O primeiro passo foi dado

4 de janeiro de 2017

Acompanhe no Carros e Corridas mais uma Coluna Velocidade escrita pelo jornalista Robério Lessa.

Olá, amigos leitores do Carros e Corridas.

Este é o primeiro texto que escrevo em 2017 e o faço motivado, torcendo para que este ano seja bem diferente ao de 2016, que seja um ano de recomeço, de união

Penso não haver solução mágica para conseguir êxito em qualquer coisa que dependa de várias pessoas se não a união.

Não se trata de filosofia barata ou aforismo, mas sim a constatação ululante a qual todos, de alguma forma, já puderam constatar em seu dia a dia.

Dito isto, pilotos, preparadores e mecânicos da categoria protótipo viram que não havia outra forma de reerguer as corridas envolvendo os CTM, Spirit e Superturismo, se não sentassem à mesa para buscar um consenso a fim de trazer de volta os bons tempos das corridas com 28 carros produzidos no Ceará.

Não é a primeira vez que escrevo sobre o tema (clique aqui e lei coluna publicada em novembro de 2015), isto porque ocorreram outras tentativas para o mesmo objetivo, não obstante, vale dar mais um crédito aos que, igualmente a este escriba, são apaixonados pelo universo dos carros e das corridas.

Dedicar parte do tempo para pensar o automobilismo local já é um ato louvável, pois, a semelhança de outras praças, os pilotos tem de se preocupar com sua vida pessoal e profissional, e as corridas não podem deter 100% de suas atenções, logo, faz-se necessário o entendimento a fim de não perder parte do precioso tempo dos que, mais uma vez, abraçam as disputas em solo alencarino.

A ideia de reagrupar os pilotos já vinha sendo maturada, mas após a realização de última etapa do Cearense de Automobilismo (disputada em dezembro) que reuniu 14 pilotos, houve um encontro o qual resultou em vários avanços. Alexandre Romcy, Arnaldo Pinho, Maurílio Reis, Minho Pimenttel, Paulo Plutarcho, Silvio Camelo e Tibúrcio Frota reuniram-se com o objetivo de traçar planos para esta nova união.

Maurílio Reis é presidente da APT

Uma das ações traçadas no encontro foi a criação de um grupo para colher ideias, nivelar as informações e motivar pilotos, mecânicos, preparadores, dirigentes e outros profissionais ligados ao esporte motor. Maurílio Reis, piloto e presidente da Associação dos Pilotos de Turismo (APT), vê com entusiasmo o andamento dos encontros e acredita que tem conseguido motivar as pessoas.

“Acho que precisavam os dessa sacudida, sentarmos juntos e esquecermos nossas diferenças. A ideia de criar o grupo no WhatsApp surgiu da necessidade de motivar todos indistintamente. Acho que cada um pode dar sua contribuição e estamos colhendo os frutos disso. Considero salutar a participação das pessoas, é bom poder ver que as diferenças estão sendo deixadas para trás em nome de nosso esporte, e isso é muito bacana”, afirmou Maurílio.

Alexandre Romcy (esquerda) ao lado de Gerardo Aguiar.

Alexandre Romcy, criador dos Spirit, é outro que não esconde o ânimo ao ver os avanços conseguidos após as primeiras conversas e acredita que 2017 será um ano que vai surpreender.
“O momento é ímpar! Mesmo com a economia parada a união de todos deverá resultar em mais movimento que de costume, a variedades carros a liberdade de preparo mesmo que limitada deverá ser o tópico que poderá atrair pilotos e amantes do esporte”, disse o Engenheiro e Projetista. Romcy lembra da necessidade de um regulamento que não eleve os custos, já que nesse momento é preciso motivar os que estão parados a voltar a competir. “Os protótipos vão correr com as categorias já conhecidas (CTM Spirit e Superturismo), mas com pontuação distinta e regulamento limitado para que os custos não sejam tão elevados, com isso atenderemos a todos. Assim a categoria com maior preparo será a dos motores até dois litros, oito válvulas, pneus radiais de rua, e peso fixado dependendo do tipo de suspensão (Spirit 740 kg – Suspensão de fusca; CTM – Suspensão independente – 800kg), e caixa de marcha livre”, concluiu.

