Gomes começa a correr atrás de um “milagre”

28 de setembro de 2011

Com a vida complicada pela perda dos pontos relativos ao segundo lugar em Santa Cruz do Sul há duas semanas na abertura das superfinais e a impossibilidade de descartar a etapa, o paulista Marcos Gomes sabe que somente um milagre o levará à conquista do inédito título de campeão da Stock Car em 2011. Restando apenas três corridas, a próxima delas neste final de semana em Londrina, o piloto da Equipe Medley Full Time Sports poderá chegar ao máximo de 259 pontos. Para tanto, precisa ganhar duas corridas e eliminar a terceira. E não é só: os rivais teriam de ser varridos por uma sucessão de azares que o retrospecto recente não autoriza a sonhar.

A missão é tão improvável que Gomes deixou os cálculos de lado. “Acho que nem vale a pena pensar no campeonato. O melhor é entrar na pista e tentar ganhar as corridas”, observa, admitindo que suas chances despencaram drasticamente depois de ver os 20 pontos virarem fumaça no interior gaúcho quando os comissários desportivos apuraram que o tanque de combustível de seu carro não tinha os três litros de álcool regulamentares ao final da prova.

Um passeio pela história das superfinais, no entanto, revela que Gomes pode estar sendo realista – ou pessimista – demais. Criado em 2006 para encerrar a fase de pontos corridos e tentar apimentar a reta decisiva do calendário, o sistema de playoffs apresentou como primeiro campeão um piloto – Cacá Bueno – que nem atingiu o limite estabelecido para Gomes e parou nos 257. Naquele ano, os finalistas não foram muito bem nas últimas quatro etapas e apenas Giuliano Losacco, então na Medley/A. Matthreis e em plena luta pelo tri, conseguiu uma vitória. Ingo Hoffmann, duas vezes, e Tarso Marques foram os outros ganhadores. Em 2010, Max Wilson chegou lá por diferença pouco maior – 265.

Gomes lamenta ter sido abatido em pleno voo quando vivia o melhor momento na temporada. O segundo lugar no Rio Grande do Sul foi o destaque do ano e parecia ter colocado uma pedra sobre uma fase de excelentes resultados nos treinos classificatórios que não se convertiam em quantidade de pontos proporcional nas corridas. Gomes chegou a Santa Cruz do Sul em 7º lugar, 16 pontos atrás do então líder Thiago Camilo, e subiria para 3º a apenas três do novo ponteiro Max Wilson. O exemplo de Camilo, no entanto, é eloquente demais para ser ignorado. Depois de comandar toda o período seletivo, ganhar três etapas e abrir larga vantagem sobre o segundo colocado, Camilo foi vítima de uma quebra mecânica na estreia nas superfinais, passou em branco e caiu para 4º na classificação geral. “O automobilismo tem dessas coisas e as corridas só terminam na bandeirada, mas será muito difícil para mim. Além de ganhar, vou precisar contar também com maus resultados de todos os meus adversários, o que não é muito provável”, conclui Gomes.

Os treinos oficiais da 10ª etapa da Stock Car – a segunda das superfinais – serão abertos nesta sexta-feira com duas sessões de 40 minutos para cada grupo de 15 pilotos – a primeira a partir das 11 h e a segunda, às 14h50 – e limite de 19 voltas por carro. As tomadas classificatórias que formarão o grid estão marcadas para sábado, com início às 11h45. Domingo, a corrida começará às 11h30, na distância de 50 minutos. O SporTv transmitirá a etapa ao vivo e a TV Globo exibirá um compacto dentro do Esporte Espetacular.

A classificação das superfinais está assim:

1 – Max Wilson, 232 pontos
2 – Cacá Bueno, 230
3 – Ricardo Maurício, 226
4 – Thiago Camilo, 225
5 – Popó Bueno, 219
6 – Átila Abreu, 216
7 – Luciano Burti, 214
8 – Marcos Gomes, 209
9 – Daniel Serra, 207
10 – Allam Khodair, 206

Foto: Miguel Costa Jr. MF2/Divulgação