Brasileiros deixam o Peru neste domingo e chegam ao Brasil

23 de janeiro de 2011

O Rally Interoceanica Peru-Brasil entra em território brasileiro neste domingo (23) quando o evento histórico chega a Rio Branco, no Acre, mais precisamente na Praça das Armas, no Parque do Cerrado. A terceira e última etapa da prova deixou a cidade peruana de Puerto Maldonado por volta das 5h30 da manhã, para completar o percurso de cerca de 2 mil quilômetros, disputados ao longo de oito trechos cronometrados em piso de asfalto e muita adrenalina.

É unânime entre as duplas brasileiras que o Rally Interoceanica marcará a carreira desportiva de cada um, seja pelo nível técnico da prova diante da geografia variada, mas principalmente pela comoção popular com esse esporte entre os peruanos, presentes ao longo de quase toda a da Rodovia Interoceanica do Sul (IIRSA), que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico. A chegada a Puerto Maldonado no último sábado (22), destino final da Etapa 2, foi cenário de mais uma recepção calorosa, após os competidores percorrerem dois trechos cronometrados: a primeira Especial de 258 quilômetros e segunda, de 160 quilômetros.

No segundo dia de disputa, que largou em Cuzco, as três duplas andaram forte, driblaram as dificuldades do piso molhado, devido ao tempo chuvoso que atingiu parte das Especiais, mas todos completaram a etapa, satisfeitos com o desempenho. Luiz/Cris Facco (Subaru STI) fecharam o dia em 3h27m51s e mantiveram a segunda colocação na categoria N4 Light. Na TS, Tony Kranzegger/Nilo de Paula (Toyota Zela 2.0) também chegaram entre os ponteiros na categoria) com 3h41m56s, enquanto Junior Siqueira/Felipe Costa (Toyota Auris) finalizaram em 3h45m30s. O resultado oficial acumulado por categoria só será divulgado hoje (23) ao final do dia.

Facco e Cris fazem uma disputa bem competitiva com o atual Campeão Peruano de Rali, Tito Serrudo, que faz dupla com Mauricio Diez-Canseco. “Andamos muito forte mesmo e o Tito largou atrás de mim, mas quando parei para abastecer, ele nos passou. O carro não está preparado para uma prova como essa e tive de sair com o tanque mais cheio e depois abastecer novamente e levamos mais tempo. Na segunda, o ultrapassamos e fomos intercalando a ponta. Chegamos a passar na reta a 200km/h no meio das pessoas que assistiam. É impressionante a receptividade deste povo”, relata o piloto.

Mesmo com dificuldades para economizar freio, Kranzegger/Nilo se saíram bem. “Larguei um pouco apreensivo, mas fomos nos adaptando ao longo do percurso. Foi muito prazerosa, chegamos a 4.725m de altitude, passamos pelo pico onde tinha neve, cruzamos parte da Mata Amazônica e tivemos retas infinitas onde chegamos a mais de 200km/h e é muito gratificante ver como o povo daqui acompanha o rali de perto”, diz o piloto.

Sábado foi uma corrida de recuperação para Siqueira/Costa, devido a falta de freio que os impediu de completar a Etapa 1 e, puderam sentir a prova do início ao fim. “Andamos bem, tivemos problemas com o câmbio e o carro não retomava bem, mas ainda assim conseguimos um boa performance. Isto é muito diferente do que estamos acostumados, mas estamos adorando tudo isto”, elogia Siqueira, enquanto o navegador Costa reforça o coro: “Hoje (22) a prova foi muito legal, foi incrível. Nunca tinha andado tão rápido na minha visa, chegamos a 218km/h”.

Neste domingo, os competidores estão percorrendo três Especiais, duas delas já em solo brasileiro: P6 (Puerto Maldonado- Iñapari), P7 (Iñapari-Brasiléa) e P8 (Brasiléia-Rio Branco). O rali largou em Lima (20), teve dois dias de descanso, tem um total de 1.955,4 quilômetros, dos quais 1.809,7 de trechos cronometrados e 145,7 de deslocamentos. Mais informações no site da Federação de Automobilismo do Peru www.fepad.com.pe, responsável pela organização do rali em conjunto com o Governo peruano.