Coluna Paulo Valiengo: Zeca Giaffone: De grande piloto a construtor de sucesso!

7 de janeiro de 2010

Olá, moçada!

Em abril de 1978 fiz a minha tão esperada e difícil estréia no automobilismo, a bordo de um Opala 6 cilindros 4.100, da extinta classe “C”, no Autódromo Internacional do Rio de Janeiro. No ano seguinte, esta categoria se transformou na Stock Car. Nessa mesma corrida, outro paulistano também fazia sua estréia, José Próspero Giaffone, o Zequinha, com um carro preparado por Jayme Silva.

Hoje vou contar para vocês, um pouco da história desse grande piloto e atualmente o mais importante construtor do automobilismo brasileiro. O Zeca iniciou sua carreira no kart, sendo bicampeão brasileiro nos anos de 1971 e 1975. Por influência do irmão mais velho Affonso Giaffone Jr, trocou o kart pelo automobilismo de turismo, onde acumulou muitas vitórias.

Estreamos mais uma vez juntos, agora nas Mil Milhas Brasileiras de 1981, onde ele venceu em parceria com o irmão Affonso e com Chico Serra, que na época era piloto da Fórmula 1. Eu, em parceria com o Alfredo Guaraná e o Aldo Pugliese, chegamos em 3º, correndo também pela sua equipe, comandada por Jayme Silva.

O Zeca ganhou mais 4 vezes as Mil Milhas, em 1984, 1986, 1988 e 1989, sendo o maior recordista em vitórias desta prova, sempre com Stock Car. Guiando de uma forma “lisa” e precisa, venceu o Campeonato Brasileiro de Stock Car na temporada de 1987. Administrou a carreira de seus dois filhos, o Zequinha e o Felipe (atual bi-campeão de fórmula Truck), que conseguiram chegar até a formula Indy Light e IRL respectivamente.

Hoje em dia, os três se dedicam prioritariamente à fabricação e manutenção do Stock Car V8 da Copa Nextel, dos V8 da atual Pick Up Racing e também dos Mini Cooper da mais nova categoria do evento Stock Car, em substituição ao Stock Jr.

Em 1989, o Zeca encerrou sua carreira de piloto e em 1990 fundou a JL Racing, empresa especializada na construção de karts de competição. Como tinha grande experiência no kartismo, soube atender às necessidades dos pilotos, fabricando produtos de qualidade que logo se tornaram uma mania nacional com o surgimento da categoria indoors.

Em 1999, foi convidado pelo Carlos Col, Ingo Hoffmann e Paulão Gomes, para produzir a “gaiola” do Stock, uma vez que o Ômega já estava ficando com uma aparência cansada e a categoria exigia mudanças técnicas para evoluir. O Zeca aceitou o desafio de construir um carro para substituir outro já consagrado e produzido nas linhas de montagem da GM, investiu em pessoal e em equipamentos e no mês de abril de 2000 apresentou o novo Stock Car.

Era a primeira vez no Brasil que se produziam em série carros de turismo especialmente projetados para competição. Em paralelo o Carlos Col finalmente conseguiu que a Rede Globo transmitisse uma corrida ao vivo, o que foi o estopim para que a Stock Car chegasse aonde chegou.

Em 2001, os velhos motores Chevrolet de 6 cilindros, foram substituídos pelos atuais V8 de 480 cavalos, os mesmos da Nascar americana, somente com a potência reduzida no quadrijet, porque nos Estados Unidos a cavalaria chega a 600 HP. Os novos motores, mais bravos e mais competitivos estimularam pilotos de outras categorias, até os que estavam fora do Brasil, a ingressar na Stock. Em 2004, a categoria Light, ex-Copa Vicar e futura Pick Up, que ainda utilizava o Ômega, também adotou a “gaiola” construída pela JL.

Em 2005, o motor 6 cilindros do Stock Light também foi substituído pelo V8, mas, com a potência reduzida para 350 cavalos. Em 2006, a VICAR, em parceria com a JL, lançou a Stock Jr, primeira categoria de carros de turismo de baixo custo, especialmente concebida para pilotos jovens oriundos do kart. Em 2008, outra categoria foi criada pela VICAR em conjunto com a JL, a Pick Up Racing.

A JL fornece peças de reposição para todos os motores e chassis, bem como mantém nos autódromos, um completo atendimento as equipes. Outro dado importante, é que além dos dinamômetros que a empresa usa para aferir e igualar a potência dos motores possui também um moderno e eficiente dinamômetro de “rolo”, móvel, que serve para simular e aferir a potência dos motores em conjunto com a transmissão.

Em 2009 a JL deu mais um passo audacioso, concluindo a fabricação de um novo chassi para a Copa Nextel, muito mais moderno e eficiente que o anterior. Projetado pelo engenheiro paulista Gustavo Lehto, o carro tem câmbio seqüencial inglês de seis marchas, fixado no “trem” traseiro, e suspensão dianteira onde os amortecedores trabalham deitados como nos fórmulas, além de uma concepção de chassi que protege muito mais a integridade física do piloto.

O projeto deu certo e a categoria deu um enorme salto técnico. Os carros da Stock Car, totalmente construídos aqui no Brasil, não devem nada aos da DTM européia. De grande piloto a construtor de sucesso, o Zequinha Giaffone dedicou 32 anos de sua vida à Stock Car. É isso aí. Até a próxima.

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Fotos:Fernanda Freixosa/Divulgação.