Campeonatos regionais seguem sem apoio das montadoras

10 de janeiro de 2013

Acompanhe agora no Carros e Corridas mais uma coluna Velocidade  do jornalista Robério Lessa.

Hoje recebi um release da GM (Chevrolet) e achei que se tratasse de um novo lançamento, mas estava redondamente enganado, se tratava do patrocínio a 20 campeonatos estaduais de futebol.

Nada contra ao futebol e a iniciativa da empresa em patrocinar o “esporte bretão”, que deve dar um grande retorno midiático, não obstante, não me lembro da GM anunciando patrocínio a campeonatos regionais de automobilismo.

Ora  amigos leitores!

Ano passado a empresa bancou a Copa Montana, mas fora sua ligação com as grandes categorias não vejo maior apoio nas categorias onde nascem os futuros campeões.

Faço a crítica mencionando o caso, mas nem ela, tampouco outra montadora tem se envolvido na formação de pilotos, e aí querem que o país que consome cada vez mais novos carros tenha futuros campeões na Fórmula Um.

O surgimento de novos talentos depende muito desse apoio. Não temos um futuro animador para nossos pilotos em categorias internacionais que dependem cada vez mais do aporte financeiro dos papais milionários.

É no automobilismo regional onde vemos os Gols, Celta, Corsa, Ka, Uno, Palio, 306, Clio e outros carros do nosso cotidiano formarem grids sem o mínimo de apoio das montadoras.

Aqui no Ceará, nos anos 1970 e 1980 as concessionárias tinham equipes fortes e a disputa nas pistas era estratégia de marketing para arregimentar novos clientes.

Eu queria saber qual o apoio os pilotos do Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Ceará, Pernambuco, e outros estados têm das montadoras?

Há redução de IPI para quem tira do bolso uma boa grana e, queira ou não, vai acabar representando essa marca nas pistas?

Há alguma facilidade na venda de peças para clubes do esporte motor?

Só para lembrar, está lá no release da GM “No Brasil a GM fabrica e comercializa veículos com a marca Chevrolet há 87 anos. Em 2012 a Chevrolet vendeu no país 642.649 veículos. A companhia tem três Complexos Industriais que produzem veículos em São Caetano do Sul e em São José dos Campos, ambos em São Paulo, além de Gravataí (RS).

A Confederação Brasileira de Automobilismo não poderia abrir um diálogo com as montadoras?

Vamos fazer um cálculo hipotético. Se os 12.079 pilotos em todo o Brasil (dados da Confederação Brasileira de Automobilismo- CBA) gastassem, por corrida, apenas R$5.000 teríamos a soma de R$60.395.000,00!

Uma máquina de fazer dinheiro não?

Tá passando da hora de tratar o automobilismo regional com o devido respeito. O automobilismo é um arranjo produtivo, movimenta muito dinheiro, e mexe com o sonho do ser humano de dominar a máquina e ultrapassar limites, que por enquanto vai sendo o limite do cheque especial!

Até a próxima!

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Foto: Robério Lessa