O arranjo produtivo do automobilismo cearense

24 de maio de 2011

Em sua coluna, o jornalista Robério Lessa escreve sobre o atual momento do automobilismo cearense.

Olá, amigos do Carros e Corridas!

Dia de corrida é uma agitação dentro e fora das pistas. Para muita gente que vai acompanhar nos autódromos e kartódromos espalhados pelo mundo o espetáculo acaba com a cerimônia de premiação. O estourar do champanhe sinaliza que é hora de voltar para casa e retornar à rotina diária deixando para trás uma gama de profissionais que dependem direta e indiretamente das corridas.

No entorno dos autódromos é comum a existência de um número de trabalhadores ligados à atividade do esporte motor. Na economia o termo arranjo produtivo* se aplica bem ao que encontramos nas localidades sede dos circuitos de corrida. Vários são os profissionais que dependem da atividade esportiva para sustentar sua família.

No último sábado (21), uma centena de profissionais estampava o sorriso no rosto independente do resultado na pista do piloto para quem trabalhava, pois havia um outro motivo para comemorar: o início do Campeonato Cearense de Kart. Com o fim do kartódromo da avenida Leste-Oeste, em Fortaleza, o kartódromo Júlio Ventura (inaugurado em janeiro de 1997), se tornou o único palco do kartismo cearense e, localizado no Eusébio, que já abrigava o autódromo Virgílio Távora, proporcionou ao município o surgimento de um mercado de trabalho.

Contrastando com a movimentação do kartódromo, o autódromo Virgílio Távora ainda espera a realização de uma reforma para a abertura da temporada de automobilismo. Com o acidente que vitimou o piloto Daniel Maia, em novembro de 2010, a temporada daquele ano encerrou ofuscando o brilho da conquista dos campeões e, de quebra, o ânimo da Federação Cearense de Automobilismo para dar agilidade à reforma necessária para corrigir problemas e ampliar a segurança.

Neste domingo (22), seis pilotos da categoria marcas colocaram seus carros na pista. Aproveitei para dar uma olhada no autódromo. Não gostei do mato que toma conta de grande parte das áreas de escape, mas percebi que a preocupação com a segurança foi lembrada.

No ponto onde colidiu Daniel Maia, os pneus foram colocados com uma amarração reforçada (foto). Agora, no lugar de estarem apenas amontoados e amarrados com corda ou arame, eles foram fixados no muro e unidos com parafuso de espessura que denota robustez. Também ganharam novos molhes de pneus a saída da curva Dirce (que antecede a reta principal), entrada da reta principal, posto sete (perto do túnel).

As medidas foram elogiadas por pilotos e mecânicos, mas todos foram unânimes em um ponto: a da conclusão da reforma e início do campeonato.

Se a categoria Superturismo não tem se mostrado organizada o suficiente para realizar a troca dos motores para a temporada de 2011, os pilotos de marcas mostram outra postura. Trabalham em seus carros e decidiram criar nova associação para estruturar a categoria que já conta com 22 pilotos inscritos e compromissados a alinhar no grid assim que seja dada condição de corrida.

Em um estado que tem mecânicos, projetistas, engenheiros e pilotos reconhecidamente competentes, está passando da hora dessa reforma para vermos na pista o resultado dos esforços de centenas de pessoas em um espetáculo bonito de ser visto.

* Conjunto de fatores econômicos, políticos e sociais, localizados em um mesmo território, desenvolvendo atividades econômicas correlatas e que apresentam vínculos de produção, interação, cooperação e aprendizagem.

Por Hoje Fico aqui. Até Breve.

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Fotos: Robério Lessa.