Além do Outback

16 de março de 2012

Acompanhe aqui no Carros e Corridas  mais nova coluna do jornalista Eduardo Abbas.

Além do Outback.

A Fórmula Um está de volta. Faltam apenas alguns dias para o inicio da temporada 2012 e parece que as mudanças serão pequenas envolvendo carros, equipes e pilotos.

A mais significativa para nós brasileiros é o fato de Rubens Barrichello não estar entre os que vão alinhar para a primeira corrida do ano depois de 19 temporadas. Parece muito tempo, mas poxa, como passou rápido! (essa frase eu roubei da Catherine Willows do C.S.I. que se despediu da série!).

Voltando às pistas, a Austrália, país que mais uma vez abre o campeonato, o grande premio é uma mistura de sentimentos e deixa um gosto esquisito na boca de quem gosta de corridas. Não que elas sejam chatas, muito pelo contrario, são até bem interessantes do ponto de vista de competição, mas esse país da Oceania teve em toda a sua vida com a Fórmula Um mais baixos que altos.

A colônia britânica desde 1770 entrou para o calendário da maior categoria do automobilismo em 1985, ano que Alain Prost ganhou seu primeiro titulo mundial. No ano seguinte, o francês ganhou o bi, justamente lá, desbancando nada menos que Piquet, Mansell e Senna, esse com chances menores, pois a dupla da Williams era favorita para conquistar o titulo de 86.

Daí pra frente, as ruas de Adelaide foram apenas palco de festa de fim de ano. Com os campeonatos já decididos e por diversas vezes seriam as ultimas corridas de pilotos por suas equipes, a corrida não valia absolutamente nada, pouco mudaria no cenário do campeonato e tornava-se um vale-tudo (hoje conhecido por UFC ou AFC, uma das coisas mais chatas do mundo!!!!).

Para muitos pilotos, correr nas ruas de Adelaide era como o pontapé inicial para as férias. Ninguém estava muito nem aí, o barato era comer no Outback, a churrascaria típica deles, passear pelas cidades que rodeavam Adelaide, fazer compras, surfar, velejar, relaxar. Por isso talvez as corridas tivessem mais cara de festa de inimigo secreto, cada um poderia bater em qualquer outro, a pena, se houvesse, seria paga só no ano seguinte.

Os incomodados australianos reclamaram durante muitos anos e pediram pra mudar a posição no campeonato alegando todos esses fatos. Titio Bernie resolveu atende-los e mudar a posição, mas queria que eles antes mudassem também o local da corrida. Assim foi feito. Em 1993 seria a ultima corrida em Adelaide e a partir do ano seguinte todos iriam para o Albert Park. Curiosamente a ultima corrida nas ruas de Adelaide foi também a ultima vitoria do Ayrton Senna na fórmula Um, mas a primeira no Albert Park foi onde o Schumacher deu aquele encontrão no Damon Hill e ganhou o primeiro titulo dos sete que ele viria a conquistar.

Foram ainda dois anos, agora no Parque do Alberto, encerrando as temporadas. Em 1996 a grande mudança de local e de data colocou a Austrália numa sinuca maior ainda. Agora eles iriam abrir a temporada. Mas foi um bom negócio? Tenho lá minhas duvidas. Todo mundo chega a meio pau, ainda em ritmo de férias, de alguns dias de testes coletivos, com carros que ainda estão sendo montados ou com modelos do ano anterior, mas nada que prove que a corrida australiana tenha um baita interesse pra quem corre nem pra quem assiste (afinal, aqui no Brasil ela acontece na madruga de sábado pra domingo, às três da manhã!!!!).

Será um ano de novidades nos carros esse 2012, de algumas caras novas nos cockpit’s, de esperança de alguns bom resultados com o Bruno Senna e com o Felipe Massa, mas só. O domínio deve permanecer com a Red Bull, seguido da McLaren e ficando o Alonso tentando carregar a Ferrari nas costas. Pra quem acompanha o circo in loco, é mais uma oportunidade de curtir belas praias, deliciar-se com cidades muito organizadas e lamber os beiços com os prime ribs e se tiver tempo, assistir uma corridinha pra descontrair.

Eu volto na semana que vem!

Beijos & queijos

Eduardo Abbas, um dos mais respeitados profissionais de imprensa, especializado em automobilismo e industria automobilística.  Dentre suas realizações destacam-se a criação e direção do programa Linha de Chegada,  a direção do programa Grid Motor, a  produção da Stock Car e toda parte de motorsport do canal  Sportv. Abbas foi também produtor da Fórmula Um na Rede Globo desde 1990 e é atual membro da ABIAUTO (associação brasileira da imprensa automotiva). Também atua como consultor na área de comunicação e automobilismo.

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*A coluna publicada neste site expressa a opinião de seu autor.

Foto:  Mercedes Motorsport/Divulgação.

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