Os favoritos entre os carros no Rally dos Sertões

2 de agosto de 2011

Mais uma edição do Sertões e mais uma vez as esperanças estão renovadas. Depois de muito trabalho, experiências e projetos, novos carros vão aparecer na largada, em Goiânia, contando cada um com as suas armas principais para vencer os desafios dos 4.026km até Fortaleza. Neste ano, mais uma vez, espreita a sombra da dificuldade que promete tirar o sossego de todos. Quem são os favoritos? Vamos tentar aqui mostrar um pouco do que se pode esperar a partir do dia 09 de Agosto.

Esse ou aquele?
Duas são as perguntas mais frequentes:
1) Os carros nacionais já podem encarar os importados frente a frente?
2) Os carros com motor diesel ainda levam vantagem sobre os carros com motor a gasolina ou etanol?
A resposta no mais puro estilo politicamente correto é: Depende. Isso mesmo, em competições automobilísticas e ainda mais em uma prova do tamanho, brilho e exigência do Sertões, o imprevisível é companheiro de 10 dias e a inesperada dificuldade se esconde atrás de cada pedra.

O maior Rally do Mundo, disputado apenas dentro de um país
O Rally dos Sertões com 10 dias e 4.026 kms de percurso, que vão separar quem se preparou de quem acha que está preparado. O roteiro promete ser duro, as dificuldades prometem ser muitas e a satisfação, por consequência, promete ser maior ainda.

E o percurso vai favorecer quem?
2.411 km de trechos cronometrados que equivalem a 60% do percurso total são o desafio. Quem vai encarar?

Dando nome aos bois.
Vamos lá, um pouco da história e do que a teoria pode esperar de alguns dos concorrentes.

Guilherme Spinelli
Tricampeão do Sertões – 2003/2004/2010 – Guiga é sempre favorito. Pela primeira vez ele e o navegador Youssef Haddad vão correr no Brasil com o Mitsubishi Lancer Racing, mesmo veículo utilizado por eles no Dakar 2011. E a esse respeito ele comenta, “sempre há e ao mesmo tempo não há favoritos. Como o regulamento ainda é FIA, os carros Diesel têm torque maior e levam vantagem em todo trecho de freadas fortes e desaceleração, areia e serra. Já no Lancer Racing vamos explorar nossa suspensão, chassi e resistência. Tudo isso no nosso carro é fantástico. Temos uma excelente suspensão e um excelente centro de gravidade. Quanto ao favoritismo, acho que são tantas as armadilhas e as variáveis, que existem 10 duplas com todas as chances de ganhar o rally”, afirma ele.

Reinaldo Varela
Campeão Mundial de Rally Cross Country FIA em 2001, ele é sempre uma força a ser respeitada no Rally dos Sertões por sua experiência e velocidade. Ao lado de Eduardo Bampi e usando o carro Campeão dos Sertões de 2010, alinha na primeira fila da armada brasileira para enfrentar os dois carros importados.
“Este ano estou indo para disputar a geral, mas mesmo assim busco manter o foco na categoria pró-etanol. O diferencial para 2011 está em contarmos com a estrutura de uma equipe oficial. O que me deixa mais tranquilo para acelerar”, confessa Varela.

Kléver Kolberg
O brasileiro que mais vezes participou do Dakar e Bicampeão do Sertões – 1997/1998 – Foi vice-campeão no ano passado. Competirá ao lado de Flávio Marinho outra vez com o seu Próton, movido a etanol e ainda mais desenvolvido e ágil do que em 2010. “Quando nos vamos para o Sertões temos adversários individuais, porém temos um comum à todos, que é o terreno, o percurso em si. Acredito que o nosso diferencial seja paixão e estratégia, é nisso que vamos apostar”, fala o experiente Kléver.

Paulo Nobre
O Palmeirinha volta com uma BMW X3 para tentar vencer o Rally dos Sertões, depois de ter ficado por três vezes em 2º lugar – 2006/2007/2010. Sabe como é difícil um rally como o Sertões e, “mesmo estando longe do Cross Country há um ano, tenho certeza de que o prazer de pilotar este carro por estes lugares incríveis compensa tudo. Ser o outro carro de fábrica e importado tira um pouco a minha pressão de derrotar os carros nacionais que cada vez ficam mais velozes. Adoro esse rally”, finaliza ele.

