O carro mais rápido do oeste

19 de novembro de 2012

                                    

Acompanhe no Carros e Corridas a nova Coluna do BorrachaPor Eduardo Abbas.

Mais um fim de semana daqueles pra não se esquecer. A Fórmula 1 colocou os pés na America como se deve, arrastou um público de mais de 120.000 pessoas e mostrou ao mundo uma grande corrida na disputa pelo título mundial da mais importante categoria do automobilismo.

Foram 56 voltas de muita briga, conforme eu já havia previsto na semana passada, pra mostrar quem deve ficar e quem deve sair, quem vai ganhar as láureas desse ano e quem vai chorar as pitangas no boxe. Dentro da pista tudo aconteceu conforme o script traçado pelo papai Bernie na terra do tio Sam, mas, nos bastidores uma coisa me incomodou demais. É por essas e outras que hoje, não tenho a menor vontade de torcer pela Ferrari. Não é justo o que foi feito com o Felipe Massa, muito pelo contrário, é uma sacanagem sem tamanho que não tenho referência de ter visto outra igual nesse quase 40 anos que acompanho a categoria.

Ora, tudo bem que o Alonso esta brigando ponto a ponto com o Vettel, acho normal a troca de posições na pista, um piloto segurar o outro, enfim, tudo dentro da normalidade e das jogadas estratégicas para favorecer o companheiro, mas daí a chegar ao ponto de desclassificar um piloto pro outro largar uma posição à frente já passa do aceitável. Deliberadamente a Ferrari violou o lacre do câmbio do Massa pra ele perder 5 posições e favorecer o Fernandinho, que por causa dessa manobra poderia largar mais a frente e ter uma melhor chance na corrida. Quem viu a largada pode comprovar que a decisão de se fazer isso foi no mínimo equivocada. Ele sempre larga melhor que os outros e já era quarto antes da primeira curva. Eu acredito que a regra esta errada, a FIA deveria punir a equipe por essa atitude que é no mínimo escrota, não só com relação ao seu segundo piloto, mas no conjunto da obra. Isso seria mais ou menos como tirar um sapato do pé de um corredor durante uma maratona. Coisa triste e lamentável, tática fora do esporte, atitude de pessoas sem o menor escrúpulo com relação a tudo na vida.

Mas, sacanagens à parte, foi um grande prêmio muito bom, como não se via há muito tempo. Entre os carros mais rápidos do oeste brilhou a estrela Hamilton. Não que ele fosse o vilão da história, nem mesmo o mocinho, mas com certeza era o gatilho mais rápido quando precisou ser. O xerife Vettel, que nunca reclama de nada na vida, dessa vez sentiu a viola em caco quando tomou o passão do inglês que nada tinha a ver com a conversa e gritou no rádio que não acreditava no que tinha acontecido com ele. O espanhol, que na verdade parecia estar guiando um taxi pelas ruas de Austin do que um carro de corrida na pista das Américas, pouco ou nada fez durante a corrida, nem mesmo quando teve chance tentou deter o indomável Lewis, que levou no braço e na inteligência o primeiro troféu da pista americana.

O campeonato segue aberto. Com tem 13 pontos de vantagem do alemão Vettel pro chorão espanhol, eles chegam essa semana a Interlagos pra fechar o campeonato na pista mais imprevisível de toda a temporada. Agora o desenho é outro, os segundos pilotos não vão fazer muita diferença na corrida, aliás, quase nenhuma. A conta é fácil, o Alonso tem que ganhar ou ganhar e o Vettel chegando em quarto leva o tricampeonato. Isso no melhor dos mundos, agora, se tiver outro vencedor as combinações sempre serão mais fáceis e favoráveis ao germânico.

Vou ficando por aqui querendo saber aonde vamos chegar com o chamado “automobilismo brasileiro”. O pequeno espaço reservado para o esporte à motor corre um sério risco de ser drasticamente reduzido no ano que vem. Muitas categorias já pagam pra passar e as que se sustentam de graça em algumas emissoras estão a mercê de ficarem à pé por causa do futebol, então, aí vai a pergunta: está tudo certo? Não vai ser feito nada? O esporte motorizado precisa de um projeto sério e é pra ontem!

A gente se encontra na semana que vem!

Beijos & queijos.

Eduardo Abbas, um dos mais respeitados profissionais de imprensa, especializado em automobilismo e industria automobilística. Dentre suas realizações destacam-se a criação e direção do programa Linha de Chegada, a direção do programa Grid Motor, a produção da Stock Car e toda parte de motorsport do canal Sportv. Abbas foi também produtor da Fórmula Um na Rede Globo desde 1990 e é atual membro da ABIAUTO (associação brasileira da imprensa automotiva). Também atua como consultor na área de comunicação e automobilismo.

Escreva para o colunista: coluna.site@gmail.com
Acompanhe Eduardo Abbas no Twitter: @borrachatv

*A coluna publicada neste site expressa a opinião de seu autor

Foto: Divulgação.

Tags: