Klever Kolberg fala sobre roteiro do Rally Dakar 2011

19 de março de 2010

Destino do Rally Dakar 2011 continua indefinido

Acompanhe artigo do piloto brasileiro Klever Kolberg no qual fala das possibilidades e dificuldades para que um novo roteiro da competição seja feito para o próximo ano.

Já se passaram dois meses após a bandeirada final do Rally Dakar 2010, na chegada a Buenos Aires, mas a indefinição do local onde será realizada a edição 2011 continua. A incerteza sobre o destino da próxima edição deixa centenas de pilotos na expectativa. Esta demora talvez se deva a múltiplos fatores que devem ser avaliados. Eventos recentes devem ter complicado ainda mais a decisão da ASO – organizadora da prova. Seu diretor, o Frances Etienne Lavigne, tem nas mãos uma equação um tanto confusa para resolver.

Após esta segunda realização da prova na América do Sul, havia três fortes hipóteses para o futuro do rali mais difícil do mundo. Uma era a permanência na Argentina e no Chile. Este último, inclusive, manifestou grande interesse em assumir a largada ou a chegada da competição. Entretanto, o trágico terremoto que abalou o país talvez mude as prioridades do novo governo que acaba de tomar posse. Especula-se que o Chile teria de investir cerca de sete milhões de euros para sediar o evento pelo terceiro ano consecutivo.

Outra tendência que parecia ser forte para janeiro de 2011 seria o retorno do Dakar à África, mas com um novo percurso, cruzando Tunísia, Líbia e Egito, com a chegada nas famosas pirâmides. Teoricamente, este seria um percurso livre das ameaças terroristas, que causaram o cancelamento do Dakar em 2008. A alternativa parecia viável, já que após um longo e conturbado relacionamento da Líbia com a Europa Ocidental e também com os Estados Unidos, havia uma certa harmonia. No entanto, ela foi afetada novamente pela tensão que recomeçou, e a Líbia declarou embargo comercial e econômico à Suíça, uma semana depois de Muammar Khadaffi, líder libanês, ter convocado uma “jihad” (luta armada) contra o país europeu, em represália pela recente aprovação de um referendo que impõe restrições à construção de minaretes em mesquitas.

As relações entre Líbia e Suíça estão ruins desde julho de 2008, quando Hannibal, filho da Khadaffi, foi brevemente detido em Genebra. O problema piorou quando a Líbia reagiu prendendo e confiscando o passaporte de dois empresários suíços – Rashid Hamdani e Max Goeldi.

Esta tensão pode afetar uma provável nova rota para o Dakar, ou até mesmo causar a proibição da presença de pilotos, equipes, jornalistas e membros de staff de algumas nacionalidades, que teriam negado os vistos de entrada na Líbia.

Existe uma terceira alternativa. E ela seria o retorno ao percurso original, com a saída de Paris e a chegada em Dakar, capital do Senegal. No entanto, ela parece pouco provável, já que tanto os competidores como os patrocinadores não estariam dispostos a correr os riscos de enfrentamento com grupos armados locais ou até mesmo ameaças da Al-Qaeda.

O que nos resta é ficar na espera das novidades que definirão a rota do Dakar para janeiro de 2011.

Klever Kolberg – Piloto do Valtra Dakar Eco Team.

Sobre Klever Kolberg: Engenheiro e piloto, Klever Kolberg é o brasileiro que mais vezes participou do Rally Dakar, competição off-road mais difícil e perigosa do mundo, tendo sido um dos pioneiros no país a disputá-la. O piloto criou a primeira equipe brasileira a participar do Dakar e vai competir pela 22ª vez em 2010. Um dos grandes nomes do off-road nacional, Klever começou na prova competindo de moto, entre 1988 e 1996, sagrando-se campeão da categoria Motos Maratona em 1993, ano em que foi o quinto colocado no geral. A partir de 1997 passou a disputar o Dakar entre os carros, obtendo o título vice-campeão na categoria Carros Maratona em 1999 e 2000 e na categoria Carros Diesel em 2002. É autor de três livros sobre o assunto e é comentarista de rali no canal ESPN desde 2007.

Comandado por Klever Kolberg (piloto) e Giovanni Godoi (navegador) no Rally Dakar 2010, o Valtra Dakar Eco Team é patrocinado por Valtra, BASF, Mitsubishi, Cosan, Unica, Mobil Super Flex, Pirelli, Fremax e Magneti Marelli, e apoiado por Artfix, Sparco e Waiver.