Sertões inova e invade pista em Goiás

8 de agosto de 2011

O Rally Internacional dos Sertões apresenta novidades bastante interessantes para sua 19ª edição, cujo início acontecerá nesta terça-feira (9) em Goiânia: o formato de definição para a largada da competição. Ao contrário dos anos anteriores, em que apenas o super prime definia esta ordem, agora haverá duas atividades para as equipes disputarem a condição mais favorável de largar na frente: um prólogo com predominância de asfalto e o já conhecido, mas também modificado, super prime.

O regulamento do novo formato determina que todos os competidores participem da primeira atividade, que será iniciada às 8 horas da manhã. “Os pilotos, acostumados aos trajetos difíceis de terra, areia, piçarra e lama, encontrarão já de início um “obstáculo” menos comum ao seu convívio em veículos de rali: a lisura de um asfalto de autódromo”, revela Cristian Baumgart, piloto que compete ao lado do navegador Beco Andreotti em um Mitsubishi Triton Evo. O prólogo será realizado no Autódromo Internacional de Goiânia, em um traçado adaptado de 1.960 metros, dos quais apenas 260 metros serão em um trecho de terra. Será a primeira vez em 19 edições de Rally dos Sertões em que os veículos de rali invadirão o asfalto de um autódromo.

“Não é o melhor terreno para um carro de rali, mas vai ser bem divertido, diferente e interessante passar por esta experiência”, afirma Marcos Baumgart, do X Rally Team, que tem patrocínio de Vedacit, Mitsubishi e Cidade Center Norte, e que faz parte da equipe Mitsubishi Brasil ao lado do navegador Kleber Cincea.

Os oito melhores tempos de cada categoria (carros, motos, quadriciclos e caminhões) estarão classificados para o super prime, que começa às 19h30 e também estreia novo formato. Disputa em alta velocidade em circuito fechado, ele será definido no estilo mata-mata: os oito classificados formarão cruzamentos (o 1º com o 8º, o 2º com o 7º, e assim por diante) e disputarão entre si na arena montada em frente ao Shopping Flamboyant – um dos principais pontos de referência em Goiânia. Os quatro melhores passam para a semifinal, e os dois melhores disputam a honra de ser o primeiro para largar rumo a Pirenópolis no dia 10, início da viagem da caravana do Sertões, que percorrerá neste ano um total de 4.096 quilômetros.

Pilotos aprovam. “Melhor para o público” – Com 22 participações no Rally Dakar e três títulos no Sertões, Klever Kolberg aprovou a mudança. “Este formato favorece a participação do público, que terá mais oportunidades de ver os carros bem de perto em arenas montadas para isso, tanto no autódromo quanto no circuito do super prime, no Flamboyant. Com certeza vamos ter arquibancadas lotadas. Será um show muito bonito, e também vai ser mais emocionante. Achei bacana essa iniciativa por parte da organização, que acertou na mosca ao idealizar este formato. Sensacional”, elogiou o piloto do Valtra Dakar Eco Team, que tem Flávio Marinho de França como navegador.

Vencedor dos dois super primes realizados na edição passada, em Goiânia e Palmas, Cristian Baumgart também aplaude a iniciativa. “Isso certamente vai tornar o show muito mais interessante em Goiânia. A cidade tem um clima incrível e sempre recebe muito bem os competidores. Então este formato que mescla elementos de regulamento de automobilismo com outros de futebol vai agradar em cheio. E para quem estiver lá nas arenas, acelerando, é muito legal também”, avalia o piloto de 36 anos, patrocinado por Vedacit, Mitsubishi e Cidade Center Norte.

Ao mesmo tempo em que elogiam a iniciativa, os pilotos pregam a cautela. “A frase que a gente mais ouve entre os competidores é: ‘não é no prólogo ou no super prime que se ganha o rali, mas é neles que se perde’”, destaca Marcos Baumgart, piloto que tem como navegador Kleber Cincea no Mitsubishi Triton Evo. “Teremos mais de quatro mil quilômetros à frente para superar e brigar por posições. Principalmente no mata-mata, é preciso tomar muito cuidado, senão a gente pode acabar matando é o carro”, brinca Marcos, destacando que estes novos elementos tornarão a briga mais complicada: “Piloto e navegador nunca querem andar atrás. Mesmo sabendo que a corrida não vai ser decidida nestas duas fases iniciais, é complicado ver o concorrente ir melhor do que você. De qualquer forma, o prólogo e o super prime são um bom treino para aquela ‘afinada’ final na comunicação entre piloto e navegador. Além de tudo, o público vibra, se emociona. E isso é passado para dentro do carro, com certeza”, observa.