Mercedes-Benz Challenge adota novo modelo de gestão e parte para sua 10ª temporada

4 de junho de 2020

Por Robério Lessa – Exclusivo para o Carros e Corridas.

O ano de 2020 marca a 10ª temporada da Mercedes-Benz Challenge (MBC). A única categoria monomarca da montadora alemã em todo o mundo apresenta uma nova forma de administração, gerenciamento e marketing.

Com exclusividade, o Carros e Corridas teve acesso aos planos da MBC em conversa com Roberto Santos,  diretor da WTT Group Mídia, Ricardo Ramos, diretor da Advancet Motorsport e Betão Fonseca, piloto, chefe de equipe e um dos responsáveis pelo novo desenho da categoria.

Sem acordo com o promotor anterior, houve a ideia de criar um novo modelo de gestão e o foco era fazer algo que aliasse desempenho, competitividade e redução dos custos, uma gestão compartilhada low cost.

Foi contratada agência gestora, a WTT Group Mídia para tocar a parte administrativa e promocional já havia sido tratada desde o fim da temporada de 2019 e deflagrada em janeiro deste ano. Havia a preocupação em enxugar os custos devido aos rumos da economia brasileira nos últimos anos, e, após a eclosão da pandemia do COVID-19, que trouxe um desaquecimento econômico mundial, tornou-se imperioso agir rápido para, quando autorizado o retorno das atividades de pista, ter um grid à altura do que representa a Mercedes-Benz Challenge no Automobilismo Brasileiro.

A agência de marketing esportivo WTT, que detém os direitos da Mercedes-Benz e a representa junto à categoria, terá a missão de articular as medidas necessárias para a realização das etapas com a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e a Federação Paulista de Automobilismo (FASP), e tratar de todas as questões comercias com patrocinadores e parceiros técnicos.

Dentro desse modelo também foi contratada a Advanced Motorsport para supervisionar a parte técnica, tendo a missão de garantir a equalização de todos os carros da MBC, além de acompanhar o mapeamento destes nas provas e cuidar das revisões da parte de motor, câmbio e diferencial, o chamado Power Train, sempre sob a supervisão de um técnico da montadora.

Com isso estabeleceu-se como objetivo para 2020 a manutenção da categoria, a implantação de um programa de redução de custos; a manutenção dos parceiros técnicos como a Pirelli (que fornece os pneus), Fras-le e Fremax (componentes de freios), Petronas (lubrificantes), Real Radiadores (radiadores), Viemar Automotive (suspensão).

Foi estabelecido um calendário com seis etapas nas cidades de São Paulo, Mogi Guaçu, Goiânia e Curitiba. A ideia é fazer quatro etapas em Interlagos (SP), uma no Velo-Città (SP) uma no Autódromo Ayrton Senna (GO) e outra no Autódromo Internacional de Curitiba (PR). O calendário vai depender da confirmação dos calendário e dos autódromos possíveis para a realização das etapas e as quantidades mínimas de treinos oficiais acertados com o a FASP. Tudo vai depender da confirmação ou não do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, em Interlagos. A decisão da categoria internacional impacta diretamente nas datas do Autódromo José Carlos Pace.

“Quando acabou a temporada do ano passado vimos que era preciso mudar a maneira como a Mercedes-Benz Challenge era administrada e fazer com que tivéssemos um modelo no qual os pilotos possam competir e ter um papel mais decisivo nas tomadas de decisões, afinal, esta é uma categoria de Gentleman Drivers e ela precisa ter atrativos que vão desde a competitividade passando pela gestão e respeito ao dinheiro que investimos. Esse modelo tem que atender também a fábrica pelas ações de marketing”, disse Betão Fonseca.

Modelo decidido, era hora de reavaliar todo e quaisquer itens para diminuir os custos. Buscar o apoio das parcerias que já existiam era o primeiro passo, o outro era buscar a redução dos custos com logística e a ideia da união de todos os pilotos e equipes dividindo os custos do transporte deu um indicativo de que esse seria o caminho a ser seguido, um caminho sem volta.

