Cearense que competiu com Ayrton Senna relembra momentos da disputa

29 de abril de 2014

Especial Ayrton Senna – 20 Anos de Saudades.

Por Robério Lessa – No ano em que completa 20 anos da morte do maior ídolo do Automobilismo Brasileiro, o Carros e Corridas preparou algumas matérias especiais para lembrar desse que foi o grande motivador para muitos pilotos começarem a correr em competições automotivas. Ayrton Senna não só deixou uma legião incontável de fãs, mas também foi responsável por despertar o instinto de competição que existe dentro daqueles que desafiam o tempo a cada volta dada em uma pista pelo mundo.

Começamos esta homenagem apresentando um cearense que competiu na Fórmula Ford 1600 em 1981, foi adversário de Ayrton Senna quando este iniciou sua jornada pela Europa.

Para muitos pilotos Ayrton Senna foi o grande exemplo e a maior motivação para a realização do sonho de ser piloto de corrida.

Fernando Macedo ao lado de Ayrton Senna, na Inglaterra, em 1981

Mas para o empresário e ex-piloto Fernando Macedo, Ayrton Senna foi seu contemporâneo nas pistas e desses tempos lembra bem o quanto era difícil encarar aquele jovem franzino de capacete amarelo com detalhes verde e azul.

Aos 58 anos, Fernando foi o primeiro cearense a se aventurar nas pistas da Europa. Após ter iniciado sua vida nas pistas escondido da família, correu de Kart, Fusca, Fiat 143, Divisão Três (Maverick) Fórmula Ford, e Fórmula Três.

Sua paixão pelos carros começou em casa quando disputava corrida de autorama com os primos. Depois começou a construir carros de rolimã, comprou um kart em 1975 e, mesmo sem pista, andava nos espaços livres de sua casa em estacionamentos.
Em busca de seu sonho ele foi tentar a sorte na Europa como forma de saber até onde iria. Chegou no velho continente com o dinheiro de sua mesada, dividira a prestação da passagem comprando-a em uma agência de viagem de um amigo e, com a cara e a coragem, desembarcou num mundo desconhecido.

Fernando Macedo ao lado da filha Fernanda

Fernando foi piloto da equipe Royale e em 1981 disputou 12 das 16 provas do Campeonato Britânico de Fórmula Ford, vencido por Ayrton Senna, então piloto da Van Diemen. Em 1982 disputou algumas provas da Fórmula Três Britânica pela equipe de Eddie Jordan, mas a falta de apoio o fez encerrar a carreira internacional.

Daquele tempo ele se recorda bem do quanto era competitivo o piloto do carro amarelo número 42 que trazia ao lado do piloto o nome de Ayrton da Silva.

Naquele ano Fernando perdera quatro das 20 etapas e encerrou o campeonato na quarta colocação. Um grande feito se não tivesse competido com o campeão da temporada. Senna venceu 12 corridas, foi segundo colocado em cinco, e chegou uma vez em terceiro, uma em quarto, e outra em quinto, somando 220 pontos contra 156 de Rick Morris.

“Era difícil competir com o Ayrton. Você via que ele era especial, tinha uma incrível capacidade de pilotar. Claro, que naquele ano, não sabíamos o quanto ele seria o que foi, mas já mostrava que seria um dos grandes. Ele era calado, passava muito tempo ao lado do carro e atento a tudo que os mecânicos e engenheiros faziam”, disse.

Ayrton Senna no Grid da F-Ford Britânica

Uma das coisas que chamou a atenção do cearense era a seriedade e dedicação dele durante os fins de semana de corrida.

“Impressionava a forma como ele se empenhava nos treinos e na corrida. Tinha grande concentração, era determinado e buscava se superar a cada volta, acho que era isso que o fazia tão especial. Em toda minha vida nunca encontrei piloto tão competitivo quanto ele”, afirmou.

Fernando guarda na lembrança a corrida disputada no dia 27 de junho de 1981, em Outon Park no condado de Cheshire (Inglaterra). Naquele dia ele largava na primeira fila, em segundo lugar, ao lado de Ayrton Senna. Na corrida ele lembra que conseguiu a ajuda do mecânico de outro brasileiro, Roberto Pupo Moreno, permitindo-o correr com um melhor acerto e enfrentar os 4.307 metros do traçado.

“Eu bem que tentei, mas ele saiu na frente. Era uma temporada que já havia perdido as quatro primeiras etapas e precisava marcar pontos. Andei forte, evitei apenas forçar a barra para cima de um outro piloto que não recordo o nome, mas que era osso duro de roer e batia muito. Precisava chegar ao final da corrida com o carro inteiro para a prova seguinte. Dei o meu máximo e considero que fui vitorioso, já que terminar aquele ano em quarto na classificação-geral, tendo um orçamento limitado foi um grande resultado”, concluiu.

Hoje Fernando voltou a frequentar o mundo das competições, mas desta vez como instrutor de sua filha Fernanda Dourado Macêdo, que sonha em seguir os passos do pai. (clique aqui para ler a matéria sobre a Fernanda).

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Fotos: Arquivo Pessoal de Fernando Macedo/Wikipedia/sennaworld.com e Robério Lessa

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