Coluna Speed: Tudo tem seu preço

15 de julho de 2009

Dizem que o Brasil é a pátria de chuteiras, mas durante alguns anos fomos também a pátria sobre rodas. Outros tempos, onde tínhamos José Carlos Pace, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna na F1, além de ver também Emmo (apelido dado pelos americanos a Emerson) brilhando na Indy.
Hoje os tempos são outros, não podemos reclamar (ainda) dos brasileiros nas categorias top, porém os tempos dos brilhantes pilotos mencionados no parágrafo acima. Na F1 temos Nelsinho Piquet, Felipe Massa e Rubens Barrichello, esse último na luta pelo título desse ano. Na Indy temos Hélio Castroneves, Tony Kanaan, além dos mais jovens Mário Moraes e Raphael Matos.

Mas e para chegar até essas categorias? O caminho não é fácil e muito menos nada barato. O Brasil peca por categorias-escola e dessa forma nossos jovens talentos estão indo para outros países cada vez mais cedo. Saindo do kart, geralmente os pilotos ingressam nos antigos F-Ford, batizados em SP como F-SP. O próximo passo seria a F3 Sulamericana, com custo de aproximadamente R$ 300 mil/ano; a alguns anos atrás tínhamos uma categoria no meio, a F-Renault, porém sem o apóio da montadora foi o fim da categoria.

Depois da F3 Sulamericana, que na verdade tem a maioria das suas provas realizadas no Brasil (e praticamente não existe pilotos argentinos, uruguaios, paraguaios, etc.) obrigatoriamente é hora de sair do país: Europa ou Estados Unidos. Na Europa é hora de encarar uma F3 Inglesa, ou ainda existem outras categorias-escola, como as F-BMW e F-Renault espalhadas por diversos países. Os custos, algo que pode variar entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Na terra do tio Sam existe a F-Mazda (foto) e F-Athlantic, categorias de base também com custo similar a Européia, porém com um grande diferencial: enquanto no automobilismo europeu, assim como no brasileiro o piloto na grande maioria dos casos é obrigado a levar seus patrocinadores, nos EUA as empresas buscam unir suas marcas com jovens pilotos, independente da nacionalidade, ou seja, não importa quem está atrás do volante, o importante é o show.

O próximo passo seria a F2 e GP2 na Europa, último degrau antes da tão sonhada F1. Nos Estados Unidos chegou a hora de encarar a IndyLights para quem sonha em andar na IndyCar., assim como está fazendo a brasileira Bia Figueiredo. Os custos, algo em torno de R$ 1 milhão por temporada, isso em ambos os continentes.

Claro que no automobilismo não existem apenas as categorias fórmula, os carros turismo fazem um grande espetáculo inclusive com brasileiros dando show, mas isso fica para uma próxima coluna.
Ah, quem queria ver a F1 Histórica em Interlagos, fica talvez para 2010: a prova foi cancelada devido a falta de patrocínio. Prometo voltar a esse assunto também! Muito obrigado pelos emails e continuem escrevendo, até mês que vem!

A Coluna é redigida pelo jornalista Vitor Garcia – vitorgarcia@speedracing.com.br