Bruno Senna adota discurso cauteloso para a corrida em Spa

27 de agosto de 2011

Acima de qualquer expectativa mais otimista, Bruno Senna largará em sétimo no Grande Prêmio da Bélgica em sua estreia como piloto titular da Lotus Renault. O piloto brasileiro foi um dos grandes destaques das sessões classificatórias que definiram o grid da prova deste domingo em Spa-Francorchamps. Além de garantir sua melhor posição de largada na Fórmula 1, depois da temporada complicada pela fragilidade da HRT em 2010, Bruno superou o companheiro de equipe Vitaly Petrov e até o bicampeão Fernando Alonso. “Eu também estou de boca aberta”, brincou, ao comentar a repercussão do resultado no paddock e entre os torcedores em todo o mundo.

Bruno brilhou tanto nas duas primeiras partes das tomadas de tempo, realizadas com pista molhada, quanto na terceira e última, quando o asfalto praticamente seco permitiu a utilização dos pneus lisos. Mas reconheceu que a quarta fila foi muito mais do que poderia sonhar: além das condições climáticas sempre traiçoeiras do circuito belga, ainda está se adaptando ao carro com o qual andou apenas num teste da pré-temporada, em dois ensaios aerodinâmicos em linha reta e na primeira sessão de treinos livres do GP da Hungria. “No molhado, eu achava que entraríamos no Q2 e ficaríamos perto do Top 10. Fiquei preocupado no Q3 porque a pista secou e eu praticamente não havia andado nessa situação. Felizmente, o carro estava bom e me ajudou.”

Talvez apenas o pole Sebastian Vettel tenha recebido tantos tapinhas nas costas quanto Bruno depois do qualifying deste sábado. Aguardando pela pesagem obrigatória, mereceu os cumprimentos de Felipe Massa, que não escondeu a satisfação com o desempenho do amigo e vizinho – ambos moram em Mônaco. “Ele me deu os parabéns, assim como todo o pessoal da equipe. Estou muito contente porque o resultado serve para aliviar um pouco a pressão desta primeira corrida pela Lotus Renault e a necessidade de me sair bem”, lembrou.

Na véspera, Bruno manifestara a preferência pela manutenção do mau tempo em Spa, já que desde as categorias de base tem mostrado enorme familiaridade com o piso molhado. Para amanhã, ele espera que as condições se mantenham. “Para mim, será menos difícil, porque me falta quilometragem na pista seca. Mas, o que tiver de ser, será. De uma maneira ou de outra, será uma corrida muito dura e que não permite qualquer prognóstico. Por enquanto, estou feliz com meu trabalho de hoje.”

Bruno admite que precisará driblar a falta de ritmo de corrida. Depois do vice-campeonato da Fórmula GP2 de 2008 e do ótimo teste pela extinta Equipe Honda no final daquele ano, quando ficou a apenas dois décimos de Jenson Button, campeão na temporada seguinte, Bruno fez apenas três provas de esporte-protótipo em 2009 e se arrastou pelas últimas posições com o carro da HRT no último campeonato. “Faz tempo que não disputo posição para frente, só para trás”, disse, rindo. “Mas corrida é corrida, vamos procurar fazer as coisas passo a passo. Hoje foi tudo muito bem, vamos ver se continuamos assim até amanhã.”

Fotos: Lotus Renault GP/LAT/MF2 – Divulgação.

Texto: Márcio Fonseca.