“O que está sendo feito é fruto de um trabalho sério. Estou há 10 anos na categoria e fomos a fundo à análise de cada componente, buscamos onde poderíamos baixar o preço e manter a qualidade dos carros, que continuam sendo supervisionados pela Mercedes, e já temos o indicativo de que a inscrição do piloto sofrerá uma redução de 70% no valor que era pago em 2019, ou seja, ele vai pagar apenas 30% do que pagou para correr no ano anterior e já temos confirmado um grid maior do que o da última etapa anterior”, afirmou Roberto Santos.

Outra iniciativa para reduzir os custos foi a limitação do uso dos pneus. Essa passa pelo bom histórico de durabilidade e desempenho do pneus utilizados nas últimas três temporadas. Após análise dos dados de telemetria, viu-se a confiabilidade dos pneus, o que motivou a renovação com a Pirelli por mais duas temporadas.

“Não haverá perda de desempenho, tampouco menos segurança, estamos fazendo tudo com muita seriedade e compromisso com a qualidade, segurança, performance e redução dos custos. Não somos aventureiros, estamos cercados de técnicos competentes com expertise comprovada”, ressaltou Betão Fonseca.

As peças de reposição serão compradas direto dos fornecedores, sem atravessador o que deve gerar uma economia de mais de R$ 60.000,00 por carro. Um dos componentes que costuma pesar no bolso é o radiador. Um CLA 45 AMG tem oito radiadores e um C250, cinco. Agora, em vez de terem de comprar o produto importado as equipes poderão recorrer a um similar nacional avalizado pela Mercedes-Benz. Isso já ocorria com os componentes do freio que, por corrida são trocados quatro discos e 16 pastilhas por carro.

Na parte da equalização dos motores, uma queixa constante em categorias monomarcas, a solução apresentada pela Advanced Motorsport vai facilitar até o trabalho dos comissários desportivos.

No briefing da primeira corrida do ano serão distribuídos (em forma de sorteio) pen drives para todos os pilotos contendo o mapeamento a ser inserido no carro. Segundo Ricardo Ramos, que trabalha com carros Mercedes de competição há 25 anos, com passagem pela DTM, “não há como ter diferença entre os carros quando se adota um mapeamento único”.

Assim, se um piloto contestar seu desempenho em relação ao de um oponente, será feita a troca dos pen drives de cada carro e sua leitura. Caso haja alguma violação no mapa entregue pela categoria o piloto perderá os pontos da etapa e a equipe será expulsa da competição.

Hoje o MBC passa a ser regional e será regulamentada pela FASP, sendo esta a responsável pela estrutura nos autódromos, resgate, corpo médico, cronometragem, segurança, credenciamento, homologação de regulamentos técnicos e desportivos e tribunal desportivo.

Nesta temporada os carros terão um novo visual. A Pavão Design foi contratada pelos pilotos para a realização do facelift de ambos os modelos, sendo que os carros da C250 terão agora o visual da C300 e os carros da CLA 45 AMG CUP apresentarão uma nova cara da categoria do ponto de vista de design.

“Esse será um impacto visual que o público vai sentir, é também uma forma de começarmos esse novo momento mostrando algo novo, carros bonitos e competitivos, como as pessoas gostam”, salienta Betão.

As provas terão um novo formato e serão disputadas aos domingos e os treinos de sexta e sábado (livres e de classificação) serão transmitidos em plataformas streaming. As etapas terão transmissão pelo canal BANDSPORTS, que exibira um compacto da primeira corrida e a íntegra da segunda.

As duas corridas do domingo serão disputadas em 12 voltas ou 30 minutos. O grid da segunda prova obedecerá à ordem de chegada da primeira corrida do dia.

Texto: Robério Lessa.
Fotos: Rodrigo Ruiz-RR Midia/Vanderley Soares/ Fábio Davini-Vicar e Equipe Sambaíba/Divulgação.

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