Monza, da tradição à baixaria

12 de setembro de 2009

Na coluna Velocidade o Jornalista Robério Lessa comenta sobre o GP de Monza e as notícias sobre o caso Renault/Nelsinho Piquet.

Dia 3 de setembro de 1950, domingo, naquela tarde o italiano Giuseppe Farina (Foto), a bordo de um Alfa Romeo vencia a primeira edição do Grande Prêmio de Monza do primeiro Campeonato Mundial de Fórmula Um após completar 80 voltas num traçado de 6.276m, conquistando assim o primeiro campeonato da categoria máxima do automobilismo. 57 anos depois o circuito tem agora 5.793m, muitos heróis, muitas histórias passaram pelo asfalto do que é considerado hoje um dos últimos templos do automobilismo onde é possível respirar ares dos tempos em que se dava uma volta com média de 180 km/h (236,859Km/h hoje).

Mas tudo isso é passado, é memória, é história. O que não mudou foi o fascínio, o encanto que esse circuito exerce sobre os amantes de automobilismo. Diferente de Mônaco que cria sua pista nas ruas da cidade, Monza está pronto o tempo inteiro.

Ano passado a chuva trouxe consigo a primeira vitória de Sebastian Vettel, tornando-se o mais jovem piloto a conquistar um Grande Prêmio em toda a história da F-1. A prova deste ano é de grande importância para a sequência do campeonato de pilotos, mas o episódio Renault/Nelsinho roubou a atenção nesses últimos dias.

A minha idéia não era a de comentar essa contenda envolvendo o brasileiro, mas não posso passar ao largo sem expressar minha revolta pelo que chamo de desvio do foco dos noticiários de todo o mundo.

O que se transformava em uma batalha judicial (já aguardada) acabou virando papo de botequim de quinta categoria quando a imbecilidade de Briatore desnudou-se ao insinuar detalhes da vida pessoal de Nelsinho Piquet.

Nem de longe pretendo ampliar a repercussão das palavras de um biltre, mas acredito ser esta informação a que menos deve ser explorada pela chamada imprensa especializada em automobilismo.

Hoje, às 9h, tem início a classificação para a corrida, a qual deve ser das mais disputadas. Seja qual for o resultado final a Fórmula Um vai estar mais preocupada com o resultado das explicações que Briatore dará à Federação Internacional de Automobilismo.

Adrian Sutil, da Force Índia, não se interessou pela polêmica e marcou o melhor tempo no segundo treino livre de sexta (11). Fica a torcida para ele fazer uma boa corrida e dar mais graça ao noticiário bastante ocupado com esse lodaçal nos bastidores da categoria máxima do automobilismo.

É máxima pela qualidade dos pilotos e carros, mínima no quesito gente.

Sei que vão dizer que isso é romantismo ou pura inocência, mas estou mais interessado em ver bons pegas a ouvir sandices de um abjeto  chefe de equipe.

Robério Lessa é Jornalista e editor do site Carros e Corridas.

Fale com o colunista pelo e-mail roberio@carrosecorridas.com.br 

 Foto:Arquivo GP Monza.