F-1: Uma volta em Cingapura com Luiz Razia

24 de setembro de 2010

O circuito de rua de Marina Bay é o palco da ação deste fim de semana da F-1, o GP de Cingapura. Com sua primeira edição realizada em 2008, a corrida fez história ao ser o local da primeira _e, por enquanto, única_ corrida noturna da categoria: geralmente acostumados a andar no início da tarde, os pilotos correm em uma pista iluminada artificialmente, com as luzes dos luxuosos prédios da região e a lua servindo como cenário.
Com 5.073 metros, o traçado possui nada menos que 23 curvas, muitas delas em 90º, como costumam ser os circuitos de rua. Confira uma volta detalhada nas palavras de Luiz Razia, piloto de testes da equipe Virgin e único brasileiro na GP2, principal divisão de acesso à F-1:

“Cingapura é uma pista de rua estonteante. A corrida é noturna e é muito difícil conseguir uma volta perfeita, por causa do grande número de curvas bruscas para a direita e a esquerda.

Vamos à volta: com a melhor saída possível da curva 23 para conseguirmos velocidade plena na reta dos boxes, começamos a volta com uma sequência de três curvas muito próximas. O segredo é usar bastante as zebras neste setor e sair bem delas, para conseguirmos construir uma boa velocidade na curva 4.

A curva 5 não é segredo e não necessita uma freada forte: apenas o suficiente para o contorno perfeito e subida até a sétima marcha com destino à curva 7. É tudo ‘flat’, com o pé embaixo, e é importante ficar esperto nas luzes do câmbio, para não perdermos nenhum giro.

Em seguida, uma grande freada para a curva 7, que possui uma área de escape decente em caso de uma frenagem tardia! Ela é feita em terceira marcha, com aceleração total na saída para as curvas 8 e 9, muito similares. Só que, na 9, a saída é muito importante, para ter a certeza de que é possível acelerar cedo e se concentrar nas luzes do câmbio até atingirmos a 7ª marcha, a 260 km/h.

A curva 10 possui uma freada realmente difícil, pois você freia e gira o volante ao mesmo tempo na chicane tripla onde Kimi Raikkonen bateu em 2008 _muitos pilotos tocaram o muro na saída dessa sequência. Manter a calma é realmente importante nesta parte da pista.

Curva 10 concluída, agora é acelerar até a quinta marcha e encarar um “S”, que compreende as curvas 11 e 12. São muito complicadas, já que você tenta manter a velocidade alta e chega muito perto do muro, se aproximando para a curva 13, que é similar à 9, pois precisamos de uma boa saída. É fácil ver as rodas girarem em falso nesta parte da pista, já que todos buscam uma boa tração e uma boa saída.

A curva 14 é, novamente, uma grande freada. Contorná-la de maneira limpa e suave é o segredo, “construíndo” a velocidade até a sexta marcha, quando você se aproxima da curva 15, na qual é muito difícil frear, já que você breca e gira o volante ao mesmo tempo; essa curva, junto com as 11, 12, e as seguintes, 16 e 17, são combinações similares em forma de “S”.

Na curva 18, gosto da freada e da entrada da pequena ponte; é muito legal à noite. A saída desta curva é a preparação para a 19, que é muito rápida para a quantidade de grip que existe lá. A saída da curva 19 é muito traiçoeira, muito próxima ao muro enquanto nos encaminhamos para as curvas 20 e 21, uma nova combinação em “S”. Precisamos ter a certeza de que a saída da curva 21 é muito boa e rápida, próxima ao muro.

E, em seguida, temos as duas últimas curvas, 22 e 23, que nos levam à reta de chegada. Essa sequência é realmente muito rápida e, em muitas oportunidades, os pilotos passam pela área de escape, testando os limites da pista.

É uma pista muito boa e divertida com as luzes acesas. Esta é Cingapura, uma volta fantástica. Para mais dicas e conselhos da pista, me siga no twitter: @luizrazia.”