Helio Castroneves em entrevista ao Carros e Corridas

16 de fevereiro de 2014

Helio Castroneves (15)Três vezes vencedor das 500 Milhas de Indianápolis e um dos mais respeitados pilotos brasileiros em todo o mundo. Helio Castroneves é o segundo entrevistado deste mês de fevereiro no Carros e Corridas.

Helinho, como é chamado pelos amigos, também ganhou o codinome de “Spyder Man” por conta das suas efusivas comemorações nas vitórias da Fórmula Indy, em que sobe no alambrado dos circuitos para dividir o momento mágico da vitória com o público que o adotou como um astro. Nos Estados Unidos o paulista de Ribeirão Preto foi acolhido como filho das terras do “Tio Sam” e isso ajudou a enfrentar momentos difíceis e apontar para os jovens pilotos que procuram seguir seus passos, haver outro caminho para um piloto conquistar seus sonhos fora da Europa.

Helio Castroneves (12)Campeão Brasileiro de Kat em 1989, Helio disputou o Campeonato Sul-Americano de Fórmula Três em 1993 e 1994, sendo o vice-campeão. Em 1995 disputou a Fórmula Três inglesa e em 1996 a Fórmula Indy Lights, sendo vice campeão.

Aos 38 anos de idade, Helio Castroneves parte para sua décima sexta temporada na Fórmula Indy. Ele estreou na categoria em 1998, e venceu as 500 milhas de Indianápolis, em 2001, 2002 e 2009. Na categoria ele disputou 270 corridas, venceu 28 delas, conquistou 39 melhores voltas, e largou na pole position 40 vezes. Os números de Helio ma Indy impressionam. Ele subiu ao pódio em 78 corridas, chegou entre os cinco primeiros em 111 e entre os 10 174 vezes.

Além de superar as dificuldades nas pistas, Helio Castroneves teve de superar um processo do fisco norte americano, algo que o deixou abalado, mas deu a volta por cima e após ter sido inocentado em 16 de Abril de 2009, conquistou sua terceira vitória em Indianápolis no dia 24 de maio daquele mesmo ano, mostrando sua incrível capacidade de superação.

Helio Castroneves (26)Fora das pistas ele é um dos mais queridos esportistas daquele país, tendo vencido a quinta temporada do “Dancing with the Stars” (Dança dos Artistas), o que ajudou a aumentar sua popularidade ainda mais.

Em 20111 lançou sua autobiografia intitulada “O Caminho da Vitória”. Com cerca de 300 páginas, a publicação  é um testemunho de dedicação ao esporte, de como enfrentou os obstáculos e as frustrações que surgiram na carreira, da participação decisiva da família no apoio para a realização do seu sonho, de como conseguiu sobreviver aos momentos mais difíceis de sua vida.

Acompanhe agora esta entrevista exclusiva com Helio Castroneves.

Carros e Corridas – Gostaria de iniciar essa entrevista falando do seu atual momento na Fórmula Indy. Você fechou o ano de 2014 em segundo na classificação geral . Tendo o Roger Penske como seu estrategista, você acredita que pode manter a liderança dentro da equipe?Helio Castroneves (20)

Helio Castroneves – Sem dúvida, esse foi um ano muito bom para gente em termos de campeonato. Claro que o nosso objetivo sempre foi o título e fiquei frustrado em não consegui-lo. Mas por outro lado foi um campeonato muito competitivo, liderei a pontuação na maior parte do ano e mesmo com os problemas em Houston cheguei em Fontana com chances de título. Não deu, paciência, vamos para próxima com a mesma garra.

CeC – Qual a grande lição da temporada de 2013?

HC – Eu acho que nossa opção foi a correta. Trabalhamos duro o ano todo e chegamos até na reta final com chance de título. Creio que isso é uma comprovação do bom trabalho que foi realizado. Faltaram alguns pontos fundamentais que, no finalzinho, fizeram a diferença. Mas foi um ano de se orgulhar.

Helio Castroneves (28)CeC – O que pode ser melhorado no carro da Penske para este ano? E qual o ponto forte?

