Entrevista – Elias Leite

11 de janeiro de 2011

O ano de 2011 mal começou e já tem piloto focado na luta por mais um título do kart cearense. Estamos falando de Elias Leite, que em quatro anos de carreira se tornou um dos mais assíduos freqüentadores do pódio no kartódromo Júlio Ventura, na cidade do Eusébio –CE.

Elias iniciou sua carreira no kart em 2006, no final da temporada. Em 2007,  ficou com o  vice-campeonato,  sendo aclamado o piloto revelação da categoria 400 cilindradas. Em 2008 terminou novamente na segunda colocação, separado apenas por um ponto do campeão também na 400 cc.

Mais experiente e determinado a conquistar o posto de número um na categoria Super 400cc, Elias conquistou o título de campeão, fato que repetiu em 2010.

Nosso encontro com o piloto aconteceu no último sábado de 2010, no kartódromo, durante treinos livres. Elia estava na companhia de outros pilotos e encontrou um tempo na agenda do também médico que comanda a clínica Otorhinos, em Fortaleza, para responder as perguntas dessa entrevista que você acompanha agora.

Carros e Corridas – Como um médico entrou para esse mundo corrido das competições?

Elias Leite – A vida de médico é muito corrida e cheia de responsabilidades, o que, em geral, deixa o profissional preso naquele mundo da Medicina, alheio a outros desafios da vida. Sempre gostei de esportes de competição e sempre achei que deveria ter uma vida fora da profissão, que me permitisse conhecer outras pessoas, fazer novas amizades e colocar para fora toda a  “adrenalina” acumulada pelo estresse do dia a dia. Em relação ao kart, tudo começou quando um grande amigo (Renato Nobre) me convidou para uma bateria em karts de aluguel. Isso foi no final de 2005. A partir de então, passamos a freqüentar assiduamente essas baterias, durante todo o ano de 2006 até que, no final desse mesmo ano, decidi comprar meu próprio kart, já que estava cada vez mais empolgado com o esporte. Tive então que decidir entre um motor de 8 hp e um de 13 hp, que eram as duas categorias disponíveis para adultos naquele momento. Decidi, então, comprar um motor mais potente, pois sabia que naquela categoria encontravam-se os melhores e mais experientes pilotos e, competindo com eles, teria muito mais a aprender e um desafio muito maior a vencer, o que me estimulava muito. Comecei a treinar semanalmente, com muita dedicação, e passei a competir no campeonato cearense daquele mesmo ano.

C e C – O que de fato o motivou a pilotar Kart?

EL – O fato de ser um esporte onde há uma competição acirrada, associado à velocidade que, para mim, é muito excitante e estimulante.

C e C – Alguém de sua família tentou convencer você a não competir no automobilismo?

EL – Há um conceito geral de que automobilismo é um esporte de muito risco. Além disso, não é muito comum ter alguém da família competindo em um esporte de velocidade, diferentemente de futebol ou atletismo, por exemplo. No início, notei uma certa preocupação, principalmente dos pais e da minha esposa, mas sempre contei com o apoio e torcida de todos eles.

C e C – No kart você conquistou vários títulos. Que recordação você traz de cada um deles? Tem algum mais especial que outro?

EL – Tive a sorte de sempre competir na categoria mais graduada e veloz do kartismo cearense. Terminei agora o quarto ano de competição. Nos dois primeiros fui vice-campeão e nos dois últimos, campeão. Cada um teve um sabor diferente. Em 2007, por ser o primeiro ano, fiquei muito feliz com o vice-campeonato e com as vitórias em duas etapas. Foi realmente uma sensação de vitória. Pela primeira e única vez na minha vida, fiquei feliz com um segundo lugar, pois aquilo para mim, naquele momento, parecia muito improvável. Já em 2008, cheguei a fazer mais pontos no geral mas, com o descarte dos dois piores resultados, perdi o campeonato por um ponto. Esse foi, sem dúvida, o pior e mais frustrante momento de todos. Em 2009 foi criada uma nova e mais veloz categoria: a Super-400, com motores de aproximadamente 25 hp. Nesse ano, ganhei 4 das 8 etapas e fui campeão com uma etapa de antecedência. Já em 2010, tive 3 vitórias e o título só veio na última etapa, após uma disputa muito acirrada, porém muito gratificante.

