Coluna Velocidade – Nada Para Ross Brawn

19 de outubro de 2009

Em sua coluna, o jornalista Robério Lessa escreve sobre o resultado do Grande Prêmio Brasil de Fórmula Um, que deu o título ao piloto Jenson Button, da Brawn GP.

Ninguém pode contestar o talento de Jenson Button e seu primeiro campeonato mundial de pilotos da Fórmula Um. No entanto, a corrida deste domingo (18) em Interlagos deixou muitos brasileiros com um sentimento maior  que o de derrota, o de desconfiança.

Não é de hoje que sabemos ser a categoria cercada de interesses. Já assistimos cenas “bizonhas” e pouco honestas.

Num passado pouco distante tivemos domingos decepcionantes ao ver que Ross Brawn determinava uma estratégia menos competitiva a um de seus pilotos, quando ainda chefiava o time vermelho.

Foi numa dessas “determinações” de Brawn que Rubens Barrichello desnudou a pouca vergonha traçada pelo inglês para dar a vitória a Schumacher. Em 2002, no Grande Prêmio da Áustria, o brasileiro praticamente parou o carro a poucos metros da linha de chegada, permitindo a passagem do alemão, que além de gênio era conhecido como “Dick Vigarista”, um pseudônimo referente às suas condutas nas disputas na chamada “categoria máxima do automobilismo”.

Para encerrarmos o assunto Ferrari, na qual pilotou entre os anos de 2000 e 2005, vimos o carro do brasileiro parado no grid por “esquecimento” de um macaco, parar a poucas voltas do final (GP do Brasil) por falta de combustível, ficar mais que 30 segundos em uma simples troca de pneus e reabastecimento…..

2009 seria diferente, era essa a esperança!

Chamado para desenvolver o carro da Brawn GP, ao lado de Jenson Button, Rubens Barrichello iniciou o ano com uma alegria semelhante a de um estreante. As primeiras corridas levaram o piloto inglês a abrir larga vantagem no campeonato, enquanto o representante do Brasil lutava contra problemas de freios em seu carro, mas sempre guiando de forma competitiva e mancando pontos e alcançando algumas vezes o pódio.

Foi na segunda metade do campeonato que Rubens recuperou sua melhor forma e passou a largar na frente de Button em quatro das cinco últimas corridas antes da brasileira.

Após uma pole inquestionável Barrichello largava 13 posições à frente de seu rival na luta pelo título. Até a largada ninguém acreditava no que seria visto ao final.

Não gosto muito de acreditar em conspirações, mas desta vez concordo com o engenheiro, blogueiro e colaborador José Mesquita, incondicional defensor da “teoria da conspiração”. Para Mesquita tudo gira em torno de interesses e no GP Brasil de 2009 não foi diferente.

“Fórmula Um é uma zona: fazemos qualquer negócio. Com a “zona” criada pelas batidas nas primeiras voltas do GP do Brasil, Button saiu da “zona” dos sem pontos pra “zona” de pontuação e colocou a mão na taça.

Ross Brawn, percebendo que o inglês podia ganhar o campeonato em Interlagos, raciocina: – Hum!, Barrichello já assinou com a Williams. Então, chama o Barrichello pro box e diz pra equipe: “vê se atrasa o brazuca aí “fellas” !!

Brawn não iria dar de mão beijada um campeão do mundo pra outra equipe, né”? Revela Mesquita (www.blogdomesquita.com.br), lembrando que “no mundo a Fórmula Um o mais “besta” monta relógio com luvas de boxe nas mãos”.

Como não pensar que o brasileiro foi prejudicado?

Além do baixo rendimento após a primeira parada nos boxes, o furo no pneu pareceu ter sido uma armação daquelas. Estranho era ver um carro piorar o desempenho enquanto outro só melhorava. Volto a insistir no bom trabalho do Button.

Ver nosso único representante cruzando a linha de chegada atrás do preferido pela equipe britânica, foi um duro golpe naqueles que acreditavam em uma disputa mais honesta pelo mundial de pilotos, já que a Brawn tornar-se-ia campeã de construtores apenas com um ponto a mais no Brasil.

Bonito mesmo foi ver o quanto Barrichello é GENTE.

Só mesmo os grandes reconhecem a vitória de seus oponentes, mas sabedores que são de seu potencial.

Parabéns Button pelo campeonato, apesar da amarelada final.

Parabéns Barrichello por mostrar ser um dos melhores pilotos da atualidade.

Para Ross Brawn NADA.

Robério Lessa é jornalista e um apaixonado por automóveis, Fórmula 1 e competições automobilísticas.
Formado pelo Curso de Comunicação da Universidade Federal do Ceará. Escreve sobre automobilismo desde 1992. Entre em contato com o colunista pelo e-mail roberio@carrosecorridas.com.br

Foto:Brawn GP/Divulgação.