HC – Sempre há o que melhorar. A gente nunca pode estar satisfeito porque não há um carro perfeito. Cada pista é exigente a seu modo e há sempre um trabalho à fazer. Não há propriamente algo a melhorar. Felizmente tenho um equipamento bem acertado desde o início do ano passado e a atenção nos detalhes é o mais importante agora.

CeC – Quais as chances de ver o “Homem Aranha” no lugar mais alto do pódio pela quarta vez em Indianápolis este ano?

HC – Vencer em Indianápolis pela quarta vez é uma grande meta que tenho na carreira para 2014. Não posso negar que sou um dos favoritos, mas o grupo da IndyCar, atualmente, é muito competitivo, o que torna mais difícil ainda esse desafio. O que posso dizer é que estou voltando à Indianápolis para vencer e é esse o meu objetivo.Helio Castroneves (3)

CeC – Neste ano, após a aposentadoria do Dario Franchitti o Tony Kanaan aparece como um forte concorrente ao título. Que expectativas você tem sobre essa temporada já que aponta para um maior equilíbrio ainda?

HC – A principal característica da Indy é justamente isso. O equilíbrio e muitos pilotos e equipes com chances de vencer fazem do nosso campeonato muito disputado do início ao fim. O Tony sempre esteve entre os favoritos e agora ainda mais. Sem dúvida, ele é um dos fortes candidatos ao título.

Helio Castroneves (6)CeC – Com o Brasil fora do calendário você teme que isso afaste o público?

HC – Estou acreditando que de uma maneira ou de outra essa questão será resolvida. Talvez até ainda em 2014 ou em 2015. Então, o negócio é ter um pouquinho de paciência porque a Indy não saiu do Brasil. Para mim é apenas um questão de calendário e de equacionar algumas questões que ficaram pendentes. Estou otimista.

CeC – Em entrevista ao site Carros e Corridas, Gil de Ferran, disse que a Indy dá mais chance de vitórias aos bons pilotos. Você concorda com isso?

Helio Castroneves (24)HC – Sem dúvida, o Gil tem razão. Na nossa categoria, como o equipamento é o mesmo para todo mundo em termos de chassi e os motores, apesar de Chevrolet Honda, também são próximos por causa do regulamento, existe um real equilíbrio de forças. No início da temporada de 2013 a Andretti se sobressaiu, mas as chances de bons resultados não ficam restritas a duas ou três equipes. Basta ver a diversidade de times no pódio em toda a temporada.

CeC – Já que falamos do Gil, como foi trabalhar com ele na Penske? Que aprendizado você tira da convivência com ele?

HC – O Gil é um cara nota 10 e foi muito legal trabalhar com ele. Somos amigos até hoje. Somos quase vizinhos em Fort Lauderdade e nossas famílias estão sempre juntas. O Gil é muito técnico e a nossa convivência sempre foi a melhor possível.

Helio Castroneves (18)CeC – Qual o companheiro de equipe ideal? Não se trata de nomes, mas que perfil teria esse piloto?

HC – Eu acho que o companheiro de equipe ideal é aquele que, de tão bom e competitivo, empurra você a se tornar um piloto melhor. A sua primeira referência é o companheiro de equipe e se ele é bom, vencedor, competitivo, você só evolui na convivência.

CeC – É possível ser amigo e manter uma disputa competitiva dentro da equipe?

HC –Sim, tanto é possível que sou amigo do Will Power e do Ryan Briscoe, que foi nosso companheiro de Team Penske até 2012. A convivência com o AJ no ano passado foi muito boa e agora está chegando o Montoya. Esse negócio de companheiro de equipe brigando entre si e um ficando de mal com o outro, como se fosse coisa de criança, não tem isso aqui na Indy. Há rivalidade e disputa, sem dúvida, mas profissionalismo e respeito.

Helio Castroneves (17)CeC – Você teve alguns problemas com a direção de prova, sobretudo em 2010 e 2011. A falta de preparo de fiscais e diretores de prova atrapalha?

