Entrevista com Pedro Sereno

12 de outubro de 2018

Por Robério Lessa direto de Vespasiano (MG) –  Neste sábado (13) acontecem as finais da 30ª Copa Brasil de Kart, no Kartódromo RBC Racing, em Vespasiano (MG), competição que teve início na última quarta (10), e é chancelada pela Comissão Nacional de Kart (CNK), da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA).

A CNK é presidida pelo mineiro Pedro Sereno de Matos, que não esconde o orgulho de ver a segunda maior competição do Kartismo Brasileiro sendo realizada no seu estado natal.

Em uma semana de trabalhos intensos, Sereno (que já presidiu a CNK por aproximadamente 20 anos) conseguiu um espaço para atender a reportagem do Carros e Corridas, e esta entrevista que apresentamos para você.

“Primeiro gostaria de agradecer demais a cobertura de toda a imprensa nesta competição. Para mim é uma honra que ela esteja sendo realizada em Minas Gerais, e isso é mérito de todos os que se dedicaram para a realização desse sonho”, disse Pedro ao começaremos a falar sobre a movimentação das pessoas no Kartódromo RBC Racing.

Nossa conversa, como não poderia deixar de ser, partiu logo para um quesito que não pode ser deixado à margem quando se trata de competição automotiva (kart no caso), a segurança. Ao ser perguntado sobre a postura das federações, como a Federação Cearense de Automobilismo do Estado do Ceará (FCA), que regulamentou campeonatos Indoor, o dirigente foi enfático.  

“Segurança é algo que não é para ser questionado. Tudo de segurança é custo, mas é um custo que tem que ser absorvido. Não adianta um Indoor custar barato e não ter segurança. É muito mais seguro dar um kart para seu filho do que uma bicicleta. Aqui ele vai andar num ambiente propício, com todo o aparato de segurança, e na bicicleta, nem sempre ele vai estar com o equipamento de segurança e no lugar certo. O que aconteceu no Ceará se deve muito à Federação Cearense de Automobilismo. A Comissão Nacional de Kart não foi lá para implantar. Nós orientamos, tinha a regulamentação, mas foi a FCA quem abraçou quem foi até os kartódromos indoor e organizou tudo”.

“Sem se esquivar das respostas, indagado sobre o pós-eleições da CBA, na qual fora vencedora a chapa presidida pelo pernambucano Waldner Bernardo (Dadai), Pedro mostra que o processo já foi superado e que as divergências ficaram para trás, assim que foi anunciada a chapa vencedora”.

“Elas (as eleições) acabaram, eu apoiei o projeto que o Dadai tinha de melhorar o Automobilismo Brasileiro e eu tinha o projeto de melhorar o Kart Brasileiro. Para nós a eleição terminou no dia dela. O Rubens Gatti, que era o presidente da Comissão de Kart é um amigo, ele fez o que pode fazer no seu tempo. Eu tenho algumas ideias diferentes das deles e é isso. Não é de se jogar fora o que foi feito, é para se melhorar, aprimorar”.

Passados um ano de seu retorno à frente das decisões do Kart Nacional, Pedro Sereno fala com orgulho do momento que atravessa o revela um sonho.

“Nós pretendemos dar um tiro bem longínquo para tentar trazer um mundial da OK e da OK Júnior para o Brasil. Uma corrida que eu estive vendo agora na Suécia com 227 pilotos, e nossa ideia é trazer para o Brasil esse mundial porque em São Paulo, Minas, Paraná, Paraíba e em vários lugares do Brasil nós fazemos corridas com mais de 200 pilotos. Isso não nos assusta, nós temos várias pistas capazes de receber um mundial. Corridas nós sabermos fazer muito bem. O que não sabemos fazer ainda são eventos, mas estamos progredindo”.

“Fizemos um grande Campeonato Brasileiro no ano passado no Beto Carreiro, com transmissão pela TV, e esse ano novamente, na Granja Viana. Acho que estamos no rumo certo porque precisamos fazer o kart ser atraente para a TV e para os patrocinadores”.

“Já acertamos para que, no ano que vem a Sport TV vai fazer a transmissão. Estamos trabalhando para que o Kart se transforme em um grande evento de interesse da TV. Estamos subindo Degrau a Degrau, entregando para a Televisão um produto que está sendo bom para ela”.

“Queremos formar um produto para que o piloto possa aparecer. O Kart não é um esporte barato e sendo transmitido às empresas terão retorno com a exposição, e isso vai gerar uma competição cada vez mais forte”.

“Para você ver, hoje, em todas as categorias está tudo muito junto, todo mundo andando muito encostado, o nível do kartismo no Brasil está muito elevado começando pelos pilotos. Além disso, você percebe que as fábricas estão aí com ótimos produtos”.

“O Mundial é uma consequência. Não é simples trazer um mundial por causa dos altos custos. Não é simples trazer uma competição por causa da logística, pois as equipes são da Europa. Seria um Sonho, não é que seja o meu sonho, mas eu acho que nós ainda tempos muito que crescer no kart, chegarmos mais perto do que acontece no Mundo, apesar do que o nosso kart brasileiro está no nível do Kart na Europa, nós temos algumas restrições. A indústria do Kart Brasileiro é muito competente. Nós fabricamos motor, fabricamos Pneus (e ela exporta para mais de 60 países). Abrimos o mercado para chassis importados e vemos, por exemplo, a Mini, uma indústria Nacional com mais de 40 anos ganhando corridas competindo com esses chassis fabricados por robôs fabricados na Europa. Nós estamos juntos, mas é claro que podemos melhorar. Sempre podemos Melhorar”.

 

Texto e Fotos: Robério Lessa.

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