Temporada da Indy inicia disputa entre fornecedoras de motores

13 de março de 2012

Rubens BarrichelloA Fórmula Indy estreia no próximo dia 25, em São Petersburgo, durante a primeira etapa da temporada, o novo regulamento técnico que permite a adoção de uma das três marcas de motor confirmadas para 2012: Honda, Chevrolet e Lotus.

Este cenário modifica muito a dinâmica da competição, pois agora pilotos e equipes têm vínculos e fidelidade a um dos três fornecedores, o que se reflete em troca de informações e colaboração extrapista entre os times. Esse novo cenário será visto ao vivo pelo público brasileiro no dia 29 de abril, na Itaipava São Paulo Indy 300 Nestlé, quarta etapa da temporada 2012.

Espertamente, a organização da Indy criou um campeonato entre as fábricas – o que só vai aumentar o comprometimento dos executivos e acirra a rivalidade entre os três blocos concorrentes.

James JakesEm 2012, a Honda deve contar com oito equipes, que devem colocar na pista 12 carros. A Chevrolet será defendida por cinco times, com 11 monopostos. E a Lotus atraiu para sua campanha quatro equipes, totalizando cinco carros. Os pilotos brasileiros Tony Kanaan, Rubens Barrichello e Helio Castroneves utilizam os motores Chevrolet.

O novo formato foi anunciado pela IndyCar em junho de 2010. Os fornecedores de motor devem fabricar unidades de até 2,2 litros de capacidade cúbica, com no máximo seis cilindros. Os motores alimentados pelo etanol E85 podem ter entre 550 e 700 cv, variação que permite ajustes e opções de mapeamento eletrônico visando uma melhor adaptação aos vários tipos de pista utilizados pela categoria.

As unidades também são mono ou biturbo, o que, segundo a IndyCar, permite maior flexibilidade no uso da potência por meio de um sistema de ajuste de carga do sistema. Desde 2003, a Indy usava motores V8 de 3,5 litros naturalmente aspirados – e nos bastidores sabe-se que essa alteração vai resultar em novo cenário técnico para engenheiros e pilotos, especialmente levando-se em consideração que este será também o ano de estreia de um novo chassi, o DW12, fabricado pela italiana Dallara. Outra novidade são os freios de carbono, que farão muita diferença nos traçados mistos e de rua.

James Hinchcliffe and Justin WilsonAs três marcas entraram na competição por meio de seus braços esportivos: a Honda Performance Development, a Ilmor Engineering (Chevrolet) e a Engine Developments, que representa a Lotus e tem como principal engenheiro o famoso John Judd.

A Honda foi a primeira a anunciar a intenção de fornecer os motores, ainda em agosto de 2010, apenas dois meses depois da apresentação do novo projeto pela IndyCar. A Honda Performance Development já fornecia motores, sozinha, para todo o grid desde 2006. Um protótipo da nova HI12RT foi à pista pela primeira vez já em agosto de 2011, pelas mãos de Dan Wheldon, piloto que acabaria por falecer na última etapa do ano passado. Naquele teste, a Honda já considerava seu projeto pronto para estrear nas corridas, enquanto Chevrolet e Lotus ainda trabalhavam no protótipo de seus motores e buscavam atingir o patamar mínimo de 2.000 milhas (ou cerca de 3.200 quilômetros) de testes em dinamômetro, como determina o regulamento.

Marco AndrettiA Chevrolet fez seu shake-down no dia 30 de setembro do ano passado, na pista de Putnam Park, perto de Indianápolis, quando o carro foi conduzido por Will Power. Neste mesmo dia, a Honda dava por encerrados seus testes particulares de pista – mostrando que foi realmente vantajoso se comprometer antecipadamente com a categoria.

Mas as equipes da Chevy só puderam testar o motor pela primeira vez no dia 14 de outubro de 2011, em Mid-Ohio. Mesmo cumprindo metas e usando a expertise da Ilmor, a fábrica precisou de ajuda: criou um programa que envolve todas as suas equipes no desenvolvimento do motor, empregando profissionais de todas as equipes de corrida em uma espécie de cooperativa.

