Dakar Amarok Logbuch 13

6 de janeiro de 2011

Por:  Carlos Lua, direto de Calama (Chile).

A Cordilheira dos Andes é uma espécie de espinha dorsal da América do Sul, um lugar único onde terra e céu dividem fraternalmente o espaço que existe, um lugar que fascina milhões. Hoje, quarta-feira, dia 5 de janeiro de 2011, o deserto do Atacama, palco maior do Dakar que se desenrola das alturas dos Andes, serviu para que Carlos Sainz vencesse pela terceira vez (em quatro etapas disputadas) neste Dakar 2011. Foi a sua 20ª vitória em especiais no Dakar, sempre a bordo de um Race Touareg VW, carro que já venceu 125 especiais.

“El Cóndor pasa”

Todos esperavam uma etapa muito difícil, que começou às 6 da manhã com largada em San Salvador de Jujuy, Argentina, para 554km de deslocamento, mais 207 de especial e que teve como aperitivo a travessia dos Andes a 4.836 metros de altitude. Logo depois, já em território chileno, a primeira etapa onde navegação e deserto começaram a mostrar os seus lados traiçoeiros, muitos WPE (Way Points Escondidos), muitas opções de percursos a escolher e, principalmente, a capacidade de decidir com rapidez e tomar a decisão certa. Mas Sainz no final confessou, “Hoje seria ótimo que alguém tivesse sido mais rápido do que eu, amanhã temos uma especial muito difícil e seria melhor não ter que servir de abre-alas”. Essa declaração feita com enorme sinceridade, não impedia porém que, pelo terceiro dia consecutivo, sorvete fosse fartamente distribuído para engenheiros, mecânicos e convidados no Bivaque da VW. Uma tradição que já faz parte das histórias do Dakar onde ‘El Matador’ Carlos Sainz é também um pouco, agora, ‘El Cóndor’, em homenagem ao pássaro que é o guardião místico dos Andes.

Race Touaregs em 1º, 2º, 4º lugares e já em 10º
Com mais essa conquista, a dupla Sainz/Cruz no Race Touareg 3 300, têm agora 4min 24seg de vantagem sobre seus companheiros de equipe Al-Attyiah/Gotttchalk, no Race Touareg 302, e 5min 41seg de vantagem sobre o BMW X3 301, de Pettrehansel/Cottret. Os Race Touareg 3 de De Villiers/Von Zitzewitz e Miller/Pitchford (ótima recuperação) ficaram em 4º e 5º lugares respectivamente e seguem em 4º e 10º na geral.

E lá vai o Brasil
Spinelli/Haddad (Mitsubishi) vão mantendo muito bem o 8º lugar na geral e Koerich/Cavassin (Mitsubishi) tiveram alguns problemas hoje e caíram para 28º na geral. Entre as motos Zé Hélio (BMW) vai firme em 8º na geral, Jean Azevedo (KTM) ficou em 17º lugar geral, e Vicente De Benedictis em 88º depois de um dia difícil. André Azevedo, entre os caminhões fez o 6º tempo e manteve a mesma colocação na geral.

Amarok a mais de 4.000m de altura
Hoje foi dia da Amarok dividir o percurso de 600km, não cronometrados, com os competidores do Dakar e enfrentar os mesmos desafios do ar rarefeito e das subidas e descidas longas, íngremes e às vezes traiçoeiras. Um palco sob medida para mostrar a qualidade do motor TDI da Volkswagen e o equilíbrio do conjunto de freio, câmbio e suspensão. Basta perguntar para qualquer um dos carros que foram ultrapassados ou para qualquer um dos espectadores que, assim como lá na Argentina, aqui no Chile recebeu as Amarok de braços abertos como quem espera um velho, querido e respeitável amigo.

Fonte: Textobras – Zarhi El Malek.  Fotos: Divulgação.

A coluna é redigida por Carlos Cintra Mauro, o Lua. Um dos mais respeitados jornalistas da área automotiva e eutomobilística,  iniciou  sua carreira na mídia pela publicidade. Engenheiro mecânico e apaixonado por automóveis, teve passagem pelo rádio (Jovem Pan), pela  Sport Tv onde editou o programa Linha de Chegada e hoje integra a equipe da Race TV (www.racetv.com.br).