Estréia coluna sobre carros antigos

12 de outubro de 2009

Olá, caros leitores do site Carros e Corridas.

Você gosta de carros antigos? Quer saber da história daquelas relíquias dos tempos de nossos pais e avós?

Estréia hoje a coluna “Vitor du Opala”. Nosso mais novo integrante é um apaixonado por carros antigos, especialmente o Opala, e, mensalmente vai trazer histórias sobre carros antigos.

Acompanhe o primeiro texto de Vitor.

ROMI – ISETTA

Para os amantes dos carros antigos nacionais, vou começar do começo escrevendo sobre o “primeiro carro nacional”.

Carrinho estranho, onde quer que passe nos dias de hoje, ainda chama a atenção de todos, mas não foi bem assim na época do seu lançamento.

Muitos a achavam feia e era motivo até de graça quando a viam, mas hoje,  não há quem não vire a cabeça quando uma dessas passa. Zoadenta, emite o mesmo som de uma máquina de caldo de cana, tornando difícil se comunicar dentro dela.

A Romi Isetta é um dos carros mais estranhos que o nosso país já fabricou. Eixo dianteiro muito mais largo que o traseiro (1,2m na dianteira e 0,52m na traseira), o entrar e sair de dentro dela se dá pela única porta, que ocupa toda a dianteira do carro e quando aberta leva o pára-brisas e o painel junto. Foi justamente por este motivo que a Romi Isetta não foi considerado o primeiro carro nacional, isso em meados de 1956.

Fabricada pela Indústria Romi – especializada na fabricação de máquinas industriais – com a devida licença da fábrica italiana Iso, a Isetta só oferecia lugar para duas pessoas. Equipada com câmbio de 4 marchas, mas com posições invertidas pois a primeira era pra baixo, a alavanca era acionada com a mão esquerda. Encontrar os engates era tarefa difícil e de muita sorte. A coluna de direção é igual de Kombi, entre os pés. O painel era composto por apenas velocímetro que ia até 100Km, o que era uma irresponsabilidade botar uma velocidade dessas num carro dessas dimensões. O painel, simples acompanhava o velocímetro, e 3 luzes espia: dínamo, pisca e farol alto.

A Romi Isetta trazia como diferencial e novidade o motor de partida e o dínamo que formavam juntos, uma única peça e o sistema elétrico era 12 volts. O tanque tinha capacidade para 13L e possuía uma torneirinha para passar para a gasolina reserva, como se utiliza em motos.

Os motores  que equiparam as Romi Isetta eram de 2 cilindros, 2 tempos e que depois foi substituído pelo de 4 tempos de 1 cilindro, 300cc e 13cv de potencia, fabricado pela BMW. Suas rodas de aro 10 traziam apenas uma calota ao centro, o teto era de lona e escamoteável.

Foram fabricadas de 1956 a 1959 cerca de 2800 unidades da Romi Isetta, com preço bastante elevado, pelo fato de não ter sido considerado carro e consequentemente sem apoio dos incentivos do governo,  custava muito mais que um Fusca. Juntando tudo isso e por ser um carro bastante limitado a Romi Isetta teve breve história por aqui e hoje é figurinha rara, nas mãos apenas de alguns colecionadores e museus.

Até nosso próximo encontro.

*A coluna publicada neste site expressa a opinião de seu autor.