HC –O esporte está em constante evolução e se as pessoas que comandam as operações técnicas e desportivas não evoluem da mesma forma, fica difícil. Então, tem de haver evolução nesse sentido também. Tive problemas, fui injustiçado, mas o lado bom é que a categoria trabalhou para melhorar isso e tenho percebido que a coisa melhorou um pouco. Não está perfeito, claro, mas o fato de haver um trabalho para melhorar isso já nos deixa de algum modo mais tranquilos.

CeC – Você se considerou injustiçado em algum momento por conta dessas decisões?

Helio Castroneves (8)HC – Totalmente. Aquela vitória em Edmonton, em 2010, que me foi tirada por causa de um inexistente bloqueio meu sobre o Will Power foi um escândalo. Nunca vou esquecer aquilo e nunca vou deixar de considerar uma vitória legítima que me foi tirada por um erro da direção de prova.

CeC – Vamos falar um pouco do seu início na Indy. Como surgiu a escolha de ir para a categoria?

HC – Eu estava na Fórmula Três inglesa em 1995 e, no final daquele ano, recebi um convite da Philip Morris para participar de uma espécie de seletiva na Indy Lights. Como fui bem e me ofereceram 50% do orçamento, a opção pelos Estados Unidos foi baseada nisso. Se ficasse na Europa, para 1996, teria de buscar 100% da verba, enquanto nos Estados Unidos metade do problema já estava resolvido com o apoio da Philip Morris. Foi esse o motivo.Helio Castroneves (10)

CeC – Qual foi a sua maior dificuldade na categoria? Os ovais?

HC – Não tive dificuldades nos ovais, por incrível que pareça. Fiquei muito ansioso no início e sofri alguns acidentes por causa disso, mas foi só colocar a cabeça no lugar – o que foi conseguido com muito esforço e o apoio da minha família – para as coisas entrarem nos eixos.

CeC – Você lamenta não ter tido oportunidade na Fórmula Um?

HC –Não, não lamento. Andei no carro da Toyota em 2002, foi uma experiência sensacional e os mecânicos da equipe até me aplaudiram quando voltei aos boxes. Mas a politicagem é muito grande e preferi ficar na Indy, onde, naquela fase, já estava na Penske e me sentindo muito bem. Foi a grande decisão correta da minha carreira.Helio Castroneves (21)

CeC – Quando Emerson Fittipaldi entrou para a Indy muita gente no Brasil disse que era arriscado, que os pilotos tinham nível mais baixo e era categoria de aposentado. De lá para cá muita coisa mudou, mas ainda há quem pense ser menor a categoria. Você acha que é dado o valor devido à Indy no Brasil? E no mundo?

HC – As duas categorias têm seu méritos e problemas. Isso é natural. A boa imagem da Fórmula Um é que passa há 40 anos no mesmo canal e praticamente no mesmo horário, além dos grandes campeões que tivemos. Mas o público tem conhecimento sobre a Indy, participa com entusiasmo e o fato de estarmos novamente correndo no país é prova disso.Helio Castroneves (7)

CeC – Afora suas três conquistas das 500 Milhas de Indianápolis, qual o momento mais marcante de sua carreira na Indy?

HC – Boa pergunta, sabe que não sei? Tenho sido tão abençoado por Deus com uma carreira vitoriosa que, realmente, é difícil apontar um momento.

CeC – O título na categoria lhe faz falta?

HC – Sim, quero esse título e estou trabalhando forte para isso. Vou fazer o meu melhor para sair desse ano como campeão da IndyCar.Helio Castroneves (25)

CeC – Não poderia deixar de falar de um assunto delicado, que foi seu processo na Justiça Norte americana, do qual você provou sua inocência. No entanto, nessas horas muita gente se afasta e os verdadeiros amigos se revelam. Em toda essa situação você se sentiu abandonado ou alicerçado?

HC – É como você falou, nessas horas a gente conhece o valor da família e os verdadeiros amigos. Foi uma coisa traumática que deixou cicatriz, isso não tem como apagar, mas o lado bom é que pude provar a inocência que sempre tive certeza, continuo fazendo o que gosto e sabendo com quem realmente posso contar.

Acompanhe galeria de fotos com um pouco da trajetória do piloto:

Fotos: Divulgação.
Agradecimento: Américo Teixeira Jr.

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