Os reis do circo

27 de março de 2012

Acompanhe  no Carros e Corridas  a nova coluna do jornalista Eduardo Abbas.

Os reis do circo.

Desde os tempos antes de cristo, o imperador romano Julio Cesar e seus filhos já gostavam de um circo. Apesar de nobres, faziam questão de dividir com o povo o espetáculo que, na maioria das vezes era sangrento, mas tinha suas fases light. Tudo isso regado a uma fartura de pães, vinhos, frutas e comida. Na Roma antiga poucos reclamavam da vida. Sábia atitude do ex-marido da Cleópatra, porque que o povo quer é isso: comida e circo. Com essa atitude, Cesar controlava todos, desde o senado até os inflados romanos. Nos dias de hoje, pelo menos no automobilismo, a coisa não mudou muito. O imperador agora mora em Londres, roda o mundo com sua trupe fantástica, monta os números, contrata os artistas, marca dia e hora do espetáculo, coloca quem quer no céu e no inferno, mas com uma grande diferença para os tempos de Julio Cesar: todos bebem no mesmo cálice. Ninguém reclama, e quem o faz procura fazer muito baixinho, quase nem dá pra ouvir.

Como disse Chico Buarque de Holanda:

As pessoas têm medo das mudanças, eu tenho medo que as coisas nunca mudem.

Ficar quieto nessas condições, talvez seja uma boa tática para os adversários de Sir Ecclestone, afinal o circo dele tem de tudo. No fim de semana do GP da Malásia, tudo indicava que os equilibristas da McLaren iriam levar a melhor e dar o melhor show. Ledo engano. Num circo que se preza quem por muitas vezes faz a diferença é o mágico, que dessa vez tirou um elefante da cartola.

Fernando Alonso foi absolutamente sensacional. Ele conseguiu levar a Ferrari à vitória em condições quase impossíveis. Mas não conseguiu tudo sozinho. A equipe trabalhou como nos tempos de Schumacher, deu a ele e ao Massa condições iguais em carros diferentes, sim, porque o do Felipe tinha um chassi novo. O espanhol foi competente da primeira a última volta assim como a sua equipe, apesar de não terem uma cabana pra proteger o carro e o piloto no pit-lane durante a chuva.

Apesar de se suspeitar que a Sauber deu uma força pro espanhol, o destaque positivo da corrida acabou sendo dela. O mexicano Sergio Perez dominou com maestria as feras e fez uma corrida de gente grande. Nas diversas condições climáticas, ele foi o tempo todo mais rápido que seus adversários, conduziu o carro suíço com precisão, mas errou na hora de atacar Alonso, saiu da pista e garantiu a vitória do espanhol. Não acredito em armação, até porque se ele ganhasse a corrida, as cornetas que tocam na cabeça do Stefano Domenicali pedindo para colocar o mexicano na equipe no lugar do brasileiro, hoje estariam mais altas do que nunca.

Grande destaque pro Bruno Senna. O homem bala fez em uma corrida o que a Williams não conseguiu no ano de 2011 inteiro.

Nos estados unidos teve a abertura da Indy. Barrichello era a grande estrela, todos os holofotes estavam apontados pra ele, mas quem realmente brilhou foi o Helinho Castro Neves. Circo à parte, o homem-aranha fez uma corrida corretíssima em tática e audácia, venceu, escalou a grade e fez uma linda homenagem ao Dan Wheldon, piloto morto na última corrida do ano passado.

No Brasil começou a Stock Car 2012. O homem mais forte do mundo, Cacá Bueno, tomou a ponta na largada e venceu sem grandes problemas.

Ela pode ser a maior categoria do automobilismo nacional, podem mudar as regras e tentar dificultar ao máximo a vida do Carlos Eduardo, mas se ele tiver nas mãos um carro vencedor é muito ruim ele perder um campeonato.

Por enquanto vivemos o circo das quatro rodas, esperando começar o das duas. A MotoGP desse ano promete ser muito mais emocionante que em 2011, que é na verdade um ano para ser esquecido pelos italianos que ainda choram a morte de Marco Simoncelli, que, coincidências à parte, morreu nessa mesma pista Maláia.

São misteriosas as coisas da vida.

Na sexta-feira passada perdemos Chico Anysio. Ele se mudou para o andar de cima com seus mais de 200 personagens. Como pode o homem das mil caras viver apenas uma vez? Talvez por isso precisemos aproveitar mais a vida e as alegrias que ela nos oferece.

Eu volto na semana que vem!

Beijos & queijos

Eduardo Abbas, um dos mais respeitados profissionais de imprensa, especializado em automobilismo e industria automobilística.  Dentre suas realizações destacam-se a criação e direção do programa Linha de Chegada,  a direção do programa Grid Motor, a  produção da Stock Car e toda parte de motorsport do canal  Sportv. Abbas foi também produtor da Fórmula Um na Rede Globo desde 1990 e é atual membro da ABIAUTO (associação brasileira da imprensa automotiva). Também atua como consultor na área de comunicação e automobilismo.

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