Coluna Paulo Valiengo: A corrida no anel externo de Brasília

6 de novembro de 2009

Olá, moçada!

No próximo dia 08 de novembro, será realizada a segunda corrida da MOBIL SUPER FINAL 2009, no circuito oval do Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Brasília (DF). Uma vez que o campeonato de Fórmula 1 já terminou, todas as atenções dos fãs de automobilismo estarão voltadas para a Stock Car. A próxima etapa da categoria, tem tudo para ser uma das melhores do campeonato.

Em virtude da corrida acontecer no oval, todos os 32 carros certamente vão “virar” no mesmo segundo, com média em torno dos 175 quilômetros por hora! Além dos carros da Copa Nextel, Brásilia também será palco da penúltima etapa da Copa Vicar e também da corrida da Stock Jr.

O circuito de Brasília é um dos melhores do Brasil, com curvas de alta, de baixa, em subida e descida, freadas fortes no fim de reta e etc. Mas, pilotar no anel externo também é uma sensação fantástica, por que a velocidade é sempre muito alta, e o piloto precisa “acreditar” para virar um bom tempo. Todos os carros viram muito próximos, e qualquer fração de milésimo de segundo, garante uma posição melhor no grid de largada.

Tenho uma história muito pitoresca a respeito de uma corrida em Brasília, quando há muitos anos atrás, em outubro de 1982, fui convidado pelo Alfredo Guaraná, meu amigo e tricampeão de Fórmula Super Vê, para participar da tradicional prova Mil Quilômetros de Brasília, na estréia de seu novo Stock Car.

Conosco iria correr também o piloto paulistano Aldo Pugliese, responsável pelo patrocinador e nosso companheiro nas Mil Milhas de 1981, quando obtivemos o terceiro lugar, correndo no meu Stock Car preparado pelo Jayme Silva. Para economizar, resolvemos viajar no carro do Aldo, uma Belina novinha, que ainda precisava ser “amaciada”.

Depois de algumas horas de viagem, quando estávamos próximos à Uberlândia, o carro começou a esquentar quando eu estava dirigindo, então falei para o Aldo que teríamos que entrar na cidade, para tentar resolver o problema de super aquecimento.

Procuramos uma concessionária Ford e lá, após um breve exame do motor, fomos informados que o cabeçote do carro havia trincado e por isso o motor superaquecia. Teria que ser trocado o cabeçote, para que pudéssemos seguir viagem.

Como não havia nenhum outro cabeçote em estoque, teriam que pedir um em São Paulo, o que iria demorar pelo menos 2 dias. Explicamos nossa urgência em razão da corrida, mas não adiantou nada, teríamos mesmo que esperar ou deixarmos o carro e seguirmos de ônibus.

Na época o Aldo era casado com a filha da Glória Menezes e ela e o marido Tarcísio Meira, estavam coincidentemente em Uberlândia, apresentado uma peça teatral, assim resolvemos visitá-los. Então tive uma idéia, que não sabia se daria certo, de levar o famoso casal até a concessionária, para que fizessem certa “pressão”, para que arrumassem o nosso carro a tempo de chegarmos a Brasília para a corrida. Os artistas relutaram um pouco, mas em vista de nossa necessidade, concordaram em nos acompanhar até a oficina.

Só estando lá para ver o que aconteceu! Quando o Tarcisio Meira e a Gloria Menezes, entraram na oficina, cumprimentaram todos e pediram para que o gerente desse um “jeitinho” para que nosso carro ficasse pronto, imediatamente, sem ao menos pestanejar, ele mandou tirar um cabeçote de outro carro e colocar no nosso!

Depois de vários autógrafos, o resultado foi que no mesmo dia, com o carro perfeito, seguimos viagem para Brasília, apenas com a promessa feita para o casal, que faríamos de tudo para vencer a corrida, em homenagem a sua solidariedade e comprometimento. Tivemos muita sorte e contamos mais uma vez com o apoio dos irmãos Giaffone e do chefe de equipe Jayme Silva, e vencemos a corrida após a quebra do carro do Affonsinho e do Zeca.

Foi a derradeira vitória de um Stock Car, nos Mil Quilômetros de Brasília. Obviamente na volta, paramos em Uberlândia para mostrar os troféus da vitória e agradecer mais uma vez a grande ajuda, dos famosos sogros do Aldo Pugliese. Passamos também na concessionária, e agradecemos ao gerente e aos mecânicos. Foi uma corrida inesquecível.

É isso aí. Até a próxima.

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Fotos:Fernanda Freixosa/Divulgação.