F-1: Conheça mais sobre o palco do GP da Coreia

19 de outubro de 2010

Principal campeonato do automobilismo mundial e um dos mais tradicionais do esporte, a Fórmula 1 desbrava mais um novo território neste fim de semana. Depois de conhecer locais como Abu Dhabi, Valência, Cingapura, Bahrein e China na última decada, a categoria visita o 41º país diferente em 60 anos de história: a Coreia. Conhecida oficialmente como Coreia do Sul, o país é uma das civilizações mais antigas do mundo. Em 1945, se separou da Coreia do Norte e viveu décadas envolta em conflitos bélicos e governos autoritários até a adoção da democracia. Hoje, é a 13ª maior economia do mundo e lidera globalmente a produção de aparelhos eletrônicos e a industria de construção naval. Grandes empresas como Hyundai, LG e Samsung têm sede no país.

O esporte serviu para unir as duas Coreias em 2002, quando aconteceu a Copa do Mundo em conjunto com o Japão, mas as relações entre ambas as nações se deterioraram anos depois por disputas internas. No meio de toda essa história conturbada, nasce o circuito de Yeongam, localizado a 400 km da capital Seul, projetado por Hermann Tilke e preparado às pressas para receber os carros mais desejados do planeta.

Com um traçado de 5.621 metros, construído no Korean Auto Valley, a pista possui 18 curvas e três longas retas. Por enquanto, apenas um piloto de F-1 andou lá, durante uma demonstração, e o autódromo só preocupa na infraestrutura, que deve deixar a desejar neste ano. Para os pilotos, o local é conhecido por meio do simulador, e Luiz Razia, piloto de testes da Virgin, conta como o palco do GP da Coreia influenciará no comportamento do carro e descreve uma volta no circuito:

Aerodinâmica
“A pista provavelmente estará muito ruim. Por ser nova, não tem nenhum ‘grip’ [aderência], então provavelmente os carros irão com o maximo de downforce, pois a segunda parte da pista é muito exigente. Aerodinamicamente falando, é possivel ganhar bastante tempo nas quatro, cinco longas retas que o circuito oferece. Mas, em comparação com as tantas curvas no segundo setor, vai ser difícil achar um equilíbrio”

Motor
“Dos motores que restam as pessoas usarão o do Japão para essa corrida e acredito que poucos usaram novos _isso se ainda existe alguma equipe que tem motores novos para as corridas do Brasil e de Abu Dhabi, que são pistas mais exigentes no desenvolvimento de giros”

Estrategia
“É bastante dificil de adivinhar como sera o asfalto da pista, mas, pelas analises que tivemos no simulador, não sera uma pista que consome muito os pneus. Desta forma, como normal espero uma parada, com as equipes grandes iniciando com compostos moles e passando para os duros”

Pneus
“Nada de especial para os pneus, já que serão os mesmos que todos ja testaram e testaram. Cabem a todos entenderem como funcionarão os pneus com a baixa aderência da pista.”

Freios
A energia de freio usada na Coreia é parecida com Barcelona, então as equipes não terao grandes problemas com isso. Elas escolherão provavelmente os menores dutos de ar para os freios, para ganhar tempo nas retas.”

Acompanhe uma volta na pista coreana com Luiz Razia

“Vamos para uma volta lançada: a primeira curva é muito lenta e fácil de perder o controle do carro e ir para a grama. Com calma, o importante é frear o mais tarde possível e buscar a potência na saída para a curva 2 rapidamente. Após uma reta bem longa, chegamos na curva 3, que também é de velocidade muito baixa. Por isso, o importante é se concentrar na frenagem e no torque. Provavelmente veremos carros como McLaren, Ferrari e Renault bem velozes no primeiro setor, por conta das retas longas.

No caminho para a curva 4, alcançamos a sétima marcha. É uma curva lenta para a esquerda, mas é muito importante para se preparar visando as curvas 5 e 6, uma sequência muito importante para manter o ritmo e não perder tempo, uma vez que é muito fácil isso acontecer nas partes mais lentas do circuito, pois você passa mais tempo nelas do que nos setores velozes.

Agora, iniciamos o melhor setor do circuito: as curvas 7 e 8 são como um grande “S” de pé embaixo, seguidas pelas curvas 9 e 10. A curva 9 nós fazemos em quinta marcha, com velocidade mínima de 200 km/h, seguida por uma área de frenagem traiçoeira para a curva 10, já que você precisa cortar para a esquerda, de olho na melhor linha para esta curva, feita em terceira marcha.

Chegando perto das curvas 11 e 12, é preciso o foco em uma linha suave, sem excessos, ou você estará em uma posição muito ruim para a curva 12. São setores muito rápidos, mas bem difíceis, uma vez que você quer carregar uma boa velocidade na 11, mas a 12 é apenas poucos metros depois. Já a 13 é praticamente ‘flat’, em quinta marcha, levando para o setor final.

A sequência de curvas 14, 15 e 16 são de média velocidade, e é preciso um ótimo ritmo aqui. A última dica é: quando você está na tomada para a curva 15, é crucial se preocupar com a saída de curva, pois, a partir de então, é aceleração plena até a linha de chegada. Será interessante ver como a pista evoluirá no fim de semana, já que, todos sabem, terminaram o circuito dez dias atrás.”

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