Arnaldo Pinho

Para Arnaldo Pinho, a largada já foi dada, agora é preciso colocar a ideias em prática para fazer uma grande corrida na primeira etapa do ano. “Acho que vislumbramos um bom momento, pois estamos parados e é preciso romper essa inércia. Temos uma pista homologada pela Confederação Brasileira de Automobilismo e muitos pilotos com carros na garagem. As discussões já aconteceram, os regulamentos estão sendo concluídos, agora faz-se necessário sair das palavras e transformar as boas intenções em atos reais. Quem não quiser correr que não vá, venda seu carro para quem quer, pois tem muita gente querendo. O certo é que estarei com meu CTM. Contem comigo, é hora de agir, revisar o carro para quando chegar o dia da corrida não ter de ficar de fora por que não deu tempo de aprontar. Reitero, carro e gente para correr tem, basta ter interesse”, pontuou Arnaldo.

Paulo (centro) com o filho Davi e Minho Pimentel

Após três anos afastado do Automobilismo Cearense, tendo disputado apenas algumas corridas pontuais, o piloto e chefe de equipe Paulo Plutarcho confirmou seu apoio e lembrou da necessidade de valorizar o Autódromo Virgílio Távora e de manter esse momento de união para o crescimento do esporte motor do Ceará.

“É importante que nesse momento em que o automobilismo cearense vem de alguns anos sem ter uma união das categorias possa voltar a ver várias categorias juntas. Eu acho o momento propício para que as pessoas que gostam de automobilismo se unam em torno dele. Já que tem um grupo do Ceará fazendo automobilismo em São Paulo, é importante não desprezar a praça esportiva que nós temos, com apoio da federação, com várias categorias vários entusiastas de automobilismo de unir essas forças para que a gente não deixe morrer uma história que existe desde os anos 1960, já muito antiga começando com Neném Pimentel e muitos outros que passaram por crises e dificuldades, mas sempre mantiveram o automobilismo vivo de alguma forma. Eu acho que a gente pode contribuir sempre com alguma coisa, com apoio, de alguma forma para fazer valer essa fusão de categorias, que já é uma realidade do Brasil todo, aqui não deveria ser diferente e esse momento é muito importante colocarmos carros na pista. Temos que incentivar essas pessoas que gostam de automobilismo e procuram garimpar novos valores, jovens que queiram entrar na brincadeira, na competição. São jovens de Pernambuco, da Paraíba, do Ceará, tem muitos deles que gostam de carro, de corridas. É preciso abraçar tudo isso. Eu reputo esse momento como de uma importância maior, não é nenhuma pretensão pessoal e individual, mas sim de um conjunto querer que tudo isso dê certo, temos que tornar esse momento em uma realidade”.

Com tanta ebulição nos bastidores, pilotos veteranos como Hiderlandson Peixoto mostraram animação e acreditam que é preciso fortalecer as disputas no Ceará e integrá-las a outros estados nordestinos. “A hora é essa. É preciso aproveitar esse momento e buscar integração com a Paraíba e Pernambuco para fazer um automobilismo forte no Nordeste. Foi boa essa participação de pilotos do Ceará em São Paulo para ver um automobilismo de primeiro mundo, mas a gente tem que valorizar o nosso, criar rivalidades e Ídolos como antigamente”, afirmou Hiderlandson, que disse ter recebido convites para voltar a correr em uma prova de longa duração e estar inclinado a participar, caso seja realizada.

Minho Pimenttel

Piloto e preparador, Minho Pimenttel, lembra que é preciso seguir o exemplo do Cearense de Marcas parta ter uma categoria forte. “Não tem muito segredo. O pessoal do Marcas conseguiu com muita simplicidade. Acabaram com muitas intrigas, fizeram um regulamento mais aberto, pensaram no grupo e acabaram o ano colocando 25 carros no grid, atraindo pilotos de Pernambuco e da Bahia. O mais difícil foi feito, reunimos o grupo novamente, agora vamos pensar em colocar os carros para correr, é hora agora de colocar a mão na graxa”, disse o veterano piloto.

Zenaldo Queiroz

Zenaldo Queiroz, piloto e preparador, também espera ver os carros na pista. Com experiência no acerto do CTM, Zenaldo corrobora com o que pensa Arnaldo Pinho e Minho Pimenttel, e espera que todos pensem no bem maior que é o Automobilismo Cearense. “Esse é um momento importante para o automobilismo, não tinha visto nada igual. Espero que as palavras se transformem em ações, pois o Ceará sempre foi modelo para os outros estados. Uma categoria forte é feita com muita união. É preciso somar para depois colher os frutos e dividir com todos”, afirmou Zenaldo.

Com tanta gente unida e pensando em um objetivo comum, espera-se que esta chance não seja desperdiçada, e que seja o ponto de partida para termos de volta um automobilismo do tamanho da paixão de todos nós.

Robério Lessa é jornalista, editor do site Carros e Corridas e escreve sobre automobilismo desde 1992.

Escreva para o Colunista: roberio@carrosecorridas.com.br

Texto e Fotos: Robério Lessa.

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