Justin WilsonA Lotus, que hoje pertence a um grupo da Malásia, foi a última das três a confirmar sua participação, em novembro de 2010. E teve como problema inicial encontrar uma empresa que pudesse fabricar e dar assistência às equipes – o que atrasou bastante o início da produção. Escolhida, a Engine Developments vai operar a partir da Inglaterra. Como resultado do atraso, quase três meses do primeiro Honda ir à pista, o Lotus ainda engatinhava no dinamômetro.

As restrições impostas pelo novo regulamento, no entanto, ajudaram a Lotus a acelerar o desenvolvimento. “As regras são bem estritas no uso de materiais exóticos, peso e regime de rotação do motor. Isso evita que alguém com mais dinheiro leve vantagem e também facilita na fase de projeto”, resumiu John Judd. O primeiro motor Lotus da Indy deu as voltas iniciais somente dia 12 de janeiro, na pista de West Palm Beach. O shake-down completo contou 1.450 quilômetros em quatro dias.

Nos testes realizados no início de março por todas as equipes em Sebring, as fábricas tiveram seu primeiro confronto oficial. O domínio foi dos motores Honda, que ocuparam as duas primeiras posições nos tempos combinados de todas as sessões, com os pilotos da equipe Ganassi – Scott Dixon e Dario Franchitti – em primeiro e segundo lugares, respectivamente. O terceiro tempo foi registrado por Helio Castroneves (Penske), seguido por Rubens Barrichello (KV), ambos com motor Chevrolet. Tony Kanaan (KV) ficou com a 20ª posição. O melhor carro com motor Lotus foi o pilotado por Oriol Servia, da equipe Dreyer & Reinbold Racing, que terminou a semana de treinos apenas no 19º lugar.

Veja abaixo os pilotos, equipes e suas respectivas marcas de motor para 2012:

  • A.J. Foyt Enterprises, Mike Conway, Inglaterra, Honda
  • Dale Coyne Racing, James Jakes, Inglaterra, Honda
  • Dale Coyne Racing, Justin Wilson, Inglaterra, Honda
  • Sam Schmidt Motorsports, Simon Pagenaud, França, Honda
  • MSR Indy, AJ Allmendinger, Estados Unidos, Honda
  • MSR Indy, Brian Bailey, Canadá, Honda
  • Fisher Hartman, Josef Newgarden, Estados Unidos, Honda
  • Target Chip Ganassi Racing, Scott Dixon, Nova Zelândia, Honda
  • Target Chip Ganassi Racing, Dario Franchitti, Escócia, Honda
  • Novo Nordski Ganassi Racing, Charlie Kimball, Inglaterra, Honda
  • Service Central Ganassi Racing, Graham Rahal, Estados Unidos, Honda
  • Rahal Letterman Lanigan Racing, Takuma Sato, Japão, Honda
  • Andretti Autosport, Marco Andretti, Estados Unidos, Chevrolet
  • Andretti Autosport, James Hinchcliffe, Canadá, Chevrolet
  • Andretti Autosport, Ryan Hunter-Reay, Estados Unidos, Chevrolet
  • Ed Carpenter Racing, Ed Carpenter, Estados Unidos, Chevrolet
  • KV Racing Technology, Tony Kanaan, Brasil, Chevrolet
  • KV Racing Technology, Rubens Barrichello, Brasil, Chevrolet
  • KV Racing Technology, Ernesto Viso, Venezuela, Chevrolet
  • Panther Racing, JR Hildebrand, Estados Unidos, Chevrolet
  • Team Penske, Ryan Briscoe, Austrália, Chevrolet
  • Team Penske, Helio Castroneves, Brasil, Chevrolet
  • Team Penske, Will Power, Austrália, Chevrolet
  • Lotus Team Barracuda, Alex Tagliani, Canadá, Lotus
  • Dreyer & Reinbold Racing, Oriol Servia, Espanha, Lotus
  • HVM Racing, Simona de Silvestro, Suíça, Lotus
  • Luczo Dragon Racing de Ferran Motorsports, Sebastien Bourdais, França, Lotus
  • Luczo Dragon Racing de Ferran Motorsports, Katherine Legge, Inglaterra, Lotus

 

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