Stock Car dá largada com coadjuvante de luxo em Curitiba

18 de março de 2011

A Stock Car abre neste domingo no Autódromo Internacional de Curitiba-Pinhais a 33ª temporada de uma história inaugurada em 1979. E com um saboroso toque internacional, já que a primeira rodada dupla do Mundial de Carros de Turismo foi incorporada à programação. É a sexta vez que o FIA WTCC vem à capital paranaense e pela quinta seguida dando a largada do campeonato.

O número de etapas da Stock Car permanece o mesmo (12), bem como o sistema de playoffs decisivos nas últimas quatro corridas. Duas novidades – uma perceptível aos olhos mais atentos – marcam a arrancada da categoria mais importante do automobilismo brasileiro. Depois de quatro anos utilizando a “bolha” inspirada no Peugeot 307, a montadora de origem francesa será representada pela carenagem do modelo 408, mais moderna e de visual bem mais agressivo. A Chevrolet, a outra fábrica presente à Stock Car, manterá a carroceria do Astra.

A nova “cara” do carro atende a uma estratégia mercadológica e de marketing da Peugeot. Embora a frente rebaixada sugira uma aerodinâmica mais refinada que a do seu antecessor, a mudança não deverá ser refletida no cronômetro. “Em séries de turismo, o que conta mesmo é a parte de baixo dos carros”, lembra Maurício Ferreira, diretor-técnico da Medley-Full Time Sports. “A reestilização do capô dianteiro e as lanternas traseiras redesenhadas são uma adequação ao modelo de rua”, continua. Ferreira colocou seus dois carros na frente do grid em 2010 no circuito misto de Pinhais. Marcos Gomes largou na pole ao lado do então companheiro Allam Khodair, que venceu a prova e neste ano foi substituído por Xandinho Negrão.

A outra alteração mais significativa no regulamento técnico é a volta dos pneus Goodyear utilizados em 2009. Os compostos mais duros que os usados no ano passado deverão exigir uma revisão das informações que serviram de base para o acerto das equipes em todos os circuitos. “O grande desafio dos engenheiros, independente da dureza do composto, é fazer com que os pneus trabalhem na faixa ideal de temperatura e não superaqueçam, de forma a aliar performance e durabilidade. Temos os dados de 2009, é claro, mas há uma enorme quantidade de variáveis que afetam essa busca, inclusive a temperatura do asfalto”, observa Ferreira.

No regulamento desportivo, a principal mudança está no formato dos treinos classificatórios. A pole passa a ser disputada em duas sessões, eliminando o polêmico sistema de superclassificação – o Q3 em que a média das três melhores voltas dos seis melhores do Q2 é que definia quem largava na frente. Agora, a primeira bateria, com 20 minutos de duração, decidirá as posições de 11º a 32º lugares. Em seguida, o Q2 com 10 minutos apontará a ordem das cinco primeiras filas do grid. “Esse é o verdadeiro espírito de um treino classificatório: leva a pole quem faz a volta mais rápida e não por essa estranha média das três voltas”, aplaude Marcos Gomes. A exceção serão os circuitos de rua de Ribeirão Preto e Salvador, onde os carros entrarão na pista para apenas duas voltas lançadas obedecendo à ordem decrescente da classificação do campeonato. Outra novidade do regulamento esportivo é a troca de punições que alteravam o resultado das provas por multa de R$ 100.000,00.

As grandes equipes mantiveram os pilotos. Na RC, o atual campeão Max Wilson segue ao lado de Ricardo Maurício, enquanto Cacá Bueno e Daniel Serra permanecem na A. Mattheis. As duas maiores forças da categoria vêm monopolizando o título desde 2004, apoiadas por poderosos esquemas de patrocínio. “Nosso segredo é a especialização. Investimos muito na formação de profissionais das diversas áreas da equipe”, justifica Andreas Mattheis, campeão em 2005 com Giuliano Losacco, em 2008 com Ricardo Maurício e em 2009 com Cacá Bueno. A quebra dessa lógica é a meta de Maurício Ferreira, que passa a contar com a retaguarda da Medley, empresa líder do mercado de medicamentos genéricos no Brasil e que no final de 2010 anunciou o fim da parceria de 12 anos com a A. Mattheis. “Estamos criando as condições para brigar com elas de igual para igual”, avisa Ferreira.

O FIA WTCC será um coadjuvante de luxo para as estrelas da Stock Car e terá um único brasileiro no grid. Com a saída do time oficial da BMW, o paranaense Augusto Farfus está sendo preparado para o retorno da fábrica ao Campeonato Alemão de Turismo – DTM – em 2012. Cacá Bueno, que já havia corrido a etapa de Brands Hatch (Inglaterra) em 2010, volta a acelerar o Chevrolet Cruze apenas na perna de Curitiba. O descompasso de performance entre as duas séries é flagrante: com a pole de 1min23s725 na última visita ao Brasil, o francês Yvan Muller largaria na última posição da Stock Car com tempo quase dois segundos pior que a marca mais lenta do Q1 de Pinhais em 2010, registrada por Christian Fittipaldi. A introdução de novo motor 1.6 turbo com potência ampliada de 280 para 320 cavalos deverá reduzir levemente essa diferença.

Fotos:Miguel Costa Jr.