Sonhos e Pesadelos

19 de junho de 2013

Olá, amigos do Carros e Corridas.

Mensalmente escrevo para o site Nobres do Grid, que abriu espaço para divulgar as informações do automobilismo nordestino. Hoje eu reproduzo aqui no Carros e Corridas a coluna deste mês de maio, na qual falo sobre o o Brasileiro de Kart, e a tragédia na cidade de Carpina.

Confira a coluna: Estamos há quase um mês para a realização da segunda fase do 48º Campeonato Brasileiro de Kart (a primeira fase acontece em Serra, região Metropolitana de Vitória, no Espírito Santo) no Kartódromo Internacional Júlio Ventura, na cidade do Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza no Ceará competição que tem despertado o interesse de centenas de pilotos, muitos deles com o sonho de seguir, quem sabe, as trilhas iniciadas por Emerson Fittipaldi. E o que era promessa, começa a se tornar realidade e as reformas prometidas já dão mostras de que o palco cearense estará pronto para receber os grandes atores desse espetáculo.

Cumprindo as exigências da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) para a realização da etapa nos dias 22 a 27 de julho, a direção do Cekart, que administra o kartódromo já concluiu a obra mais importante, o novo asfalto da pista cearense.  Agora o traçado recebeu um asfalto totalmente novo, inclusive na área de Boxes. Andei ao lado da pista e chama atenção a qualidade da camada asfáltica, onde, não se percebe imperfeições e, graças ao trabalho de uma moderna máquina de pavimentação, o engenheiro responsável assegura que ela não terá nenhum “bump”.

Após a conclusão da nova pavimentação, é preciso esperar a cura do asfalto, que leva 25 dias, para que os pilotos voltem a treinar na pista, que só será aberta no dia cinco de junho. Outras obras continuam como as zebras, que serão totalmente refeitas, a torre de cronometragem, que será ampliada, e também a sala de imprensa, além de uma nova pintura geral do kartódromo, estão em andamento.

A boa notícia dessas bandas de cá do Brasil contrastam com as de duas semanas atrás, quando o kart esteve associado ao irresponsável desejo de auferir lucros em nome do esporte, onde sem qualquer senso de responsabilidade dos organizadores e dos que permitiram a realização daquela nefasta corrida no município pernambucano de Carpina.

Não poderia deixar de registrar minha opinião sobre aquela coisa, sim, porque corrida nem de perto deveria ser chamada!

Mas gostaria de traçar estas linhas sob os olhares de quem como Fernando Lopes, morto naquele dois de junho, fazem (fazia, no caso de Fernando) do kart seu “esporte de lazer”, e acabam sendo levados pela “aventura”, pela “emoção” e se esquecem do enorme risco que é correr em um circuito traçado sem a mínima preocupação com segurança, onde são desrespeitadas quaisquer normas basilares para a prática esportiva.

O automobilismo é movido por sonhos, e é aí onde pessoas sem o menor escrúpulo conseguem tirar proveito do desejo de pessoas honestas, inocentes, e, às vezes desinformadas.

Deixando de lado o poder de polícia, acredito que o hiato que separa aquele que sai do kart indoor para a prática irregular, ou clandestina, como queiram, não pode ser ignorado nem pela CBA, FPA, e pelos governos.

Automobilismo não é igual ao futebol que pode ser realizado em um campo improvisado. E isso não precisa ser uma pessoa dotada de QI superior para perceber o quão as duas práticas são diametralmente opostas.

Beira o ridículo saber que aquela coisa recebeu o aval de uma prefeitura!

O que faltou em Carpina está sobrando na Parnaíba. Os amigos leitores já tiveram oportunidade de ler, em minha coluna de maio, o quanto as pessoas da cidade piauiense têm se mobilizado para a construção de um parque multiuso com pista de Kart, Bicicross, auditórios e outras áreas de lazer, tudo porque estão cansados de ter de fazer suas corridas nas ruas da Praia da Pedra do Sal.

Não que lá haja irresponsabilidade, pelo contrário, no traçado a questão segurança não é esquecida, e atrai pilotos dos outros estados, mas falta um kartódromo, e estão correndo atrás desse sonho.

Sonhos, sonhos!

Às vezes o sonho se transforma em pesadelo, mas o pesadelo se transforma em tragédia e os que tombam ficam no esquecimento e, nem sempre, as lições destas tragédias são assimiladas quer pelos responsáveis, pelos irresponsáveis e pelos sonhadores.

Até a próxima.

Escreva pro colunista: roberio@carrosecorridas.com.br

Robério Lessa é Jornalista e editor do site Carros e Corridas.

Fotos: Robério Lessa.