Depois do frio sueco, o calor mexicano

2 de março de 2011

Três semanas depois de dominar o pódio em sua estreia no Campeonato Mundial de Rally da FIA, nas pistas geladas da Suécia, o New Fiesta RS World Rally Car disputa o Rally do México, segunda etapa da temporada, de 3 a 6 de março, em condições completamente diferentes de clima e de terreno. Esse contraste mostra por que o Mundial de Rally é considerado a competição mais dura do automobilismo para veículos de produção.

O frio de quase 30ºC negativos da Suécia, onde o Ford Abu Dhabi Rally Team, time oficial da marca, conquistou o primeiro, segundo e terceiro lugares, ficou para trás. A previsão, agora, é enfrentar até 32ºC na cidade de León, a 400 km da Cidade do México, base da competição do próximo fim de semana. A alta dos termômetros traz novos desafios, tanto para os motores e transmissões como para os pilotos e copilotos, que terão de enfrentar muito calor dentro do cockpit.

As pistas relativamente planas, cobertas de gelo, serão substituídas por estradas de cascalho, muitas vezes ásperas e irregulares, que impõem um castigo adicional aos carros. Esta é a primeira de uma série de sete pistas “sujas” consecutivas e também a de maior altitude da temporada de 13 etapas. Seus caminhos vão a mais de 2.700 metros acima do nível mar, em serras cobertas de cactos.

A altitude tem seus próprios desafios. O ar rarefeito deixa os motores sem fôlego e a potência cai cerca de 20%. Para enfrentar essas condições, o Ford Abu Dhabi World Rally Team testou um New Fiesta RS por dois dias no Laboratório de Testes Ambientais do Centro Técnico da Ford em Dunton, no Reino Unido, reproduzindo as altitudes do local. Os mesmos níveis de potência foram simulados em testes em Portugal, na semana passada, para ajudar os pilotos a avaliar diferentes pontos de frenagem.

O piloto Mikko Hirvonen já correu cinco vezes no México, tendo como melhor resultado o terceiro lugar em 2007. Como líder do campeonato, o finlandês de 30 anos será o primeiro a largar. Mas está feliz em varrer o cascalho solto das pistas, abrindo caminho para os competidores de trás.  “Liderar o campeonato pode ter suas desvantagens e uma delas é sair na frente na primeira pista de cascalho do ano”, diz ele. “Meus rivais terão pista mais limpa, por isso o primeiro trecho será duro. Mas vou encontrar um meio de vencer novamente. Este é o terceiro Rally do México consecutivo em que largo nessa posição, por isso estou acostumado. Não subestimo as dificuldades, mas mesmo se tivesse essa opção, não trocaria minha vitória na Suécia por uma posição mais confortável no México.”

“Vencer na estreia foi perfeito para mim e para o time, mas isso não significa nada se não aproveitarmos essa vantagem no México”, continua. “Não é uma prova fácil porque a altitude afeta o rendimento dos carros. Não tive os melhores resultados aqui nos últimos anos, mas acredito que o novo carro nos dará uma chance maior de brigar pela vitória. O New Fiesta RS usa câmbio de seis velocidades e vai nos ajudar a tirar o máximo da potência disponível.”

Em seus quatro ralis no México, o piloto Jari-Matti Latvala teve como melhor resultado o terceiro lugar em 2008. “Este rali é escorregadio para os pilotos da frente, por causa das pedras soltas. Serei o terceiro a largar no primeiro dia, o que é razoável. Acredito que os carros de trás virão com força conforme a pista ficar mais limpa”, afirma o finlandês de 25 anos.

O Ford Abu Dhabi Rally Team vai testar no México, pela primeira vez, os pneus Michelin de competição em cascalho, com composto duro. Cada carro pode carregar dois estepes e não é permitido ressulcar os pneus.

A rota, de 1.031 km, inclui trechos nas ruas de Guanajuato, cidade tombada pela Unesco, com calçamento de pedra e tuneis iluminados em antigas minas, além de duas etapas no autódromo da cidade, que pela primeira vez serão disputadas no escuro.