas fora-de-estrada.

Sertões e Dakar – Além de Sainz, os outros pilotos campeões também participaram da coletiva. Vencedor entre as motos, o paulista Zé Hélio (foto) conquistou seu quinto título na competição, igualando o recorde de Jean Azevedo, também de São Paulo. O novo campeão disse que vai tentar uma nova vitória em 2010, mas também citou uma tentativa de vencer o Rally Dakar. “Espero voltar ao Rally dos Sertões no ano que vem como vencedor ou simplesmente como um participante, o que já é uma vitória”, disse, referindo-se à dificuldade que é chegar ao final da corrida. “O Rally Dakar é um sonho e eu e a Honda do Brasil vamos disputar a próxima edição para tentar quebrar a hegemonia da KTM. Se não for no ano que vem, vamos continuar tentando”, disparou.

Parceiro do navegador Sólon Mendes e do apoiador Davi Fonseca, o piloto do caminhão vencedor (foto), Edu Piano destacou a briga acirrada contra o trio Amable Barrasa/Guilherme Signoretti/Raphael Bettoni. “Pela voz – Edu estava rouco –, vocês podem perceber como eu estou cansado. Esse ano foi a minha quarta vitória (terceira com caminhões), mas a mais emocionante”, frisou ele. “Nos anos anteriores, praticamente garantimos o título na sétima etapa e agora foi o inverso, pois caímos para a segunda colocação na sétima etapa. A equipe trabalhou demais, foi muita emoção. Decidimos (o título) aos 45 do segundo tempo, de virada”, comparou, usando a velha analogia com o futebol. “Em 2010, a Ford vai entrar com um caminhão pesado. A equipe começa a trabalhar no seu desenvolvimento já em agosto, e eu vou competir com ele”, revelou o campeão.

O campeão dos quadriciclos, Cristiano Batista, viveu uma situação inversa ao drama de Edu Piano. “Comecei forte nos cinco primeiros dias e consegui abrir uma boa vantagem”, lembrou. “Depois, passei a administrar. E essa é uma situação complicada para quem está acostumado a simplesmente acelerar, como eu. Por isso acabei errando curva, errando o seguimento da planilha. Mas no final deu tudo certo e hoje estou muito feliz”, resumiu o campeão do Rally Internacional dos Sertões 2009. Fotos:Divulgação.