“Não tive tempo de processar tudo o que aconteceu”, disse Tony Kanaan

29 de maio de 2013

IndyCar, IMSO piloto Tony Kanaan concedeu entrevista, através de teleconferência, na noite desta quarta (29). Dos Estados Unidos, o vencedor da 97ª edição das 500 Milhas de Indianápolis respondeu as perguntas de vários jornalistas brasileiros.

O Carros e Corridas participou da entrevista na qual Tony mostrou que ainda está curtindo muito o grande momento vivido por ele iniciado após a bandeirada das 200 voltas no Indianapolis Motorspeedway.

“Não tive tempo de processar tudo o que aconteceu, foi um fim de semana muito bom, eu estava confiante em fazer uma boa corrida. Ninguém apostava na gente. Ficamos de fora dos holofotes, o que foi bom porque não tive pressão nenhuma”, disse Tony ao início da entrevista.

Tony KanaanAo ser questionado sobre a corrida de São Paulo, na qual uma falha em seu carro tirou a chance de vitória, ele fez questão de repetir o que já tinha dito em outras ocasiões e lembrou que o ocorrido pode acontecer com qualquer equipe e naquele momento serviu para o crescimento de todos. “Foi uma decepção pra eles a corrida de São Paulo. Eles sabiam que era muito importante pra mim e ficaram muito chateados. Não é só o piloto, é a equipe que ganha e perde corridas. Nada melhor que rebater uma derrota com uma grande vitória. Depois daquele dia trabalhamos o mês inteiro para ter um carro competitivo em Indianápolis. Eu sabia que tinha um bom carro. O carro está bom, a gente avançou no campeonato, quem sabe a gente pode ganhar novo. Estamos construindo a equipe mais competitiva. Tenho o engenheiro que quero, os mecânicos que quero, pessoa de qualidade. Não temos um grande orçamento, mas a qualidade das pessoas dos profissionais é muito boa e isso conta”.

Tony Kanaan 1Tony venceu a corrida após reassumir a ponta na última relargada. O brasileiro tem se destacado nas relargadas e conseguido surpreender sempre a cada corrida. Questionado se ele dedica um treinamento específico para as relargadas, afirmou que não, e conta com os reflexos e procura antecipar-se aos pilotos que estão à sua frente.

“Na verdade não tenho treino específico. É uma característica minha, o segredo é antecipar o que o que o carro da frente vai fazer, e fiz isso durante toda a corrida. Nessa prova eu sabia que seria uma corrida muita competitiva queria andar sempre entre os seis primeiros, eu já passei por tantos problemas e me surpreendi de não ter tido nenhum ao longo de toda a corrida”.

TK01Após a vitória o brasileiro presenteou o ex-piloto e amigo Alessandro Zanardi com o capacete que usara na prova. Tony contou que queria retribuir a visitou que recebera do atleta paraolímpico em seu motor home. O italiano fez questão de levar a medalha de outro que conquistara em uma prova de paraciclismo nos Jogos Paraolímpicos de Londres, em 2012, para dar sorte ao piloto. (Zanardi perdeu as pernas em um acidente em uma corrida pela Indy, na Alemanha em 2001).

“A história da medalha foi uma história muito legal. O Zanardi apareceu no domingo de manhã para ver minha corrida. Ele ganhou o carro da Chip Ganassi, o carro que foi campeão naquele, aí ele aparece com uma caixa preta. Era a medalha de ouro que ele ganhou na paraolimpíada. Ele disse para eu esfregar um pouco em meu braço para dar sorte, então passei em todo o corpo e fiquei deitado com ela antes da prova. Eu quis retribuir a ele com meu capacete da vitória, e disse “você merece levar isso com você”, nós dois nos emocionamos muito”.

_MG_3169-2Perguntado sobre o restante da temporada e sobre os patrocínios após a vitória nas 500 Milhas de Indianápolis, Kanaan disse que espera que outras oportunidades possam aparecer para a próxima temporada e disse que o objetivo é permanecer correndo na categoria.

“Meu objetivo é continuar correndo, quando você atinge os objetivos que espera alcanças você precisa de outros. Agora queria era arrumar um contrato para o ano que vem, a gente conseguiu o patrocínio para o resto da temporada, espero continuar na categoria. A luta de patrocínio é uma luta constante desde que perdi a 7Eleven, eu ainda tenho que contribuir com o patrocínio anual da equipe, a não ser que alguém me contrate de novo como antigamente. Hoje eu conto com o apoio da Itaipava e da Braskem, mas eu vou precisar decidir o que vou fazer da minha vida no final do ano”.

Tony lembrou que hoje a situação da maioria das equipes do automobilismo mundial necessita que os pilotos acabem tendo que levar patrocinadores por conta da atual situação financeira em todo o mundo.

Tony  Kanaan“Essa questão de ter de arranjar patrocinador é uma questão imposta pela situação financeira mundial. No Brasil e no mundo inteiro, infelizmente, não correr atrás. Não podemos apenas ficar lamentando, pensando no porque de estar sendo injustiçados e ter de correr atrás. Agora é aproveitar essa vitória e ajudar a conseguir outros patrocinadores”.

Neste fim de semana a Fórmula Indy desembarca em Detroit para uma rodada dupla (Duas corridas em um fim de semana) e, a opinião do brasileiro, o maior desafio será a parte física. “Eu não sou fã de rodada dupla. São duas corridas inteiras em três dias. Vai ser fisicamente difícil, todos os pilotos estão preocupados, mas vamos ver como vai ser. Em termos de preparação física estou bem preparado”.

41BK7031AConfira o retrospecto de Tony Kanaan nas 500 Milhas de Indianápolis, que foi a sua 16ª vitória na F Indy:

2002: Largou (5) Finalizou (28) Liderou (23 voltas) * bateu
2003: L (2) F (3) Liderou (2 voltas)
2004: L (5) F (2) Liderou (28 voltas)
2005: L (1) F (8) Liderou (54 voltas)
2006: L (5) F (5) Liderou (12 voltas)
2007: L (2) F (12) Liderou (83 voltas)
2008: L (6) F (29) Liderou (12 voltas) * bateu
2009: L (6) F (27) Liderou (0 voltas) * bateu
2010: L (33) F (11) Liderou (0 voltas)
2011: L (22) F (4) Liderou (0 voltas)
2012: L (8) F (3) Liderou (7 voltas)
2013: L (12) F (1) Liderou (34 voltas).

Fotos: IndyCar/Divulgação.

Agradecimentos: MP Team/Anderson Marsili e Natália Dutra Costa.