Stock Car: etapa de Santa Cruz do Sul termina em confusão

25 de outubro de 2010

A 10ª etapa da Stock Car, segunda dos playoffs decisivos da temporada 2010, estabeleceu um novo e elevado padrão de trapalhadas no já habitualmente conturbado automobilismo brasileiro. O bom público que tomou as arquibancadas do Autódromo Internacional de Santa Cruz neste domingo assistiu a um resultado final na pista que não correspondeu aos personagens que tomaram o pódio. Por causa de uma confusão a respeito do início da janela para reabastecimento e troca de pneus, 12 pilotos – inclusive os três primeiros na chegada, a trinca paranaense formada pelos gêmeos Ricardo e Rodrigo Sperafico e Júlio Campos – foram punidos com uma passagem pelos boxes que a maioria ignorou solenemente. Com isso, Allam Khodair herdou a vitória e recebeu o prêmio escoltado por Valdeno Brito e Ricardo Maurício, o novo líder extra-oficial.

Foi um domingo cheio para quem gosta de corrida movimentada. Ainda a caminho do grid, Ricardo Sperafico ficou sem a roda traseira direita e voltou se arrastando para a garagem da equipe, onde a troca foi realizada a tempo de colocá-lo de volta à corrida. Depois de uma largada tranqüila, na qual o pole Max Wilson e os irmãos Popó e Cacá Bueno conservaram as posições logo atrás, Cacá rodou e causou a neutralização da prova por causa de um pneu furado. Na relargada, a bandeira verde não durou duas voltas e o safety car foi novamente chamado por causa do abandono de Antonio Jorge Neto em um ponto perigoso da pista.

A confusão, então, recrudesceu. Pelo regulamento, o horário para pit stop estava aberto, mas o regulamento prevê que os carros não podem entrar nos boxes enquanto o safety car estiver na pista. Os chefes de equipe, no entanto, ficaram confusos com a informação do locutor oficial de que o reabastecimento e troca de pneus estavam autorizados. Além disso, alguns dirigentes alegam que a placa correspondente à liberação dos boxes foi exibida, bem como o sinal verde característico mostrado nos monitores de tevê. Mais de uma dezena optou pela parada, enquanto a maioria se manteve no circuito.

A incerteza sobre o quadro real da prova acabou atingindo até a equipe do então líder da corrida e do campeonato, Max Wilson. Ele entrou nos boxes com a prova transcorrendo normalmente e já perderia a posição, mas ainda acabou com a situação complicada ao voltar para a pista com a garrafa de combustível presa ao bocal do tanque. Popó Bueno tomou a ponta, mas também seria prejudicado com a demora para a troca do pneu dianteiro direito. Nas últimas voltas, depois de comandar a corrida por algum tempo, Daniel Serra parou com a quebra do motor. Foi a vez de Khodair ultrapassá-lo e alcançar a sua segunda vitória na temporada, embora ao receber a bandeirada as comemorações estourassem simultaneamente em várias equipes espalhadas pelo paddock. Os Sperafico e Campos até se encaminharam para o pódio, antes que a organização anunciasse ao público que o resultado era outro.

Khodair, claro, procurou cuidar de seus interesses. “Bagunça é mais para quem está de fora, porque lógico que os caras que chegaram à frente não poderiam ter vencido. Eles pararam no momento apropriado, mas senti que poderia vencer quando veio o safety car. Relarguei com um ritmo muito bom de corrida depois da troca dos pneus traseiros e na metade da corrida sabia que tinha chances de vencer”, analisou. Sobre as duas etapas finais, em Brasília e Curitiba, descarta qualquer pressão. “Vou sem responsabilidade nenhuma, são duas pistas que talvez sejam as minhas prediletas no campeonato. A gente tem uma desvantagem no campeonato para os dois primeiros, que correm por uma equipe supercompetente, mas vou sem responsabilidade nenhuma para o tudo ou nada. E agora, vivo na disputa, acho que a gente tem chance e vou brigar por esse título.”

Confusões à parte, a corrida ainda reservou momentos de emoção para os torcedores, com inúmeras disputas nos blocos intermediários e alguns choques sem maiores conseqüências. E também de provas de recuperação como a protagonizada por Xandinho Negrão, que saiu do 20º no grid para o 7º na bandeirada. “Na verdade, acho que as punições foram justas, porque todos conhecem a regra. Estranhei quando percebi que um bando entrou nos boxes naquele momento e perguntei à equipe pelo rádio o que estava acontecendo. Tudo o que aconteceu me beneficiou, mas também perdi posições por causa das confusões”, comentou.