Entrevista com Márcio Dobel

15 de outubro de 2012

Tricampeão Cearense de Kart, Márcio Dobel conquistou seu último título da Fórmula 400 faltando duas etapas para o encerramento da temporada.

Com um início arrebatador, Márcio venceu três etapas seguidas e, após duas corridas sem vencer, voltou a ocupar o lugar mais alto do pódio e comemorar mais uma conquista.

O Carros e Corridas conversou com o campeão e apresenta agora esta entrevista.

Carros e Corridas – Como você entrou para esse mundo corrido das competições?

Márcio Dobel – Foi por acaso, comecei a andar no kart somente para realizar um sonho, comecei a gostar da brincadeira e como eu sou uma pessoa que gosta de competição, passei a competir, sempre gostei de desafios, saber até onde vai o meu limite.

C e C – O que de fato o motivou a pilotar Kart?

MB – Adrenalina, desafiar o limite.

C e C – Alguém de sua família tentou convencer você a não competir no automobilismo?

MB – Não, sempre recebi apoio total da família (esposa e filhos), as vezes quero parar mas eles pedem para que eu continue, principalmente meus dois maiores torcedores, a esposa (Ana Eugênia) e filho (Rodrigo Dobel).

C e C – No kart você conquistou três títulos, sendo dois seguidos. Que recordação você traz de cada um deles? Tem algum mais especial que outro?

MB – A cada conquista tem um sabor diferente, o primeiro foi show. Eu e meu filho largamos na primeira fila e ganhamos a corrida, eu na minha categoria (Fórmula 400) e ele na dele (Fórmula 400 Light). O segundo título foi gratificante, uma conquista que me deu mais confiança, foi uma confirmação de minha capacidade como piloto. E esse terceiro foi uma reafirmação do segundo título, foi a prova de tudo.

C e C – Alguma vez você teve medo em competir ou essa palavra tem que ser retirada do vocabulário de um piloto?

MB – Não, competição onde tem velocidade não se pode ter medo e sim prudência.

C e C – No automobilismo, assim como em outro esporte competitivo, pode haver algum desentendimento. Você acha que é possível competir sem criar inimizades?

MB – Em todo esporte, seja lá qual for, só existe competição se houver rivalidade entre os competidores, isso é que motiva a competição, mas nunca podemos deixar de esquecer que o seu rival dentro da competição é um ser humano igual a você, por isso temos que ter respeito aos nossos adversários. Dentro do kart tenho boas amizades e isso ainda é um dos motivos que fazem continuar correndo, então é possível sim competir sem criar inimizade, competir sim, brigar jamais, este é o espírito do esporte, temos que reconhecer os vitoriosos e aceitar as derrotas, isto faz parte de nossas vidas.

C e C – Que análise você faz do Kart e do Automobilismo Cearense nos dias de hoje?

MB – No kart esta faltando uma categoria de base. O futuro de qualquer esporte sempre será a nova geração. Já no autódromo o que eu pude observar foi a evolução da categoria marcas e por outro lado o declínio na ST.

C e C – O que falta ao automobilismo cearense?

MB – Investimento, patrocinadores, incentivo, precisa-se ter um planejamento sério.

C e C – Você pensa em deixar o Kart algum dia?

MB – Sim, tudo na vida tem um fim.

C e C – Passa pela sua cabeça pilotar em outras categorias?

MB – As vezes bate uma vontade de pilotar em outras categorias sim, mas a paixão pelo kart é grande.

C e C – Qual seria o maior sonho do piloto Márcio Dobel ?

MB – Um sonho, não sei informar. As coisas vão acontecendo naturalmente, quem sabe disputar um Brasileiro de kart em busca de um pódio. Vivo um sonho de cada vez, e este ano realizei dois, que foi uma boa colocação, o terceiro lugar na Copa das Federações e o tricampeonato cearense.

C e C – E da Pessoa, do Homem Márcio Dobel?

MB – Um mundo melhor, com muita paz e saúde.

C e C – Como foi disputar a Copa das Federações e ser o cearense mais bem colocado?

MB – Foi muito bom, valeu a experiência e serve de exemplo para mostrar que podemos competir de igual para igual em outros estados, a qualidade dos nossos pilotos não deixar a desejar a nenhum outro estado, podemos chegar lá e ganhar.

C e C -Preparado para disputar a próxima edição da Copa das Federações?

MB – Sim, a competição já é agora no final de novembro, tenho que aproveitar esta boa fase.

C e C -. Você se sente mais pressionado por conquistar dois títulos seguidos e ser visto como o piloto a ser batido? Você não sente que pode ter todos contra você na pista?

MB – Ao contrário, esse título tirou foi a pressão, não preciso provar nada a ninguém.

C e C – Como é disputar corridas com garotos tão competitivos como Breno Almeida, Kinho e Pedro Porto?

MB – Olha, não é fácil, essa molecada tem dado trabalho e cada ano que passa eles vão adquirindo mais experiência e isso vai dificultando cada vez mais.

C e C – Qual conselho você daria aos que o têm como referência?

MB – Corrida não se ganha na largada e nem na primeira volta, tem que usar a cabeça (risos).

C e C – Quem te conhece percebe que você é uma pessoa séria e centrada. Isso ajuda nas Pistas?

MB – Com certeza, você tem que estar focado no seu objetivo.

Fotos: Robério Lessa.