Entrevista – Wellington Cirino

24 de outubro de 2009

Carros e Corridas – Você, a exemplo de muitos pilotos, começou a competir no kart aos 9 anos de idade, em 1984. No kart conquistou o bicampeonato da categoria Júnior no Paraná. A idéia de entrar para esse mundo das pistas foi motivada por algum ídolo ou teve direta influência de seu pai, que também é piloto?

Wellington Cirino – Gosto próprio, mas a convivência nas pistas ajudou muito o esporte á motor é apaixonante.

CC – O Paraná tem mostrado um automobilismo cada vez mais forte com espaço para competições que vão do kart, passando pelas pistas de terra, rally e as diversas categorias disputadas nos autódromos. Foi mais fácil buscar a carreira de piloto em um estado que mantém o automobilismo em destaque?

Cirino – Sim, além de correr eu trabalhava pela Federação em algumas corridas. O principal destaque do Paraná é ter três autódromos, quinze kartódromos e etc.; Isso ajuda muito o piloto regional a ter uma melhor visão de traçados, ângulo de curvas altas, médias e baixas. Quando você vai para um brasileiro está melhor preparado.

CC – Depois do kart, aos 15 anos você começou a pilotar automóveis. Competiu em categorias como a Força Livre, Endurance e Copa Corsa. Foi difícil entrar em uma competição com pilotos mais experientes?

Cirino – Sempre procurei ter amizades com pilotos mais experientes de uma forma ou outra você acaba diminuindo está distância entre a velocidade e a experiência.

CC – É verdade que na Copa Corsa, além das disputas nas pistas,
alguns pilotos tentavam burlar o regulamento para obter bons resultados em um campeonato bastante disputado? Que histórias você conhece sobre isso? Qual foi a coisa mais estranha que você viu nessas disputas?

Cirino – O maior erro da Copa Corsa era o regulamento mal elaborado, saíam muitas peças novas de outros modelos, aí muita gente se aproveitava ex; relação de marcha, radiadores e etc. A maior trapaça que fiquei sabendo era o corte do motor que era a 6.350 rpm e tiravam o corte eletrônico acionando na BUZINA!!  Aí o motor girava 7.000 rpm, mas sem dúvida era uma categoria que se aprendia muito. Particularmente gosto de categorias de base que não se mexa muito no carro e principalmente um regulamente de páginas e páginas para frear os aproveitadores que falem o automobilismo regional.

CC – Em 1997 você entrou para a Fórmula Truck, que não tinha a mesma importância que tem hoje para o automobilismo brasileiro. Como foi que você foi parar no cokpit de um caminhão?

Cirino – Como já falei, trabalhava em algumas provas pela Federação do Paraná aí conheci o Aurélio, no final de 1996 ele me convidou para correr. Não acreditei muito, só cai na real quando vi meu nome na porta do caminhão em Caruaru, foi muito emocionante, coisas de Aurélio, acreditar num jovem de 20 anos para pilotar um Fórmula Truck.

CC – Foi difícil sua adaptação?

Cirino – Sim, mas eu dirigia muito nosso ônibus da Copa Corsa, o maior problema era os freios a ar, depois que conheci mais melhorei muito, mas vale mencionar que corri sempre com Aurélio e tive como companheiro de equipe Jorge Fleck quem digo até hoje que nas pistas foram meus professores.

CC – Você recebeu algum tipo de crítica por entrar na Truck, que no início era dominada por pilotos mais experientes?

Cirino – Sim, imagine um menino de 20 anos na terceira corrida disputando a ponta com Renato, Fogaça e Drugovick, dentre outros, mas Aurélio tirou o pé na preparação do caminhão, pois era dono do evento, mas depois tudo era normal Aurélio deu nível à competição sempre.

CC – De certo modo você faz parte da renovação da categoria. Hoje a Truck tem atraído novos pilotos. Isso ratifica a importância da categoria? Já lhe veio à cabeça a idéia de quando parar ou mudar de categoria?

Cirino – Pretendo correr até 50 anos na Truck, mudar nunca, mas curto muito os carros de tração dianteira também.

CC – Campeão nos ano de 2001, 2003, 2005, e 2008, além dos. vice-campeonatos em 2002 e 2004 sempre pilotando um Mercedes-benz da ABF. O trabalho de equipe é um dos segredos para o sucesso nas pistas?

Cirino – É eu sempre andei pela ABF Desenvolvimentos este é o segredo. 

CC – Você demonstra nas corridas um incrível poder de reação,
surpreendendo muitos pilotos na segunda metade das provas. Fazer a primeira metade em uma tocada mais moderada é a melhor receita para ter um veículo competitivo no restante da prova?

Cirino – Depende muito do regulamento e orçamento para termos estas reações. O Aurélio era especialista nisto.

CC – O que o faz manter-se motivado mesmo tendo conquistado quatro títulos e 18 vitórias?

Cirino – Gostar de correr isto é o que mais importa, os caminhões são apaixonantes pilotá-los. Olhem o exemplo do seu Pedro Muffato, com mais de 60 anos.

CC – Você corre em várias pistas pelo país. Pelo que você encontra em cada etapa que avaliação você faz das nossas pistas? Qual seria a melhor e a pior delas?

Cirino – Melhor São Paulo, pior não podemos falar depende muito da conservação do asfalto de cada uma.

CC – Como é a sua relação com seu companheiro de equipe, o Geraldo Piquet, que perdeu o título de 2008 após sua reação dentro da competição?

Cirino– Muito boa. Somos profissionais o máximo possível.

CC – Há como a equipe manter os dois pilotos em mesmo nível de competitividade ou há momentos em que há a opção por um deles?

Cirino – ABF sempre dá caminhões iguais. Aí depende de acertos de cada um na pista.

CC – Quem você considera seu maior adversário na Truck?

Cirino – Todos, sem exceção.

CC – Qual foi a vitória mais marcante? E o campeonato?

Cirino – A primeira em Curitiba 2001 e o Campeonato de 2005 pelo meu acidente.

CC – Para 2010 quais são seus planos? Permanece na equipe? Houve interesse de outra marca?

Cirino – Continuo na ABF-Mercedes-Benz com estrutura remodelada. Houve interesse sim de outra marca no final de 2008.

Fotos:Orlei Silva/Divulgação.

Agradecimentos: Luiz Aparecido

Tags: