Carlos Col faz críticas à CBA em entrevista ao Carros e Corridas

20 de junho de 2012

Ex-piloto e hoje um dos homens mais influentes no automobilismo brasileiro,  Carlos Alberto Col fala, com exclusividade para o site Carros e Corridas.

No comando da Vicar, empresa promotora da Stock Car, Copa Montana, Mini Challenge, Brasileiro de Marcas e F-3 Sulamericana, o empresário revela que tem interesse em contribuir para o crescimento do automobilismo na região Nordeste, e faz criticas à Confederação Brasileiro de Automobilismo (CBA), que , na sua opinião, deveria  fazer mais para alavancar o esporte motor na região.

O empresário não poupa a entidade e lembra que ela deveria fazer mais pela segurança dos autódromos brasileiros.

Acompanhe a entrevista:

Carros e Corridas  – A região Nordeste está nos planos da Vicar? Além da Bahia, há interesse em trazer provas para Caruaru (PE) e Eusébio (CE). Com essa nova estruturação da Fórmula Três, há chances de correr no nordeste, já que há vários pilotos em formação nesses estados?

Carlos Col – Certamente a Vicar tem interesse em fazer automobilismo em todo o território nacional, existe porem alguns fatores a serem considerados. O automobilismo na região nordeste precisa de uma fase de desenvolvimento que o coloque no patamar que merece. Pelo menos um autódromo por estado e um número maior de kartódromos é altamente desejável, além de um projeto de fomento da prática do nosso esporte na região. Para isto é necessário um projeto bem estruturado e um forte apoio às federações locais para a sua implementação. Gostaria de ter visto a CBA fazer isso, mas não houve qualquer ação consistente neste sentido. Outra questão a ser considerada para que campeonatos brasileiros corram no nordeste é a barreira da distância e o consequente custo de logística para equipes e pilotos. Mas se existirem autódromos de bom nível, preferencialmente nas capitais, os patrocinadores se interessarão e as verbas necessárias surgirão.

Carros e Corridas  – O Senhor acha que a Stock Car conseguiu mudar a forma como as pessoas vêem o automobilismo brasileiro, que antes tinha como saída às portas de embarque dos aeroportos?

Carlos Col – Sim, tenho certeza disto. A categoria tornou-se referencia para o automobilismo nacional, promovendo um avanço considerável de profissionalismo. Hoje vários pilotos podem exercer sua profissão com ótima remuneração no seu próprio país. Isto só foi possível com a conquista de credibilidade junto ao mercado.

Carros e Corridas –  Como as categorias como a Stock podem ajudar na formação de pilotos? O senhor acredita que este ano o surgimento de novas categorias de formação vai ajudar ao desenvolvimento do automobilismo brasileiro?

Carlos Col –  A Stock Car tornou-se “aspiracional” e isto tende a motivar os pilotos das categorias de base. O problema é que está havendo certa proliferação de categorias homologadas como campeonatos brasileiros, sem um planejamento para ocupação dos nichos de mercado existentes provocando um sistema autofágico, onde há uma disputa frenética por patrocinadores pelos pilotos e promotores de eventos. O correto seria valorizar mais a homologação de campeonatos brasileiros reduzindo o número de categorias, deixando-as mais saudáveis duradouras e “aspiracionais”. De outro lado ter um plano de fortalecimento das categorias estaduais, estas sim com forte poder de formação de pilotos e desenvolvimento do automobilismo brasileiro. Não se pode inverter a pirâmide.

Carros e Corridas –  Falta uma política mais clara de incentivo fiscal para o automobilismo? Como o empresário pode investir no automobilismo? Há retorno?

Carlos Col – O que existe hoje é um incentivo fiscal em âmbito federal possibilitando as empresas aplicarem 1% do IR devido. Ocorre que somente empresas de porte muito grande podem viabilizar patrocínios relevantes. Por outro lado existem alguns poucos estados que já tem leis de incentivo baseadas no recolhimento de ICMS, neste caso 4% do imposto devido, abrindo mais possibilidades. Cada vez mais os empresários enxergam no automobilismo um canal de comunicação com seu público consumidor.

Carros e Corridas –  Na Argentina, por exemplo, há maior envolvimento das montadoras no automobilismo. Falta isso no Brasil?

Carlos Col – Realmente as montadores ficaram muitos anos afastadas do automobilismo brasileiro por não enxergar um trabalho sério que pudesse justificar investimentos. Inconformada com esta situação a Vicar lançou no ano passado o Campeonato Brasileiro de Marcas, que pretende reconquistar as fábricas e estender este apoio para os campeonatos regionais de marcas.

Carros e Corridas –  E quanto à segurança dos carros e dos autódromos. Como a Vicar tem tratado o assunto? Os pilotos ajudam nessas discussões? Qual a relevância da opinião dos pilotos e demais membros das equipes?

Carlos Col – O assunto segurança deve estar constantemente na pauta do automobilismo, uma vez que se trata de um esporte de risco. Pilotos, equipes, engenheiros e fabricantes participam na discussão deste assunto com a Vicar. Já a segurança dos autódromo brasileiros é um problema sério. Esta é uma responsabilidade da CBA, que deveria fazer constantes vistorias, cadernos de encargos, ação institucional juntos aos governos e prefeituras para revitalização dos autódromos e somente homologar aqueles que tenham atendido as condições necessárias para receber eventos nacionais, dentro de prazos factíveis.

Enquanto isto não acontece a Vicar faz o que pode. Fez intenso trabalho junto ao prefeito de Londrina, em conjunto com a federação estadual, para recapear a pista, asfaltar áreas de escape e amarrar barreiras de pneus. Tarumã esta sendo reformado com apoio financeiro e técnico da Vicar, também em cooperação coma a Federação. O desativado autódromo de Cascavel está sendo reformado por iniciativa da prefeitura com contribuição técnica da Vicar. Várias outras iniciativas neste sentido têm sido realizadas.

 Fotos: Fernanda Freixosa/Vicar-Divulgação.

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