Coluna Eduardo Abbas – Novos Campeonatos, Velhos Problemas

8 de abril de 2010

Confira mais uma coluna do jornalista Eduardo Abbas

Depois da ausência em março, volto a partir de abril quinzenalmente para expor minhas opiniões sobre o fantástico mundo do automobilismo.

Aproveitei para nesse mês acompanhar a abertura dos campeonatos nacionais e internacionais na esperança de que alguma coisa nova poderia aparecer, mas realmente nada de muito significativo mudou.

O Brasil foi palco da abertura de dois campeonatos internacionais: o WTCC em Curitiba e a Fórmula Indy nas ruas de São Paulo.

Ousadias a parte, a corrida paulista primou sempre pelo suspense. Num momento até imaginou-se que ela não aconteceria devido ao grande número de problemas que brotavam do chão, literalmente falando. O traçado foi o responsável por tirar o sono de governantes e empreiteiros, deixando os organizadores de cabelos em pé, mas valeu muito, porque a capacidade dos brasileiros envolvidos em superar esses desafios foi impressionante. Tudo deu certo, os carros treinaram, alinharam e correram. Pena que a televisão não conseguiu mostrar 80% do que acontecia na pista. Eu não me lembro, nesses meus 30 anos de televisão em ter visto uma transmissão tão ruim. Nos dias de hoje não se aceita tamanhos erros, como posicionamentos de câmeras equivocados, erros de corte, briga do locutor com a imagem, enfim, tudo que não se deve fazer em termos técnicos e artísticos na transmissão de uma corrida, aconteceu na Indy SP 300. Vamos dar um desconto grande, foi a primeira e sempre será melhor depois de descobrir o caminho das pedras. Quem, aliás, descobriu foi o australiano Will Power, vencedor da prova paulista e da segunda rodada em São Petersburgo, mostrando que esse ano a Penske não esta pra brincadeiras.

Já em Curitiba, tradicional prova de abertura do WTCC, os mesmos nomes continuam dando as cartas no mundial. A grande novidade é a Chevrolet entrar de sola e começar finalmente a ameaçar a hegemonia dos SEAT. Destaque para o nosso valente Augusto Farfus Junior, levando nas costas uma BMW pra lá de ruim. A notícia triste, pelo menos pra capital paranaense, é que esse foi o último ano da categoria naquele autódromo. Por ser uma categoria FIA e que agora vai ser gerenciada como se deve pelo Bernie Ecclestone (já era dele, mas estava na gaveta!) Interlagos deve ser o palco de abertura em 2011. Como sempre, a conferir.
Quem também estreou em Curitiba foi a já tradicional PORSCHE GT3 CUP, categoria brasileira monomarca e brilhantemente comandada pelo Dener Pires encheu o grid com mais de 40 carros em duas categorias, e os olhos de quem gosta de corrida com emoção. O grande destaque foi o Leo Burti, irmão do Luciano e que, após eliminar vários e incômodos quilos, segue firme a carreira de empresário-piloto. Na segunda largada do dia Leo saiu de 9º para o primeiro lugar em apenas uma volta, e venceu a corrida, lidera o campeonato ao lado do Miguel Paludo e promete outro show na segunda etapa.

São Paulo também foi palco da abertura dos dois principais campeonatos de turismo do Brasil, a GT3 e a Stock Car.

É muito estranho para eu ver como estão essas duas categorias hoje.

Quando da chegada da GT3 no Brasil, eu e o antigo diretor do Sportv resolvemos apoiar a categoria por dois anos, pois acreditávamos que, seguindo o que estava sendo proposto e incentivado, seria uma segunda força no Brasil.

O que aconteceu na verdade, por causa dos custos e da crise, foi a perda de interesse de vários pilotos e de equipes em apostar em um formato que deu muito certo na Europa, mas que aqui no Brasil ainda carece de ser mais divulgado e incentivado. Parece que os atuais dirigentes estão tentando esse novo caminho, e o resultado é que alguns pilotos e equipes voltaram. É um pequeno passo pra quem nasceu pra ser um gigante.

Quem já é gigante e continua escondido do publico da televisão é a Stock Car. O trabalho do Carlos Col, agora capitaneado pelo Mauricio Slavieiro, continua sendo de primeiro mundo. Tudo realmente é muito bonito, muito organizado, muito incentivado, muito desejado por vários pilotos e equipes e ao mesmo tempo muito escondido na mídia. É realmente de chorar o tratamento que a emissora que detém os direitos de exibição faz com todos envolvidos nessa categoria. Por mais que se diga que o espaço é o mesmo que se tinha no ano passado, pela provável citação da categoria numa novela, o peso dos patrocinadores e dos pilotos que disputam o campeonato faz a balança pender apenas para um lado. Não existe equilíbrio na cobertura, pois para a emissora é mais um evento não “O” evento, e convenhamos assistir corrida estilo cobertura de jogos olímpicos não é nada legal. Mas quem não esta nem aí pra isso é o trio EUROFARMA-MEINHA-MAX WILSON que, transmissão de qualquer jeito a parte, motores com problemas e pneus com pouca duração, levaram a primeira etapa.

Bem mesmo faz a Fórmula 1, que obriga aos donos dos direitos a exibirem no mínimo 10 minutos antes da largada até o final da guerra do champanhe. O resultado é que cada vez mais e mais dinheiro entra nos bolsos dos dirigentes e organizadores e a audiência aumenta no mundo todo.

Aliás, eu deixei propositalmente para o final para falar da F1.

Os brados aos ventos de que essa seria uma nova categoria, com mais disputas, ultrapassagens, competição, enfim, um retorno ao saudoso passado das brigas e disputas, privilegiando a vitória e os vencedores, parece não estar dando muito certo ainda. Tirando as ultrapassagens em carros mais lentos, poucas são as brigas.

Desde os tempos do nosso querido Emerson Fittipaldi, que nos mostrou que é melhor manter a média do que se arriscar sem grandes necessidades, a tal nova Fórmula 1 mostra exatamente isso: quem arrisca geralmente se estrepa.

O melhor carro disparado, e sem trocadilho, é o Red Bull/Renault da dupla Weber/Vettel. É um leão de treino e um guepardo na corrida, mas que na famosa média esta em terceiro no campeonato, com piloto e equipe.
Felipe Massa e a Ferrari que não tem nada com isso lideram o campeonato depois de três etapas. O brasileiro por sinal anda ofuscando o brilho do espanhol Alonso na equipe nesse inicio de campeonato, isso é perfeito, pois evitar que ele chegue chegando é muito importante e as garrafas vazias serão vendidas lá na frente.

Os outros estão numa briga pra lá de feroz. A McLaren arrumou pra cabeça com dois campeões do mundo na mesma equipe, a Mercedes de Schumacher aumenta o valor de mercado do até então coadjuvante Niko Rosberg.

Na turma do “come quieto” estão a Renault do narigudo Kubica e a Force Índia do Adrian Sutil, pois continuam dando trabalho e podem evoluir muito quando começar a fase européia.

A nota triste nesse começo de campeonato é o Rubens Barrichello que, segundo ele mesmo, tem uma porcaria de carro e os dois meninos Bruno Senna e Lucas di Grassi que finalmente conseguiram terminar uma corrida, mas na verdade não tem carro. Os “bólidos” são quase de outra categoria, muito abaixo de ser uma Fórmula 1, é digamos uma GP2 melhorada.

Eu volto depois do GP da China, daqui a duas semanas.

Beijos e queijos!

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