C e C – Alguma vez você teve medo em competir ou essa palavra tem que ser retirada do vocabulário de um piloto?

EL –  Falando por mim, o medo não é algo muito presente no nosso dia-a-dia de competição, o que não deve jamais ser confundido com prudência. Porém, já tive sensação de medo, sim, mas nunca dentro da pista e sim em um ou dois momentos antes de uma corrida. No entanto, acho que o medo deve ser respeitado, porém combatido. Foi isso que eu fiz.

C e C – No automobilismo, assim como em outro esporte competitivo, pode haver algum desentendimento. Você acha que é possível competir sem criar inimizades?

EL – Acho que a vida, de uma forma geral, deve ser vivida buscando-se evitar as inimizades, e o automobilismo nãodeve ser diferente. Devemos diferenciar, de forma bem clara, rivalidade de inimizade. Dentro da pista, a rivalidade é muito intensa e se não fosse assim, não seria uma competição excitante como o é. No entanto, fora dela, temos a oportunidade de fazer amizades fantásticas e engrandecedoras.  Se não houver amizade, que haja o respeito.

C e C – Que análise você faz do  Kart e do automobilismo Cearense nos dias de hoje?

EL – O kartismo cearense, como muitas coisas da vida, tem ciclos de altos e baixos. Atualmente, está se tentando fazer uma unificação de categorias, com a junção de todos os pilotos adultos na categoria 400 cc, divididos em níveis A e B. Isso levará a um grid com muito mais carros e muito mais bonito de se ver. No entanto, vejo a necessidade de melhorias em alguns pontos, como a qualidade do nosso asfalto, que está muito desgastado, levando a um consumo muito alto de pneus; a manutenção na categoria unificada de um pool para motores, que serão lacrados e sorteados na véspera de cada corrida; a criação de uma associação de pilotos, que passe a participar da formulação das regras e das decisões mais importantes e uma busca por menos custos, principalmente nos preço dos pneus e nas inscrições para as etapas do campeonato cearense. Atualmente, não há incentivo algum, por parte de ninguém, para o kart do Ceará. Em relação ao automobilismo cearense, acho que uma reforma do autódromo é algo fundamental para termos o crescimento de todas as categorias e a vinda de disputas nacionais, com a Stock Car, além da volta da Fórmula Truck.

C e C – O que falta ao automobilismo cearense?

EL –  Falta, na minha opinião, uma busca por custos mais acessíveis, com maiores estímulos a categorias iniciantes, como, por exemplo, cursos de pilotagem, além da reforma e ampliação do autódromo.

C e C – Você pensa em deixar o Kart algum dia?

EL – Enquanto o kart for, para mim, fonte de alegria e de renovação de energias, não penso em deixá-lo. Não é só a competição que estimula, mas também o lazer dos finais de semana e o reencontro com os amigos. Isso me faz muito bem.

C e C – Passa pela sua cabeça pilotar em outras categorias?

EL – Acho que todo piloto de kart pensa em pilotar um carro maior um dia. Comigo não é diferente. No entanto, não tenho isso como uma meta a ser cumprida num prazo determinado. Prefiro deixar acontecer naturalmente. O Fórmula V ou o Super Turismo seriam boas opções para mim. Tive a grata oportunidade de testá-los, são dois carros, fantásticos, seguros e rápidos. Têm estilos diferentes em tudo, mas se assemelham na emoção de guiá-los.

C e C – Qual seria o maior sonho do piloto Elias Leite ?

EL – Como piloto, meu sonho seria disputar e ganhar o Campeonato Brasileiro de Kart.

C e C – E da Pessoa, do Homem Elias Leite?

EL -Como pessoa, meu sonho é terminar a vida com a sensação de que contribuí para um mundo socialmente mais justo e menos violento.

Fotos:Divulgação.

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