Klever Kolberg e Flávio França conquistam o bicampeonato na categoria Etanol

19 de agosto de 2011

O sertão virou mar na chegada a Caucaia (CE), e a etapa final do Rally dos Sertões confirmou os campeões de sua 19ª edição nesta sexta-feira (19). Com o terceiro lugar no geral da categoria carros, o Valtra Dakar Eco Team, com Klever Kolberg e Flávio Marinho de França, foi o melhor dos protótipos fabricados no Brasil e confirmou a liderança conquistada na penúltima etapa da competição, celebrando seu segundo título seguido na categoria Etanol.

A especial final, de 83 quilômetros cronometrados, não foi fácil. “Administramos o ritmo, mas vou te falar… Foi difícil. Era bastante esburacada, e contrariou as expectativas gerais de que a última etapa seria mais leve. Não foi, e quase que o resultado do Sertões muda nos quilômetros finais”, lembrou Kolberg, que agora soma quatro títulos no segundo maior rali do planeta – foi campeão geral em 1997 e 1998 tendo André Azevedo como navegador, e no ano passado foi campeão da recém-criada categoria Protótipos Etanol, já ao lado de Flávio Marinho de França.

Klever e Flávio ocuparam a liderança do Sertões em sua categoria durante a sexta etapa, na entrada do Jalapão, entre Porto Nacional (TO) e Lizarda (TO). Entretanto, a dupla Reinaldo Varela/Eduardo Bampi, da equipe oficial da Mitsubishi, retomou a ponta até a penúltima especial da competição. Foi quando, entre Teresina (PI) e Sobral (CE), os paulistas enfrentaram problemas e deixaram a condição de líderes.

“É uma dupla fortíssima e que andou muito rápido neste ano, em um ritmo alucinante. Ano passado fiz a mesma coisa, porque também estava lutando pelo título no geral entre os carros, e por causa disso enfrentamos alguns problemas como furos de pneu, e isso nos tirou da briga na parte final da prova”, lembrou. “Este ano, a nossa estratégia foi a de acelerar nos momentos certos, procurando não judiar tanto do carro. E ele se portou muito bem. O Sertões é assim mesmo, pode acontecer com todo mundo, como já aconteceu conosco em anos anteriores”, lembrou o piloto, que fechou a competição com 1h30 de vantagem para Varela.

No geral, o título ficou com a dupla formada por Guilherme Spinelli e Youssef Haddad, com o Lancer Evolution, seguido do BMW X3 de Paulo Nobre (Palmeirinha) e o português Filipe Palmeiro. “Eram duas espaçonaves na nossa frente, carros com anos de desenvolvimento e também com ótimos pilotos e navegadores”, elogiou. “Mas apostamos na proposta do carro a etanol, um conceito mais barato, que prepara melhor a mão-de-obra daqui e possibilita aos competidores buscar uma evolução de seu equipamento a custos mais realistas, inclusive já exportando esta tecnologia”, apontou.

Desde 2010, Kolberg tem se voltado para a tendência dos combustíveis mais limpos em competições. Foi um dos colaboradores na criação da categoria Experimental no Dakar de 2010, quando foi o primeiro piloto da história da competição a fazer todo o roteiro da prova usando o etanol como combustível. Incentivou também a criação da categoria Etanol no Sertões, apostando em uma proposta mais sustentável. “Tão sustentável que até o nosso carro é reciclado”, brincou. “Fizemos algumas evoluções em relação ao ano passado – todos fizeram – mas a ideia e o carro permaneceram os mesmos”, disse.

Trabalho em Equipe – Com o Protom Etanol preparado pela ProMacchina, de Maurício Neves, Klever subiu à rampa dos vencedores levando todos os membros da equipe sobre o carro. “Eles merecem. São meninos extremamente apaixonados pelo que fazem, que sofrem e comemoram com a gente. Eu quero agradecer pela dedicação e o esforço de todos, do mecânico ao cozinheiro. Eles não trataram do carro como um bebê, mas sim como um monstro. Porque o que esse carro aguentou neste Sertões… Não foi brincadeira. A prova deste ano foi uma das mais difíceis e exigentes da história”, afirmou.

Klever também elogiou seu parceiro Flávio França. “É um navegador incansável. É um cara super dedicado e eficiente, e nos salvou de nos perdermos nos caminhos muitas, muitas vezes”, destacou. “Fiquei até bravo com ele, porque dividimos o quarto nos hotéis das cidades pelas quais passamos. Ele fazia anotações na planilha até a uma da manhã e ia dormir para acordar às quatro ou cinco horas para continuar estudando”, apontou.

Flávio, fã assumido de Kolberg, espera que a parceria continue por bastante tempo. “O Klever é um dos grandes ícones brasileiros do rali, conhecido internacionalmente. E para mim, constar nas estatísticas ao lado do nome dele é uma grande honra. Nossa parceria tem sido muito boa, nos entendemos bem, e vamos em frente. Quem sabe, a gente faz o próximo Dakar”, disse.

Fotos: Theo Ribeiro, André Chaco, e David Santos Jr./Fotoarena – Divulgação.