As Madrugadas de Disputa

17 de abril de 2012

Acompanhe no Carros e Corridas a nova coluna do jornalista Eduardo Abbas.

Foi mais um fim de semana atípico para quem gosta de automobilismo. Por coincidência de calendários, a Fórmula Um, a Indy e a Stock correram no mesmo dia em horários diferentes. Isso fez com que o apaixonado, como é meu caso, ficasse acordado desde as 03h30min da manhã até as quase 08h00min da noite. É uma maratona sem fim, mas que vale a pena.

Começando pela Fórmula Um, a corrida já prometia desde os treinos. Com as duas Mercedes voando na pista chinesa e, se o mecânico não erra na troca de pneus do Schumacher, muito provavelmente eles fariam uma dobradinha no pódio. Pior pra McLaren que teve que se contentar com o segundo e terceiro lugares. Bom pro Hamilton que assumiu a ponta do campeonato. Foi uma das melhores corridas dos últimos anos, teve muita disputa principalmente depois da primeira troca de pneus de alguns e da tática de ficar na pista de outros. As estratégias foram bem escolhidas e deram resultado para a maioria, pois todos ainda têm muita coisa pra mostrar porque estão ali. Em resumo, as grandes equipes têm agora a companhia da Mercedes, as médias começam a incomodar e as pequenas deveriam estar na GP2.

Todos agora vão para o Bahein, que vive em estado de guerra ainda por causa dos ventos da primavera árabe, mas garantem os promotores que tudo vai dar certo. Essa mesma certeza é que move a Ferrari a encontrar o caminho e o Felipe a acertar a mão com esse carro. As coisas começam a incomodar mais a partir do momento que ele é o único piloto, tirando os seis das equipes pequenas, a não marcar pontos em nenhuma corrida desse ano.

As cornetas na Itália já tocam fortes, mas achar que a Ferrari vai trocar de piloto agora é muita pretensão, se a fase continuar tão ruim pode acontecer mesmo no fim do ano, antes acho muito difícil afinal a imagem do Felipe esta ligada a outros produtos e não somente a corridas. No intuito de preservar o desgaste pela falta de resultados, um dos patrocinadores, o banco Santander, já tomou uma atitude: substituiu o comercial que ele entregava quentinhas em Interlagos por um do Pelé. Resolve? Não, mas ameniza.

Isso não é tudo, tem ainda a inevitável comparação com o Bruno Senna, que na Williams vem fazendo um ótimo trabalho, levando-se em conta que ele tem menos tempo pra treinar que o Maldonado, pois na sexta-feira Bruninho tem que deixar o piloto de provas andar um pouco. O Bruno, como eu havia previsto antes, vai fazer um bom campeonato esse ano, não ao ponto de disputar titulo, mas chegar bem perto de beliscar um pódio.

Vamos ver o que acontece no Bahrein já nesse fim de semana, onde acaba a pré-temporada valendo pontos, pois esse tour por países da Oceania e oriente é mais um caça muitos níqueis que tio Bernie faz todo começo de ano e, convenhamos, o campeonato realmente começa na Europa.
Já no Brasil, a Stock car foi para Curitiba fazer sua segunda etapa de 2012. Tirando o horário terrível das 09h30min da manhã, que para os pilotos deve ser o inferno na terra, nada muda em relação à competição em si. Quem treina bem vai se dar muito bem na corrida, fica muito difícil imaginar alguém que saia de uma vigésima posição chegar em primeiro. Dessa vez o Valdeno ganhou com méritos e o Kodhair chiou com a penalização. Continuam todos contra o Cacá, mas ele vem comendo pelas beiradas.

Em Long Beach a Indy desembarcou pra esquentar a disputa e chamar a atenção para a corrida de São Paulo no fim do mês. Não foi aquela Brastemp e fez lembrar a Fórmula 1 de alguns anos. A diferença é mesmo a qualidade de alguns pilotos que correm nos EUA, na grande maioria são realmente pilotos, mas tem também vários motoristas domingueiros. Pior para os brasileiros que remam no meio de um bando de malucos. O Tony ainda se deu bem, chegou entre os dez, mas o Barrichello e o Helinho terminaram a etapa sem cruzar a linha de chegada, presos num congestionamento provocado pelo toque de um brasileiro em outro. Acredito que esta na hora da Indy realmente filtrar algumas coisas, brecar alguns sujeitos e abrir espaço para talentos novos.

Tem gente muito boa chegando, esse ano na Indy light tem um brasileiro que já deu trabalho no ano passado e esta crescendo rapidamente. Guarde esse nome: Victor Carbone, vamos ainda ouvir muito falar dele. É disso que a Indy precisa: substituir pilotos por pilotos, afinal é uma categoria top internacional.

Vou ficando por aqui, na semana que vem vou contar uma história que aconteceu comigo entre um grande premio e outro, e o personagem principal é o Ayrton Senna.

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*A coluna publicada neste site expressa a opinião de seu autor.

Foto: Mercedes GP/Divulgação.

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