Chega de “nhem, nhem, nhem”

14 de maio de 2012

Acompanhe no Carros e Corridas mais uma coluna Velocidade, do jornalista Robério Lessa.

“Idiota”!

Esse foi o adjetivo usado pelo heptacampeão mundial de Fórmula Um, Michael Schumacher, para definir o piloto brasileiro Bruno Senna após acidente no Grande Prêmio da Espanha, disputado neste domingo (13).

Longe de qualquer traço de idiotia, Bruno Senna foi mais uma vítima da arrogância de um piloto que, a cada corrida, macula sua história no automobilismo quando tenta se escudar nas ofensas e na tentativa de imputar aos outros os seus pífios resultados nas corridas.

Hoje ele não é mais o astro rei e os outros atores da F-1 não orbitam mais ao seu redor, mas esqueceram de avisá-lo. Schumacher pensa ainda ser o centro das atenções.

A arrogância do germânico revela um traço de sua personalidade mal acostumada aos revezes.

Após se afastar da Fórmula Um e retornar quando a categoria busca um maior equilíbrio, falta a Schumacher compreender que ele se tornou um ator coadjuvante. Nem mesmo na Mercedes ele consegue ser o centro das atenções e é constantemente ofuscado pelo compatriota Nico Rosberg, que deu a primeira vitória do time alemão (em retorno à F-1 após sua saída nos anos de 1950) e tem uma vantagem de 39 pontos na classificação do campeonato.

Schumacher se acostumou, e mal, a ser o primeiro piloto. Na Ferrari dava as cartas e exercia o poder sobre a escuderia italiana a ponto de causar constrangimento quando Rubens Barrichello praticamente era obrigado a parar seu carro e permitir a passagem dele, apesar de mais lento.

Hoje ele é mais um piloto dentro da pista e pensa que pode mandar em todos e sair chutando o pau da barraca e ofendendo quem o “atrapalhe”.

Barrichello já foi espremido no muro, Kobayashi teve o carro destruído, os pneus Pirelli foram satanizados, agora é Bruno Senna o alvo de sua ira.

O fato é que Schumacher não pode esperar que Bruno parasse o carro para sua ultrapassagem. O piloto da Williams tentava manter-se na pista com os pneus desgastados e, habilidosamente, lutava a cada curva, antecipando a freada para poder sair na frente do oponente.

Pela regra do automobilismo o piloto não pode mudar duas vezes sua trajetória parta defender sua posição, no entanto, para fazer a curva ele pode buscar o melhor traçado, desde que deixe espaço suficiente para que o oponente possa passar, preservando o espaço de um carro. E foi isso que Bruno fez.

A prova patente de que Bruno não cometera irregularidade veio ainda na tarde do domingo, quando a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) puniu Schumacher com a perda de cinco posições no Grid de largada da próxima corrida (O GP de Mônaco) por ter causado o acidente.

Com a chegada da fase européia, as equipes da Fórmula começam a pensar em quem vai ocupar as vagas para a temporada de 2013 e Schumacher começa a virar carta fora do baralho.

O fraquíssimo desempenho do alemão não justifica sua permanência na escuderia que quer repetir sua história vitoriosa dos tempos de Juan Manuel Fangio. O Schumacher de sete títulos (1994, 1995, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004), 91 vitórias, 154, 68 poles, 76 voltas mais rápidas, em nada se parece com o de hoje.

Já passou da hora de deixar de “nhem, nhem, nhem” e procurar fazer o que faz Kimi Raikkonen, que também retornou à F-1 após uma breve aposentadoria, mas que, ao contrário de Schumacher, busca a cada corrida se adaptar a nova fase vivida pela categoria. O finlandês é o quarto colocado no mundial de pilotos com 49 pontos, enquanto que o alemão amarga a décima sexta posição com míseros dois pontos.

A propósito. Quem está bancando mesmo o “idiota”?

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