Riamburgo Ximenes
Campeão em 1999, venceu depois em 2004/ Production, 2005/ Superproduction e em 2008/ Protótipo. Sonha com um título chegando em casa – ele, que é cearense, e vai estrear um Próton, desenvolvido especificamente para esta edição do Sertões 2011. “Eu estou muito otimista quanto a competitividade deste ano. Muitos são os favoritos e sabemos que numa grande prova a estratégia fará a diferença. Mas não esqueça, some a ela um veículo rápido e resistente, um navegador preciso, um time eficiente e a sorte! Sempre a sorte! A danada precisa sorrir pra nós.” Ao seu lado, Stanger Eller buscará com ele a vitória.

João Franciosi
O gaúcho-baiano começou surpreendendo ao vencer na sua primeira participação no Sertões em 2006. É extremamente competitivo, faz uma excelente dupla com seu navegador Rafael Capoani e teve um ano inteiro para desenvolver o seu novo carro, uma evolução do Sherpa com motor V8 à gasolina.
“Eu acredito que este será um ano melhor por que nos dedicamos mais as modificações, a preparação e ao desenvolvimento do carro. E nossa tarefa de casa foi feita com esmero, por isso acredito bastante no nosso potencial. A briga vai ser intensa entre os carros brasileiros e todos vão estar de olho em qualquer vacilo dos carros importados”, conta Franciosi.

Jean Azevedo
Jean é mais do que favorito, é referência, e já venceu os Sertões tanto de moto, por 5 vezes, quanto de carro, na categoria Protótipo. Seu carro vem evoluindo e ele é um dos que confia na receita do motor diesel. “Os carros nacionais estão a alguns passos abaixo dos estrangeiros. Acredito que se eles não tiverem nenhum tipo de problema serão muito difíceis de serem batidos por terem mais desenvolvimento e investimento agregado”, fala um precavido Jean.

Marcus Baumgart/ Christian Baumgart
Os irmãos Baumgart competem no Sertões desde 1999 e, de lá pra cá, vem construindo um belo histórico de resultados que os credenciam como favoritos ao título 2011. Estarão dividindo Box com a equipe Oficial Mitsubishi.
“O Sertões é sempre uma caixinha de surpresas. Mas este ano há um nível de competitividade ainda maior. Isso acontece porque a cada nova edição, o rally cresce em todos os aspectos. Para ser competitivo hoje é preciso contar com uma logística grande, que exige suporte e estratégia”. Afirma Cristian, que terá ao seu lado Beco Andreotti.
Já Marcos, com sinceridade assume, “Todo mundo esta buscando seu diferencial a sua maneira. Vai vencer quem tiver o melhor conjunto. E é óbvio que todos querem ganhar. Nós também”! Marcos terá como navegador Kleber Cincea.

É bom ficar de olho:

Luis Stédille
Campeão em 2010 na categoria Experience, é outro que vai recorrer ao motor Diesel do carro Sherpa desenvolvido pela equipe MEM (líder do Campeonato Brasileiro Cross Country). Mesmo carro que no ano passado liderou a prova nos primeiros dias e que atualmente lidera o Campeonato Brasileiro de Rally Cross Country.

Mauricio Bortolanza
Compete ao lado do irmão, Gustavo. Este ano eles voltam com um bom carro, ainda mais preparado, e estão sempre aptos a andar entre os ponteiros.

Quem é o futuro no Rally dos Sertões?
Não importa quem vença, se um desses que citamos aqui ou, como já aconteceu tantas vezes, um nome novo, até mesmo inesperado. O que vale é que o Rally dos Sertões é sempre o futuro, aquele desafio mutante que ano após ano deixa mais fértil a imaginação de todos os que gostam e vivem nesse esporte. Portanto, apesar do favoritismo, tudo pode acontecer!

E mais, sempre vale lembrar as palavras de um super campeão olímpico, Michael Phelps, que dizia: “Quando chega o momento da competição, significa que o de preparação já se foi”. Na agua ele contava só com ele, na terra cada um contará com cada detalhe a sua volta. Após dada a largada, a história começará a ser contada.

Façam suas apostas!

Fonte e Fotos : Textobras – Divulgação.