A Venezuela entra no mapa!

15 de maio de 2012

Acompanhe no Carros e Corridas a nova coluna do jornalista Eduardo Abbas.

O mundo da Fórmula 1 teve que esperar 62 anos para saber a onde fica a Venezuela. Esse pequeno país sul-americano deu uma grande lição ao gigante brasileiro nesse fim de semana na Espanha. Da cidade de onde partiu o italiano Cristovão Colombo para descobrir a América, não se poderia supor que uma de suas colônias faria festa em terras Catalãs.

O antes piloto-pagante Pastor Maldonado teve um fim de semana perfeito para as pretensões da Williams. O comandante e dono da equipe comemorava os seus 70 anos de vida assim meio que sem esperar um grande presente, mas reviveu nas mãos desse jovem piloto a velha equipe que dominou o fim dos anos 80 e inicio dos 90, com direito até a emoção além pista, porque um incêndio destruiu os boxes da equipe.

A corrida teve uma temperatura variável, começou morna, esfriou e perto do fim ferveu, mostrou o que todo mundo já sabia, pois é a casa da maioria das equipes na pré-temporada e todo mundo sabe de cor e salteado o que acontece em cada curva e reta.

A Ferrari, com o Fernando Alonso esta acordando do sono que teve no inverno e parece que vai começar a dar trabalho. McLaren e Red Bull se atrapalharam em suas táticas e abriram caminho para quem vem de trás fazer a emoção do campeonato, afinal, é um dos mais disputados dos últimos anos, foram 5 vencedores em 5 etapas, 2 deles pela primeira vez. Os novatos estão fazendo realmente a diferença, o grid agora tem realmente vários pretendentes à vitória, todo mundo tem chance de chegar lá, veja o caso da Renault, bateu de novo na trave, uma hora ela entra!

O pior, infelizmente, esta sendo para os brasileiros. Oriundos de um país que simplesmente esqueceu que o esporte se forma na base, Massa e Bruno observam seus companheiros de equipe se distanciar cada dia mais. Alonso e Maldonado já ganharam corridas esse ano, tem uma ótima pontuação no campeonato e, apesar de afirmarem e confirmarem a competência de seus companheiros na arte de pilotar um carro, a diferença entre eles abre as portas para especulações e fofocas cada dia mais freqüentes na categoria.

Ninguém aprende nem desaprende a pilotar do dia pra noite, mas esta faltando aquele algo mais para os nossos representantes. Felipe vive a pior fase da carreira na Fórmula 1, tem apenas dois pontos no campeonato e viu nessa corrida seu companheiro colocar uma volta de vantagem sobre ele. As cornetas que estavam quietas já falam em ter que mostrar a que veio na próxima etapa em Mônaco. Acho cedo demais, até porque o carro não é aquela maravilha, acontece que num mundo de negócios o grande lance é comer pelas beiradas, mas pelo jeito a sopa esta muito quente e a batata já esta quase assando.

Sobrou também pro Bruno Senna, dentro e fora da pista. Depois de ser atropelado pelo Schumacher, já começaram a falar sobre ele deixar a equipe antes do fim do ano. Tá certo que a fonte é meia-boca, o Mika Salo não pode ser considerado nenhum gênio, mas começar uma fogueira pode ser sinal de incêndio se não tentar apagar, enfim, jogar gasolina e riscar fósforos é meio comum no automobilismo, e olha que o Bruno não fez nada de errado e tem 14 pontos no campeonato.

Eu não acredito que nenhum deles seja retirado do banco antes do fim do ano, apesar de que tem grana e gente com talento chegando e na hora de fechar as contas isso faz muita diferença. Sinto apenas que os garotos cogitados não sejam brasileiros. Vai ser uma calamidade se não tiver ninguém representando o Brasil na categoria mais importante, mas serve de alerta: todos esses países europeus dão muita atenção à base, se preocupam em criar e formar não apenas pilotos, mas campeões, coisa que esquecemos ou que nunca realmente fizemos.

A política de kart e fórmula no Brasil não existe, aqui estamos apenas preocupados em criar pilotos para as categorias turismo, é mais fácil, não se precisa investir quase nada e os resultados são, na maioria das vezes, imediatos. É muito diferente da fórmula que, como um diamante em bruto, precisa ser lapidado até ter brilho. Eu sou otimista, um dia tudo vai mudar e para muito melhor. O futebol depois da copa de 70 era assim, meio que marginal, mas foi só maravilhar o mundo em 82 que os olhos mudaram e hoje é o que é no mundo.

Continuo acreditando que a vitória do Maldonado além de merecida deve servir de sinal de alerta, afinal temos 8 títulos mundiais, muitos kartódromos e autódromos, por que temos que passar por isso? É pra pensar no caminho do trabalho!

A gente se encontra na semana que vem!

Beijos & queijos

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Fotos: Williams F-1/Divulgação.

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