Automobilismo cearense: Fora de estrada X Autódromo

6 de setembro de 2009

Em sua Coluna Velocidade o jornalista Robério Lessa comenta sobre a diferença de projeção midiática no automobilismo cearense.

Nestes dias me pediram para fazer um paralelo entre o automobilismo cearense das competições off-road e da pista do autódromo Virgílio Távora, no Eusébio (CE). Penso que o rally tem maior exposição midiática em relação automobilismo disputado no asfalto. Não se trata de quem é melhor ou pior.

No Ceará há um cenário montado por Deus para receber corridas com pick-ups, motos e triciclos, percorrendo treinar em praia, serra e sertão, o que dá marra para nossos pilotos e navegadores que acabaram conquistando títulos nacionais e internacionais como Riamburgo Ximenes (quatro vezes campeão do Rally Internacional dos Sertões); Estanger Eller; Solon Mendes; Silvio Deusdará; dentre outros.

E os do asfalto?

Embora alguns pilotos tenham competido em categorias nacionais como a Stock Car, ainda falta um grande campeão. Talvez falte ao automobilismo disputado na pista a mesma abertura de espaço que o rally conquistou no cenário nacional. Ainda falta ao automobilismo baseado no autódromo do Eusébio um maior espaço na chamada mídia esportiva

Uma coisa carrega outra.

Quem acompanhou as competições em 1970 e 1980 faz relatos de tardes com boas disputas e excelente público.

Mas fazer carros (temos bons construtores) e colocar na pista não pode ser apenas um esforço de dezena de abnegados. Há de se olhar mais para o que está acontecendo na pista. Pilotos nós temos e categorias também (Marcas, Protótipo, Fórmula V 1.8, Gran Turismo e Super Turismo). Foi do Ceará, com a Proton Design, o fornecedor dos veículos para a categoria Esprom-BMW, organizada pelo tricampeão mundial de Fórmula 1, Nelson Piquet.

O carro foi apresentado ao piloto por foto. Com a percepção que lhe é peculiar Piquet reconheceu estar diante de um verdadeiro carro de corrida. Desenvolvido pelo projetista e construtor Pedro Virgínio Onofre Barbosa, os bólidos cearenses foram levados para várias partes do país a ponto de fazer a prova de abertura do GP do Brasil de Fórmula 1 em 1999.

E os CTM, a categoria de turismo conhecida como Stock Nordeste, com carros que se igualavam aos Stock Car em velocidade final, mesmo sendo equipado com motor de menor potência.

Se há carros, pilotos e construtores de bom nível no Ceará, talvez falte um campeão em grande categoria nacional. Para isso é preciso haver categoria de base, se faz necessário abrir espaço para eventos como Track Day e Arrancadas a fim de conquistar um novo público.

Bem que a Federação Cearense de Automobilismo poderia ser mais pro ativa e buscar soluções que minimizem os custos das categorias formadoras de pilotos. Procurar uma maior proximidade junto às nacionais para sediar corridas que façam desse autódromo, uma referência nordestina e brasileira.

A Bahia usou suas ruas para atrair a Stock Car. Ano que vem a Bahia vai sediar uma etapa da Fórmula Indy. Além das festas, os baianos descobriram que corrida de carro também gera turismo e empregos. A receita está dada.

Robério Lessa – roberio@carrosecorridas.com.br