Cesar Ramos em entrevista exclusiva

27 de novembro de 2010

Campeão Italiano de Fórmula três  e piloto licenciado a guiar um Fórmula Um, Cesar Ramos  fala sobre a conquista inédita de um brasileiro na Itália em  entrevista exclusiva ao site Carros e Corridas.

Além de Fórmula três, nesse bate-papo com o jornalista Robério Lessa, Ramos  fala sobre os testes com um Fórmula Um,  e os testes que fará com uma Ferrari  em Dezembro.

Acompanhe a entrevista.

Carros & Corridas – Ser campeão de uma competição das mais disputadas do automobilismo mundial representa o quê para você?


Cesar Ramos – É um título muito importante e que está abrindo muitas portas na minha carreira. O título italiano na F-3 me dá o direito de receber a licença “A”, que é exigida pela FIA para guiar um F-1. Estou bem preparado para subir de categoria, e esta é uma fase de decisão para o ano de 2011. A escolha da categoria certa é fundamental.  Sei que para chegar à F-1 é preciso continuar essa fase de sucesso. Quero continuar vencendo corridas e lutando por títulos!

C & C – Qual foi a maior dificuldade encontrada nesta temporada vitoriosa?

C R – Mesmo que eu tenha conquistado o título, tive alguns momentos difíceis durante o ano. Acredito que as duas últimas etapas do campeonato tenham sido as mais tensas. Em Mugello, a comissão técnica decidiu trocar o meu motor antes da classificação e, com isso, acabei perdendo rendimento e não larguei nem entre os 10 primeiros. Foi difícil aceitar, mas recuperei até a quarta posição em ambas as provas. Em Monza, após fazer a pole e ter a chance de vencer o campeonato já no sábado, fui tocado na primeira volta e terminei em oitavo. Ou seja, a decisão do título foi adiada para a última prova do campeonato no domingo. No fim venci a prova mesmo largando de oitavo (grid invertido da classificação) e conquistei o título. Hoje acredito que por eu ter superado essas dificuldades eu seja um piloto mais completo.

C & C – Que ensinamentos você teve com esta temporada na Itália?

C R – Nessa temporada, que era critica para o prosseguimento da minha carreira, eu sabia que tinha de usar toda a minha experiência dos 4 anos de Europa. Aprendi que quando não se pode vencer a prova é muito importante terminar na posição que se consegue. Poucos pontos podem fazer a diferença no fim. Porém, quando se tem a chance de vencer, você não pode desperdiçar. Foi isso que fiz neste ano. Aprendi também a não me prender aos resultados obtidos em

provas anteriores, e sim sempre focar na próxima. Assim eu sempre chegava muito motivado para todos os finais de semana.

C & C – O que é testar uma Ferrari para um piloto jovem como você?  O que você espera deste teste?

C R – É a realização de um sonho. Lembro que quando comecei no kart eu sonhava com esse dia, porém não sabia se teria ou não a chance de realizá-lo. Me considero sortudo por ter essa chance, ainda mais testando com uma Ferrari. Espero fazer um bom trabalho, aproveitar ao máximo cada volta realizada, e andar o mais rápido possível. Tenho certeza que vou sair de Vallelunga com um sorriso enorme no rosto!

C & C – Depois da F-3 Italiana qual o próximo passo?

C R – Não está nada decidido. Meu foco no momento é o teste de F-1, que pode abrir portas no futuro. Mas nos planos para 2011 está a World Series 3.5. Realizei alguns testes com diversas equipes e obtive ótimos resultados.

C & C – Com essa experiência Internacional você acha que o que aprendeu no Brasil te ajudou lá fora? Como você avalia o nível do automobilismo brasileiro?

C R – Corri apenas de kart no Brasil. Fiz toda minha carreira de monoposto na Europa. Mas acredito que minha base no kart brasileiro tenha sido muito boa. O automobilismo brasileiro está crescendo. Temos categorias muito respeitadas, como a Stock Car. Nas categorias de base, o Kart está sendo inovado e tem tudo para voltar a ser de altíssimo nível. Faltava uma categoria escola de monoposto, a Formula Futuro chegou em boa hora e deve crescer bastante.

Fotos: Divulgação.

Agradecimento: Fernanda Gonçalves.

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