A Stock no Nordeste

11 de agosto de 2009

Em sua Coluna Velocidade o jornalista Robério Lessa comenta sobre a incursão da Stock Car no Nordeste.

O Nordeste brasileiro pode ser encarado como um capítulo à parte no cenário automobilístico nacional. Uma região com mais de 52 milhões de habitantes, onde são registrados 309.127 carros novos por ano só possui dois autódromos: um em Caruaru (PE) e outro no Eusébio (CE). Muito pouco para quem pretende entrar no cenário automobilístico nacional.

No Ceará, o autódromo Virgílio Távora, localizado a 18 km da capital cearense, já recebeu corrida de Fórmula 3, Pick Up Racing e a Fórmula Truck. Este ano a Copa Vicar tinha acerto com o governo do estado para viabilizar uma de suas etapas, mas o negócio mixou e sequer as pick ups, que competiram em 2008 desembarcaram nas terras alencarinas.

Este ano apenas a Fórmula Truck correu na Região passando pelo Ceará e por Pernambuco. No autódromo cearense a bem vinda categoria deu um banho de loja no autódromo, trocando parte dos alambrados e fazendo outras melhorias. O público respondeu à altura lotando as arquibancadas, um indicativo de que havendo espetáculo há quem vá assistir.

Para surpresa de muita gente, a Bahia anunciou a realização de uma prova da Stock Car em suas ruas. Uma grande jogada de marketing turístico. A área do Centro Administrativo de Salvador fora a escolhida para se desenhar uma pista de 2.774 metros. As obras absorveram mão-de-obra de duas mil pessoas. Foram colocados 6 mil metros de barreiras de concreto e o asfalto que dava passagem a ônibus e carros de rua foi recapeado para receber os bólidos com seus V8.

Logo nos primeiros treinos se viu a dificuldade dos pilotos em acelerar entre muros. A saída dos boxes parecia o labirinto onde Perseu derrotou o Minotauro. A terrível “gincane” com pneus dava mostras de um certo amadorismo, lembrando aqueles pavorosos circuitos de aeroporto.

A corrida foi uma verdadeira procissão. Parecia um engarrafamento, um atrás do outro sem dar chance nenhuma de ultrapassagem. Ao ver na TV após a saída do Safety Car pensei que ainda era volta de apresentação tamanha a falta de mudanças na pista e a manutenção das mesmas distâncias que os pilotos mantinham quando andavam mais lentamente.

Emoção só para quem trabalhou recolhendo os carros que bateram ou tiveram problemas. A certa altura que pensei haver ultrapassagem quando o Ricardo Sperafico forçou em cima do Marcos Gomes….não passou. A pista não possuía pontos de ultrapassagem, não foi nem culpa dos pilotos.

Cacá Bueno, que largara em terceiro, saiu vitorioso graças às quebras de Thiago Camilo e Ricardo Maurício. Apesar de ter vencido o piloto não poupou críticas ao traçado durante a coletiva de imprensa e lembrou que existem outras opções para a categoria. “Temos centros de automobilismo fantásticos, alguns muito bem cuidados, outros não. Seria bom retornar a Goiânia, Cascavel, talvez Fortaleza, se for reformado. A gente viu que aqui pouco se passa e muito se bate. É espetacular correr aqui, é uma coisa pitoresca, mas não pode ser costume a gente fazer meia temporada em circuito de rua. A gente tem um autódromo belíssimo no Rio que, reformando, ficaria ótimo, mesmo estando mutilado”, disse Bueno.

Não é apenas por criticar, mas se a Stock quiser permanecer em Salvador terá de repensar o circuito para tornar minimamente atrativa uma corrida. Quem sabe não seria mais fácil e menos oneroso reformar os autódromos de Caruaru e Eusébio, assim a categoria poderia pensar em fazer três corridas no Nordeste. Com autódromos reformados, ou até mesmo a criação de um novo, a Stock Cart contribuiria também para o surgimento de novos pilotos, novas categorias e novos mercados, já que é isso que interessa.

Robério Lessa – roberiolessa@yahoo.com.br

Foto:Luca Bassani/Divulgação.